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PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

MPRO reforça ações contra incêndios florestais e amplia prevenção em Rondônia

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Estratégia reúne mais de 20 instituições, prevê monitoramento regional da fumaça, capacitação de brigadistas e manejo integrado do fogo diante do período de estiagem.

Por Yan Simon - quinta-feira, 20/08/2026 - 08h11

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Porto Velho, RO – A possibilidade de a fumaça produzida por incêndios em outras áreas da Amazônia atingir Rondônia colocou o monitoramento regional entre as prioridades das instituições envolvidas na prevenção e no combate ao fogo. Correntes atmosféricas e a direção dos ventos podem transportar poluentes provenientes de queimadas registradas em estados como Amazonas e Mato Grosso, afetando a qualidade do ar em território rondoniense mesmo quando os focos estão fora das divisas estaduais.

O cenário foi discutido durante a 9ª reunião estratégica do Comitê Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (CEPCIF), realizada na terça-feira (18), no Centro de Treinamento Operacional do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO), em Porto Velho. Mais de 20 instituições estaduais, federais e ligadas à segurança pública participaram do encontro.

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) esteve representado pela coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), promotora de Justiça Valéria Giumelli Canestrini, e pela assistente Thaylla Araújo dos Santos. A reunião foi destinada à análise das condições atuais, ao alinhamento das iniciativas preventivas e à definição das estratégias que poderão ser adotadas em caso de aumento das ocorrências.

Projeções relacionadas à estiagem e aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño também foram apresentadas. Entre as preocupações está o risco de intensificação dos incêndios florestais e, consequentemente, de danos ambientais e sociais em diferentes regiões da Amazônia.

Por causa dessa dinâmica, o acompanhamento não deve ficar restrito aos focos de calor registrados em Rondônia. Grandes volumes de fumaça podem percorrer longas distâncias e elevar a concentração de material particulado no ar. Dependendo da intensidade, o quadro pode exigir medidas do poder público voltadas à proteção da saúde da população.

Entre as providências adotadas no Estado está a ampliação das equipes preparadas para atuar diretamente nas ocorrências. O Corpo de Bombeiros já capacitou 1.564 brigadistas em Rondônia, sendo 405 indígenas. A formação busca aumentar a capacidade de resposta nos primeiros momentos de um incêndio, período considerado decisivo para impedir que as chamas avancem sobre áreas de vegetação, comunidades e unidades de conservação.

Outra frente preventiva envolve o Manejo Integrado do Fogo (MIF), desenvolvido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) em parceria com o Corpo de Bombeiros. As ações alcançaram o Parque Estadual Guajará-Mirim, a Estação Ecológica de Samuel, a Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá e a Reserva Extrativista Pedras Negras.

A técnica utiliza planejamento e emprego controlado do fogo conforme as características ambientais e sociais de cada território. Uma das finalidades é diminuir o volume de material combustível disponível, reduzindo as condições para o surgimento de incêndios de grande intensidade e de difícil controle.

O acompanhamento realizado pelo MPRO nesse campo ocorre desde 2024, quando Rondônia enfrentou eventos ambientais considerados críticos. O trabalho teve continuidade em 2025 e foi mantido em 2026 com planejamento antecipado, monitoramento e articulação entre as instituições diante das condições previstas para o período de estiagem.

De acordo com a coordenadora do Gaema, Valéria Giumelli Canestrini, a experiência acumulada desde 2024 mostrou a necessidade de executar as medidas preventivas antes que as ocorrências se transformem em situações de emergência. A estratégia envolve planejamento, inteligência, acompanhamento permanente e integração dos órgãos responsáveis. A promotora também destacou que a cooperação permite acelerar a resposta a incêndios cujos efeitos ultrapassam as fronteiras estaduais, incluindo aqueles capazes de comprometer a qualidade do ar.

A presença do MPRO no CEPCIF também permite acompanhar as providências executadas pelo poder público e manter a articulação entre os órgãos envolvidos no enfrentamento aos incêndios florestais. As medidas são direcionadas à redução dos impactos sobre a biodiversidade, unidades de conservação, comunidades e população exposta à fumaça.

Além das ações institucionais, os órgãos reforçam que a população deve evitar qualquer uso irregular do fogo em áreas de vegetação, inclusive para queima de lixo, limpeza de terrenos ou roçadas. Bitucas de cigarro também não devem ser descartadas em locais com vegetação seca. A orientação é denunciar focos de incêndio e apoiar iniciativas, projetos e brigadas voltados à preservação ambiental.

Ocorrências podem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, à Polícia Militar pelo 190, à Linha Verde do Ibama pelo 0800 647 0120 e à Sedam pelo número (69) 3217-2112.

A atuação integrada pretende ainda contribuir para o cumprimento do artigo 225 da Constituição Federal, que assegura o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e estabelece o dever de preservá-lo para as atuais e futuras gerações.

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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