Complexo ferroviário reúne histórias de moradores, recebe turistas e segue como espaço de preservação da identidade histórica e cultural da capital
Porto Velho, RO – Décadas depois das viagens de trem que marcaram sua infância, Márcia voltou a fazer parte do cotidiano da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Atualmente, ela trabalha em um trailer instalado no complexo ferroviário e acompanha de perto o fluxo de moradores e turistas que procuram um dos principais patrimônios históricos de Porto Velho.
Durante eventos realizados no local, o movimento aumenta. Entre os atendimentos, Márcia conversa com visitantes, repassa informações sobre a ferrovia e troca experiências com pessoas que chegam à capital interessadas na história da Madeira-Mamoré. Segundo ela, alguns turistas demonstram conhecer detalhes do patrimônio antes mesmo da visita, resultado de pesquisas feitas durante o planejamento da viagem.
A presença de moradores e visitantes no espaço é apontada pelo secretário municipal Cássio Moura, da Semtel, como parte do processo de manutenção da memória ligada à ferrovia. Para ele, diferentes gerações estabelecem relações próprias com o complexo, que permanece integrado à rotina cultural da cidade.
“Nosso trabalho é cuidar desse patrimônio e manter o complexo como um espaço vivo, onde história, cultura e novas memórias continuam se encontrando”, afirmou o secretário.
A relação de Márcia com a Madeira-Mamoré, porém, começou muito antes de seu trabalho no local. Nascida em Manaus, ela chegou a Porto Velho aos cinco anos e cresceu acompanhando um período em que a presença das locomotivas ainda fazia parte de suas lembranças de infância.
Hoje com 50 anos, ela recorda detalhes das viagens, como o som dos vagões, o vento entrando pelas janelas e as faíscas observadas durante o deslocamento pelos trilhos. Também permanecem na memória as casas construídas próximas à linha férrea e a curiosidade sobre a rotina dos moradores que conviviam com a passagem dos trens.
“Passear no trem era gostoso demais. Eu lembro daquele barulho, lembro das faíscas saindo dos trilhos. O vento batendo na janela do vagão”, relatou Márcia.
Na infância, elementos comuns da viagem despertavam a atenção da menina. O apito da locomotiva, os trilhos e as residências localizadas nas proximidades da ferrovia acabaram compondo uma sequência de lembranças que permaneceu ao longo dos anos.
Relatos semelhantes são considerados parte da dimensão histórica da Madeira-Mamoré para Porto Velho. Além das estruturas preservadas no complexo ferroviário, a relação construída pelos moradores ao longo das décadas integra a memória associada ao desenvolvimento da capital.
O prefeito Léo Moraes destacou que a preservação do espaço também está ligada à manutenção dessas referências para as próximas gerações. Segundo ele, a Madeira-Mamoré está relacionada à identidade da cidade e às histórias compartilhadas por diferentes famílias.
“A Madeira-Mamoré faz parte da identidade de Porto Velho e da memória de muitas famílias”, afirmou. O prefeito acrescentou que a conservação do patrimônio permite que novas gerações tenham contato com essa parte da história da capital.
Para Márcia, o retorno ao complexo estabeleceu uma nova relação com o lugar que marcou sua infância. Se antes a ferrovia era observada pela janela dos vagões, agora faz parte de sua rotina profissional e dos encontros que mantém diariamente com quem procura conhecer a história de Porto Velho.
A convivência com turistas e moradores também acrescenta novas experiências às lembranças acumuladas desde a infância. Dessa forma, o complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré permanece como cenário de histórias antigas e de novas memórias construídas por quem frequenta o espaço.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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