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INDÚSTRIA DO CHOCOLATE
Consumo de chocolate segue em alta no Brasil e setor projeta novo crescimento em 2026

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Com produção em expansão, mercado movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, amplia exportações e aposta em inovação para elevar o consumo dos brasileiros.

Por Yan Simon - terça-feira, 07/07/2026 - 09h52

Porto Velho, RO – O mercado brasileiro de chocolate mantém trajetória de crescimento e a expectativa da indústria é de que a produção continue avançando ao longo de 2026. Celebrado nesta terça-feira (7), o Dia Mundial do Chocolate reforça a importância do setor, que movimenta bilhões de reais, gera milhares de empregos e reúne toda a cadeia produtiva no país, desde o cultivo do cacau até a fabricação dos produtos.

Em 2025, a indústria nacional produziu 814 mil toneladas de chocolate, acima das 805 mil toneladas registradas em 2024. Embora o resultado deste ano ainda dependa do fechamento do exercício, a expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) é de continuidade desse crescimento.

Segundo o presidente da entidade, Jaime Recena, o chocolate já faz parte da rotina dos brasileiros e a indústria mantém investimentos constantes em inovação para acompanhar as preferências do consumidor. Ele afirmou que novos produtos são lançados regularmente para atender às expectativas do mercado.

O setor também apresentou forte desempenho financeiro. Dados da Kantar/Ibope mostram que o mercado alcançou movimentação de R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado pelo crescimento dos chocolates finos, pela inovação e pelo aumento do consumo durante todo o ano, e não apenas no período da Páscoa.

Apesar desse avanço, o consumo médio ainda apresenta espaço para expansão. Atualmente, cada brasileiro consome quase 4 quilos de chocolate por ano, enquanto em mercados como Estados Unidos e países da Europa esse índice varia entre 9 e 10 quilos anuais. Para Jaime Recena, o Brasil reúne condições para ampliar esse consumo nos próximos anos.

Ele destacou ainda que, mesmo diante dos desafios logísticos impostos pelas dimensões continentais do país, o chocolate chega aos consumidores em praticamente todos os municípios brasileiros. Conforme observou, a maior parte da produção nacional permanece destinada ao mercado interno.

No comércio exterior, os embarques de chocolate somaram 37,8 mil toneladas em 2025, movimentando US$ 210,2 milhões e alcançando cerca de 168 países. As importações, por sua vez, chegaram a 19,8 mil toneladas, totalizando US$ 227 milhões.

Já entre janeiro e março de 2026, o Brasil exportou 7,7 mil toneladas de chocolate, o equivalente a US$ 47 milhões. No mesmo período, as importações atingiram 4,7 mil toneladas, movimentando US$ 57 milhões, o que resultou em saldo positivo de 3 mil toneladas na balança comercial.

No segmento do cacau, as exportações brasileiras renderam US$ 603,1 milhões em 2025, com embarques de 53,5 mil toneladas. Em contrapartida, foram importadas 93,7 mil toneladas, que representaram US$ 699,2 milhões. Apenas no primeiro trimestre deste ano, as exportações chegaram a 12,7 mil toneladas, somando US$ 108,4 milhões, enquanto as importações alcançaram 32,9 mil toneladas, no valor de US$ 209,1 milhões.

Segundo Jaime Recena, o Brasil mantém forte presença nos mercados da América Latina, especialmente na Argentina, Chile e Paraguai. Ao mesmo tempo, a indústria acompanha oportunidades abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia e também registra crescimento das vendas para países árabes. O dirigente ressaltou ainda a exportação de chocolates com maior teor de cacau e ingredientes típicos brasileiros, iniciativa desenvolvida em parceria com a ApexBrasil para ampliar a presença de pequenos fabricantes no mercado internacional.

Além da relevância econômica, a cadeia produtiva responde por aproximadamente 450 mil postos de trabalho nas empresas associadas à Abicab. A Páscoa continua sendo o principal período de contratação, com índice de efetivação de cerca de 30% dos trabalhadores temporários. Em 2026, foram abertas 14.558 vagas sazonais, número superior às 9.946 registradas no mesmo período do ano anterior.

Recena avaliou que a data representa a principal ocasião de consumo do setor e também concentra lançamentos de novos produtos. Na última Páscoa, mais de 130 novidades chegaram ao mercado. Para ele, a indústria busca continuamente desenvolver produtos que agreguem valor e mantenham o chocolate presente na rotina dos consumidores, independentemente da época do ano. Segundo o dirigente, o produto deixou de ser exclusivamente sazonal e consolidou-se também como opção de presente.

A Abicab reúne atualmente 96% dos principais fabricantes de chocolate do país, além de representar 62% da indústria de amendoim e 68% das fabricantes de balas. Conforme informou o presidente da entidade, praticamente todas as principais marcas disponíveis ao consumidor integram a associação.

No campo, a safra 2024/2025 foi considerada positiva pela Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba). De acordo com o diretor financeiro da cooperativa, Osaná Crisóstomo, foram comercializadas cerca de 80 mil toneladas de cacau, com a arroba negociada a R$ 1.100.

Agora, os produtores aguardam o início da próxima safra, previsto para setembro, na expectativa de recuperação dos preços pagos pela indústria, atualmente em torno de R$ 330 por arroba. Segundo Crisóstomo, o mercado permanece instável e a evolução das cotações dependerá, principalmente, das condições climáticas.

Criada em 2010 pela Coopfesba, a Bahia Cacau tornou-se a primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil. Instalada em Ibicaraí, no sul da Bahia, a unidade produz chocolates com teor de cacau entre 35% e 70%, além de utilizar ingredientes regionais, como o cupuaçu, agregando valor à produção familiar e contribuindo para a preservação da Mata Atlântica.

Os produtos da marca já são comercializados em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio de Janeiro, além de terem iniciado, no ano passado, as primeiras exportações para Portugal.

Os agricultores também destacam os efeitos da Lei 15.404/2026, sancionada em maio deste ano, que estabelece critérios para produtos derivados do cacau, determina percentual mínimo de cacau nos chocolates e exige a informação desse índice nos rótulos. A legislação, válida para produtos nacionais e importados comercializados no país, passará a vigorar em 7 de maio de 2027 e abrangerá toda a cadeia produtiva e de comercialização.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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