Cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, que somam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, podem ser atingidos pelas medidas comerciais avaliadas pelo governo norte-americano.
Porto Velho, RO – A possibilidade de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos poderá afetar aproximadamente 4,2 mil produtos exportados pelo Brasil. Os itens representam cerca de US$ 15 bilhões em vendas ao mercado norte-americano, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico estão entre os produtos potencialmente alcançados pelas sobretaxas. As recomendações preliminares também mencionam aeronaves, mercadorias agropecuárias e insumos industriais.
A decisão final deverá ser divulgada nesta quarta-feira (15), data prevista para o encerramento da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Na mesma ocasião, deverá ser apresentada a lista definitiva de produtos sujeitos às novas tarifas.
Diante da proximidade do anúncio, representantes do governo brasileiro voltaram a se reunir, nesta terça-feira (14), com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Durante o encontro, foi reforçada a posição de que as medidas avaliadas por Washington não possuem justificativa técnica.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), essa foi a quinta rodada de conversas entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde 7 de maio. Na ocasião, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump acertaram a criação de um grupo de trabalho para tratar das relações comerciais entre os dois países.
A reunião contou ainda com integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência da República. A orientação do presidente Lula permanece voltada à continuidade das negociações e à busca por uma saída diplomática que impeça a aplicação das tarifas.
Em comunicado, o Mdic afirmou que as recomendações apresentadas pelo USTR não oferecem elementos suficientes para sustentar a criação de novas barreiras. O governo também classificou como injustas tanto a sobretaxa de 25% direcionada especificamente aos produtos brasileiros quanto a cobrança adicional de 12,5% associada à investigação sobre trabalho forçado, que também envolve outras 59 economias.
Para a pasta, a imposição de qualquer tarifa adicional não contribui para a construção de um acordo comercial equilibrado entre os dois países. A avaliação foi apresentada de forma direta no comunicado: “A aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta”.
As medidas são analisadas no âmbito de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo norte-americano questiona práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, à propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e a políticas ambientais de combate ao desmatamento ilegal.
Esses argumentos são rejeitados pelo governo brasileiro, que sustenta não haver fundamento para a adoção de sanções comerciais. Interlocutores envolvidos nas tratativas avaliam que houve avanços nos primeiros meses de negociação, mas observam um endurecimento da posição norte-americana nas últimas semanas.
Enquanto aguarda a decisão da administração Trump, o Brasil mantém os canais diplomáticos abertos. A prioridade declarada é alcançar um entendimento por meio do diálogo. Ao mesmo tempo, permanece em análise a adoção de medidas de resposta caso as sobretaxas sejam confirmadas.
Com informações de: Agência Brasil
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