IPCA-15 registra a segunda desaceleração consecutiva, enquanto energia elétrica e alimentos continuam entre os principais responsáveis pela alta do custo de vida.
Porto Velho, RO – O ritmo de avanço dos preços no país voltou a perder intensidade em junho, embora despesas essenciais continuem pressionando o orçamento das famílias. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), ficou em 0,41%, marcando o segundo mês consecutivo de desaceleração, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado sucede as taxas de 0,62% registradas em maio e de 0,89% em abril. Apesar da desaceleração mensal, o acumulado em 12 meses avançou para 4,8%, acima dos 4,64% observados no levantamento anterior.
Entre os grupos pesquisados, alimentação e bebidas e habitação responderam por aproximadamente dois terços do índice do mês. A alimentação registrou alta de 0,74%, com impacto de 0,16 ponto percentual, enquanto a habitação subiu 0,72%, contribuindo com 0,11 ponto percentual para o resultado geral.
No segmento habitacional, a maior pressão veio da energia elétrica residencial, que apresentou aumento de 2,04%. Entre os 377 produtos e serviços pesquisados, a conta de luz foi a que mais influenciou a inflação de junho, com impacto de 0,08 ponto percentual.
Segundo o IBGE, esse movimento foi impulsionado pela adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) justificou a cobrança extra pela previsão de chuvas abaixo da média e pela expectativa de crescimento no consumo de energia, fatores que elevam a necessidade de acionamento das usinas termelétricas, cuja operação é mais cara. Também contribuíram para o aumento os reajustes tarifários aplicados em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador.
Na alimentação consumida em casa, os preços continuaram em alta, mas em ritmo menor. O avanço foi de 0,87%, após crescimento de 1,73% em maio. As maiores elevações foram registradas na batata-inglesa (29,42%), tomate (17,27%), feijão-carioca (14,29%) e cebola (9,54%).
O instituto também destacou que, ao longo do primeiro semestre, tomate (103,84%), cenoura (103,10%) e batata-inglesa (100,20%) mais que dobraram de preço, reflexo das condições climáticas que afetam diretamente a produção agrícola.
Já o grupo dos transportes apresentou comportamento oposto ao da maioria dos demais segmentos. Houve recuo de 0,03%, influenciado principalmente pela queda de 1,22% nos combustíveis. O etanol caiu 5,30%, a gasolina recuou 0,73% e o óleo diesel ficou 1,47% mais barato. Em contrapartida, as passagens aéreas registraram alta de 7,24%, gerando impacto positivo de 0,05 ponto percentual no índice.
Os demais grupos tiveram as seguintes variações: artigos de residência (0,36%), vestuário (0,45%), saúde e cuidados pessoais (0,47%), despesas pessoais (0,34%), comunicação (0,34%) e educação, que apresentou leve queda de 0,02%.
O IPCA-15 é considerado a prévia da inflação oficial medida pelo IPCA e utiliza praticamente a mesma metodologia do indicador principal. A principal diferença está no período de coleta de preços, realizado antes do encerramento do mês de referência. Nesta divulgação, os dados foram levantados entre 16 de maio e 16 de junho.
O indicador contempla uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Enquanto o IPCA-15 reúne informações de 11 localidades do país, o IPCA completo considera 16 áreas de abrangência. A divulgação da inflação oficial de junho está prevista para 10 de julho.
De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (22), a mediana das projeções do mercado financeiro apontava inflação de 0,32% para o mês de junho.
Com informações de: Agência Brasil
COMENTÁRIOS:



