Levantamento reúne declarações de bens dos seis candidatos ao Governo de Rondônia em 2026 e compara, em valores nominais, a evolução informada à Justiça Eleitoral ao longo de disputas anteriores
Porto Velho, RO – Em eleição, candidato sorri, acena, promete, grava vídeo, abraça criança, visita feira, toma café de copo plástico e, de tempos em tempos, precisa fazer uma coisa menos poética: declarar patrimônio à Justiça Eleitoral. É aí que a campanha, tão acostumada ao discurso, encontra a planilha. No caso da disputa pelo Governo de Rondônia em 2026, os seis candidatos informaram, juntos, R$ 41.290.890,36 em bens.
O levantamento reúne as declarações de bens apresentadas por Samuel Costa, Hildon Chaves, Marcos Rogério, Adaílton Fúria, Pedro Abib e Expedito Netto. A proposta é menos adivinhar riqueza real e mais observar o movimento: quem cresceu, quem encolheu, quem apareceu pela primeira vez na base consultada e quem transformou a declaração de patrimônio numa espécie de gráfico biográfico.
O patrimônio em movimento
Uma leitura visual das declarações de bens dos seis candidatos ao Governo de Rondônia — e de como os valores informados à Justiça Eleitoral mudaram a cada disputa.
O que salta aos olhos
Comparações nominais, sem correção pela inflação.
Do maior ao menor patrimônio
Barras em escala linear
Explore cada evolução
Como ler os números
Os valores são nominais: reproduzem o que cada candidatura informou à Justiça Eleitoral em cada ano e não equivalem, necessariamente, ao valor de mercado atual. Por isso, a variação não representa sozinha ganho ou perda econômica real.
A base utilizada é a declaração de bens de 2026 e, para eleições anteriores, o histórico público de candidaturas do TSE/DivulgaCand. Pedro Abib aparece apenas em 2026 porque o histórico anterior vinculado à candidatura não estava disponível com segurança na consulta utilizada.
O primeiro lugar, sem suspense, é de Hildon Chaves. Em 2026, ele declarou R$ 30.330.625,02, valor que o coloca muito à frente dos demais candidatos no ranking patrimonial. A distância é grande o bastante para fazer a barra do infográfico virar quase uma avenida, enquanto as outras parecem ruas laterais.
Hildon também aparece como o dono do maior aumento nominal da série. Entre 2016 e 2026, o patrimônio declarado por ele subiu cerca de R$ 19,1 milhões. Em 2016, quando disputou a Prefeitura de Porto Velho pelo PSDB, declarou R$ 11.261.219,90. Em 2020, ainda pelo PSDB, informou R$ 20.357.001,50. Agora, na disputa pelo Governo pelo União Brasil, chegou aos R$ 30,3 milhões.
No segundo lugar do ranking de 2026 está Samuel Costa, do PSB, com R$ 3.631.297,68 declarados. Ele não lidera em valor absoluto, mas ocupa outro posto chamativo: o de maior alta percentual comparável. Entre 2020 e 2026, a evolução nominal foi de 2.367,7%, segundo o levantamento.
A curva de Samuel começa praticamente no chão. Em 2014, quando concorreu a deputado estadual pelo PT do B, declarou patrimônio zerado. Em 2020, como candidato a prefeito pelo PC do B, informou R$ 147.154,89. Em 2022, na disputa para deputado federal, declarou R$ 510.500,00. Em 2024, já pela Rede, o valor chegou a R$ 2.217.418,54. Em 2026, como candidato ao Governo pelo PSB, passou para R$ 3.631.297,68.
Pedro Abib, do MDB, aparece em terceiro no ranking de 2026, com R$ 2.936.485,00. No caso dele, o infográfico faz uma ressalva importante: a base utilizada apresenta apenas a declaração de 2026, porque é sua primeira candidatura. Em outras palavras, Pedro entra no retrato com valor atual, mas sem álbum de família patrimonial para comparação.
Marcos Rogério, do PL, vem na quarta posição, com R$ 2.376.169,92 declarados em 2026. A série dele mostra crescimento gradual ao longo das disputas. Em 2010, quando concorreu a deputado federal pelo PDT, declarou R$ 260 mil. Em 2014, novamente como candidato a deputado federal, informou R$ 733.005,50. Em 2018, na eleição ao Senado pelo DEM, declarou R$ 1.301.704,58. Em 2022, já pelo PL e candidato ao Governo, informou R$ 2.327.000,00. Em 2026, o valor ficou em R$ 2.376.169,92.
Adaílton Fúria, do PSD, ocupa o quinto lugar, com R$ 1.665.086,74. A trajetória dele também é de alta nominal. Em 2016, como candidato a prefeito pelo PRB, declarou R$ 280 mil. Em 2018, na disputa para deputado estadual pelo PSD, informou R$ 283.992,22. Em 2020, novamente candidato a prefeito, declarou R$ 684.103,56. Em 2024, o valor passou para R$ 1.591.074,34. Em 2026, chegou a R$ 1.665.086,74.
Na última posição do ranking de 2026 está Expedito Netto, do PT, com R$ 351.226,00. É dele também a única queda da série comparada no infográfico: redução nominal de 80,2% entre 2014 e 2026. Em 2014, quando concorreu a deputado federal pelo Solidariedade, declarou R$ 1.775.000,00. Em 2018, pelo PSD, informou R$ 88.550,63. Em 2022, também pelo PSD, declarou R$ 53.802,61. Em 2026, candidato ao Governo pelo PT, apresentou R$ 351.226,00.
A fotografia de 2026, do maior ao menor patrimônio, ficou assim: Hildon Chaves, com R$ 30.330.625,02; Samuel Costa, com R$ 3.631.297,68; Pedro Abib, com R$ 2.936.485,00; Marcos Rogério, com R$ 2.376.169,92; Adaílton Fúria, com R$ 1.665.086,74; e Expedito Netto, com R$ 351.226,00.
A escala ajuda a entender o tamanho da diferença. Hildon sozinho concentra mais de R$ 30 milhões dos R$ 41,2 milhões declarados pelos seis candidatos. Samuel, segundo colocado, tem pouco mais de R$ 3,6 milhões. Pedro Abib vem logo atrás, com R$ 2,9 milhões. Marcos Rogério passa dos R$ 2,3 milhões. Adaílton Fúria fica na casa de R$ 1,6 milhão. Expedito Netto fecha a lista, com pouco mais de R$ 351 mil.
As declarações também mostram patrimônios de naturezas bem diferentes. Samuel Costa informou veículos, apartamento, casa, terreno, prédio comercial, aplicações financeiras, dinheiro em espécie, participação em empresa de comunicação, sociedade individual de advocacia e propriedade rural em Canutama, no Amazonas. Hildon declarou imóveis, participações societárias, aplicações, créditos, bens no exterior e uma SW4.
Marcos Rogério declarou quotas de capital, aplicações de renda fixa, apartamentos em Porto Velho e Ji-Paraná, cartas de crédito, quota em cooperativa de crédito e VGBL. Adaílton Fúria informou participação em posto de combustíveis e vários terrenos, incluindo lotes urbanos, lote rural, prédio comercial e terrenos com casas residenciais. Pedro Abib declarou quotas empresariais, casa, empréstimos a terceiros, dinheiro disponível para investimento e veículo. Expedito Netto informou Ourocap, um jet ski com reboque e R$ 300 mil em disponibilidade de investimento.
O levantamento, em suma, mostra a evolução declarada, não uma perícia econômica sobre enriquecimento ou empobrecimento.
A base utilizada é a declaração de bens de 2026 e, para eleições anteriores, o histórico público de candidaturas do TSE/DivulgaCand.
AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)
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