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VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO

Neidinha Suruí leva ao MP relato de possível violência política de gênero e aponta atos atribuídos a João Campos

Neidinha Suruí leva ao MP relato de possível violência política de gênero e aponta atos atribuídos a João Campos
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Candidata ao Senado foi chamada para contar, passo a passo, como sua candidatura foi atingida por decisões do PSB; Ministério Público quer mensagens, vídeos, testemunhas e detalhes sobre eventual tratamento diferente dentro do partido

Por Yan Simon - sexta-feira, 21/08/2026 - 13h44

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Porto Velho, RO – O Ministério Público Eleitoral abriu uma apuração para entender o que aconteceu nos bastidores do PSB e como decisões internas do partido atingiram a candidatura de Neidinha Suruí ao Senado por Rondônia. Nesta sexta-feira (21), ela foi chamada ao 20º Ofício Eleitoral de Porto Velho para prestar depoimento e detalhar a denúncia de possível violência política de gênero.

No relato apresentado ao Ministério Público, Neidinha atribui a João Campos, presidente nacional do PSB e candidato ao Governo de Pernambuco, participação nos atos partidários que teriam levado à tentativa de retirada de sua candidatura. A acusação parte da candidata e agora será examinada pelo órgão eleitoral. Até o momento, não existe conclusão sobre a ocorrência de crime ou responsabilidade de qualquer pessoa.

A própria notificação é cuidadosa nesse ponto. O documento afirma expressamente que a apuração é preliminar e que o depoimento servirá para esclarecer os fatos, sem considerar previamente que houve ilícito ou que alguém seja responsável por ele.

Na prática, o Ministério Público quer reconstruir toda a história.

Neidinha deverá explicar como foi escolhida em convenção partidária para disputar o Senado, o que aconteceu depois disso e quando soube das decisões que afetaram sua candidatura. Entre os pontos que chamaram a atenção do MP está a Resolução CEN nº 003/2026, documento da direção nacional do PSB mencionado diretamente na notificação.

O órgão também quer saber com quem Neidinha conversou sobre sua candidatura e exatamente o que foi dito nessas conversas.

Outro ponto vai direto ao centro da denúncia: ela foi chamada a informar se sofreu algum tipo de constrangimento, humilhação, perseguição, ameaça, menosprezo ou discriminação relacionada ao fato de ser mulher, à sua cor, raça, etnia ou ao pertencimento indígena. Caso relate algum episódio desse tipo, deverá apontar quem teria praticado a conduta e, sempre que possível, quando ocorreu, onde aconteceu, por qual meio e quem presenciou.

O Ministério Público quer ainda saber se, na percepção de Neidinha, alguma dessas condutas teria sido usada para impedir ou dificultar sua candidatura ou sua campanha.

Há uma pergunta particularmente relevante na notificação: o MP quer saber se Neidinha recebeu tratamento diferente daquele dado a outras candidaturas que estavam em situação semelhante dentro do partido. Também serão avaliados os efeitos concretos que as decisões partidárias tiveram sobre a campanha ao Senado.

A investigação não ficará restrita à palavra da candidata.

Neidinha foi orientada a apresentar testemunhas e todo material que possa ajudar a esclarecer o episódio. Isso inclui documentos, conversas, gravações, vídeos, publicações e outros arquivos relacionados aos fatos. O Ministério Público pediu inclusive que os arquivos originais sejam preservados, sempre que possível, com as informações técnicas que permitem verificar sua origem e integridade.

A advogada Aline Coutinho Albuquerque Gomes Leon, que apresentou a representação e acompanha Neidinha, também poderá explicar fatos que tenha presenciado diretamente e esclarecer a documentação entregue. O MP faz uma separação importante: a advogada deverá deixar claro aquilo que viu pessoalmente e aquilo que soube por Neidinha ou por outras pessoas.

O depoimento foi marcado para as 9h desta sexta-feira, na sede do Ministério Público do Estado de Rondônia, em Porto Velho. A notificação informa que o encontro já havia sido combinado anteriormente por WhatsApp com a advogada da candidata.

O documento também determina cuidado especial com a exposição de Neidinha. Dados pessoais, conversas privadas e informações que não tenham relação direta com a investigação deverão ser preservados, e o procedimento deverá evitar situações que possam submetê-la novamente a constrangimentos relacionados aos fatos denunciados.

A apuração tramita como Notícia de Fato nº 2026.0001.012.78681 e tem como foco, neste momento, descobrir exatamente como as decisões partidárias foram tomadas, quem participou delas, como chegaram até Neidinha e se houve algum componente relacionado à condição de mulher ou ao pertencimento indígena da candidata.

Ou seja: o Ministério Público ainda não está dizendo que houve violência política de gênero. Está reunindo as peças para saber se houve.

E é justamente por isso que o depoimento de Neidinha, as comunicações internas, a Resolução CEN nº 003/2026, eventuais testemunhas e os arquivos entregues pela defesa passam a ocupar o centro da apuração.

Com informações de: Ministério Público de Rondônia

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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