Mediado por Fernando Pereira, encontro abriu espaço para jornalistas e comunicadores de diferentes veículos; Hildon Chaves não compareceu, enquanto Adailton Fúria, Samuel Costa, Expedito Netto, Marcos Rogério e Pedro Abib participaram
Porto Velho, RO – O último debate entre candidatos ao Governo de Rondônia antes do primeiro turno reuniu cinco dos seis concorrentes na sede da RedeTV!, em Porto Velho, e combinou perguntas da imprensa com confrontos diretos sobre administração pública, infraestrutura, saúde, apostas on-line e outros temas. Hildon Chaves (União Brasil) não compareceu. Participaram Adailton Fúria (PSD), Samuel Costa (PSB), Expedito Netto (PT), Marcos Rogério (PL) e Pedro Abib (MDB).
Promovido pelo Sistema Gurgacz de Comunicação (SGC) na quinta-feira, 1º de outubro, o encontro foi mediado pelo jornalista Fernando Pereira. A organização informou que mais de 50 veículos integraram a transmissão, que alcançou os 52 municípios do estado por diferentes plataformas.
A participação da imprensa foi uma das características do formato. Entre os profissionais que formularam perguntas estavam Adilson Honorato, pela Rede Rondônia de Rádios; Fábio Camilo, da Jovem Pan, com participação gravada; Eduardo Copanaxi, da Rádio Conecta FM; Leteliê Oliveira, do Humor Rondoniense; Juan Pantoja, do Eu Ideal; Arimar Souza de Sá, do Rondonotícias; Ivan Frazão, do Rondônia ao Vivo; e Rubens Coutinho, do Tudo Rondônia. A definição de quem perguntaria e de qual candidato responderia seguiu a dinâmica de sorteios estabelecida pela organização.
Na abertura, Fernando Pereira informou que todos os candidatos haviam sido convidados com antecedência e que as assessorias tinham confirmado presença e concordado com as regras. Diante da ausência de um participante, a organização ajustou a dinâmica para preservar a distribuição das participações. Mais tarde, Pedro Abib identificou nominalmente Hildon Chaves como o candidato ausente e criticou o não comparecimento. A avaliação sobre a ausência foi feita por Abib durante sua resposta.
O primeiro bloco foi destinado às apresentações. Adailton Fúria destacou sua trajetória desde os primeiros trabalhos ainda na infância, a passagem pela Câmara de Cacoal e pela Assembleia Legislativa e sua experiência como prefeito. Citou ações de sua administração, entre elas o Tarifa Zero e o Centro do Autista, e afirmou estar preparado para assumir o Governo do Estado.
Samuel Costa apresentou-se como professor, jornalista e advogado, ressaltou sua origem em Porto Velho e afirmou que não recebeu recursos do fundo eleitoral. Também voltou a mencionar decisões judiciais relacionadas à sua candidatura e dirigiu críticas aos grupos políticos que, segundo ele, exercem influência sobre o orçamento estadual.
Expedito Netto usou sua manifestação inicial para abordar racismo, feminicídio, violência contra crianças e religião. Ao defender uma leitura do cristianismo voltada às pessoas vulneráveis, declarou: “Jesus, se voltasse para cá, estaria do lado dos bêbados, estaria do lado da prostituta, estaria no lado dos mais necessitados”.
Marcos Rogério concentrou sua primeira intervenção nas contas estaduais. Reconheceu limitações na capacidade de investimento, mas rejeitou a afirmação de que o Estado estaria sem orçamento. Defendeu corte de despesas, revisão de contratos e redirecionamento de recursos para saúde e infraestrutura.
Pedro Abib apresentou sua trajetória em Rondônia desde 2004 e falou sobre atuação nas áreas de educação e inovação. Também mencionou violência contra a mulher e feminicídio e disse disputar o governo com a proposta de romper com práticas que associa à política tradicional.
As rodadas seguintes colocaram os candidatos diante de perguntas formuladas por rádios, páginas políticas e portais. Entre os assuntos abordados estiveram assistência social, pessoas em situação de rua, infraestrutura, garimpo no rio Madeira, pedágio da BR-364, saúde pública e a construção de novas unidades hospitalares. O modelo reservado aos veículos previa 45 segundos para a pergunta e dois minutos para a resposta.
Foi no confronto direto, porém, que ocorreu uma das trocas mais tensas. Pedro Abib iniciou uma pergunta a Adailton Fúria discutindo o princípio da impessoalidade na administração pública e o uso de dinheiro público para promoção pessoal. Antes que o projeto citado fosse identificado, Fúria defendeu sua administração em Cacoal, afirmou ter deixado a prefeitura sem responder a processos e comparou sua própria origem à do adversário.
Fúria disse que Abib vinha de uma família rica e reagiu à menção de sua antiga atividade com um carrinho de espetinho. “Lamento muito o senhor ter falado a questão do carrinho de espetinho, mas talvez se o senhor tivesse essa história de vida, talvez o senhor hoje poderia estar inclusive no segundo turno”, declarou.
Abib respondeu que respeitava a trajetória do adversário e então explicitou que falava do projeto “Fúria Sobre Rodas”. Segundo o candidato do MDB, a iniciativa levava o nome de Fúria e recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares. Ao perguntar diretamente se houve dinheiro público envolvido, ouviu do candidato do PSD uma resposta em tom de desafio.
“Candidato, se eu tiver recebido um centavo, eu renuncio hoje da minha candidatura”, afirmou Fúria.
Fúria disse que municípios receberam recursos para realizar eventos e contratar apresentações, citando o piloto Joaninha, mas afirmou que sua própria participação ocorreu gratuitamente. Também disse que prefeituras instalaram estruturas como alambrados para receber o público e reiterou que não recebeu pagamento relacionado às apresentações.
Após esse confronto, Fúria escolheu Samuel Costa e levou a discussão para as rodovias estaduais. Perguntou quais medidas seriam adotadas nos primeiros 100 dias de eventual governo e quais estradas receberiam pavimentação. Na resposta, Samuel relacionou a capacidade de investimento à estrutura de gastos do Estado e defendeu redução de privilégios no serviço público.
“Nós vamos cortar os privilégios dos super salários dos marajás no serviço público”, afirmou Samuel.
Fúria respondeu enumerando trechos rodoviários que, segundo ele, integram seu plano, com referências a regiões de Parecis, Alta Alegre, Alta Floresta, Novo Horizonte, Nova Brasilândia, Urupá, Mirante da Serra, Tarilândia, Alto Paraíso, Bom Futuro, Triunfo, Cujubim e Machadinho.
Samuel reagiu com uma provocação. “Se eu for governador, você vai ser meu diretor do Departamento de Estado e Rodagem. Você conhece muito bem nominalmente as rodovias do Estado”, declarou. Em seguida, retomou críticas aos chamados supersalários e à relação do Executivo com a Assembleia Legislativa.
Na rodada seguinte, Samuel escolheu Expedito Netto e formulou uma pergunta envolvendo neurodivergência, famílias atípicas, saúde mental e ludopatia relacionada às apostas on-line. Expedito classificou a pauta das famílias neurodivergentes como importante e direcionou parte de sua resposta aos efeitos das bets sobre famílias e esporte.
Samuel defendeu a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial e dos Centros de Atenção Psicossocial. “Depressão não é frescura, é um problema de saúde pública a qual o governo do Estado não pode eximir-se da sua função social”, disse. Também propôs unidades do CAPS funcionando 24 horas por dia, durante toda a semana. Expedito concordou com a necessidade de ampliar a assistência e voltou a criticar os jogos de azar on-line.
O confronto final colocou Expedito Netto frente a frente com Marcos Rogério. O candidato do PT levou a discussão para acusações relacionadas a corrupção. Marcos Rogério negou as afirmações, classificou-as como “mentira” e “fake news” e tentou deslocar o debate para suas propostas de governo.
“Eu lamento, mas eu não vim aqui discutir fofoca”, declarou Marcos Rogério.
O candidato do PL passou então a tratar da saúde, defendendo descentralização do atendimento e maior utilização das estruturas municipais como apoio à rede estadual. Também apresentou propostas para construção de hospitais. Expedito insistiu no tema original durante a réplica e cobrou uma resposta direta. Houve manifestação do público, e a mediação pediu que a plateia não interferisse. Marcos reiterou a negativa na tréplica e voltou às propostas para a área da saúde.
Em outro momento do debate, Marcos Rogério afirmou que pretende construir um hospital de urgência em Porto Velho para substituir o João Paulo II. Disse haver R$ 70 milhões disponíveis e que buscaria recursos complementares junto à bancada. Também defendeu um Hospital de Traumas na região central do estado, com utilização de recursos do Detran.
Nas considerações finais, Pedro Abib relatou ter sido procurado, três meses antes, por representantes de uma empresa transnacional interessada em mineração em Rondônia. Segundo sua versão, teria sido oferecido apoio à campanha em troca do controle de três secretarias. O candidato não identificou a empresa.
“Eu mandei eles correr daqui, Fúria. Eu não me vendi, eu não vou ser governado por ninguém”, afirmou Abib.
Fúria encerrou destacando ações de sua administração em Cacoal e contrapondo seu perfil ao de políticos ligados a Brasília. Samuel voltou às críticas aos supersalários e defendeu a criação de uma Universidade Estadual de Rondônia. Expedito reforçou sua ligação política com o presidente Lula, enquanto Marcos Rogério defendeu uma gestão articulada com os prefeitos dos 52 municípios.
O debate ocorreu a três dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para domingo, 4 de outubro.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





