Cerimônia gratuita contou com tradução simultânea para língua do tronco Tupi-mondé e terminou com a entrega das certidões aos recém-casados
Porto Velho, RO – Vinte e três casais indígenas receberam gratuitamente as certidões de casamento após oficializarem a união durante uma cerimônia realizada na Aldeia Central do povo Cinta Larga, em Rondônia. A celebração ocorreu no dia 21 de agosto e foi promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJRO), por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).
A solenidade buscou aproximar os procedimentos previstos pela legislação civil das tradições mantidas pela comunidade. Para garantir a compreensão dos participantes, o cerimonial teve tradução simultânea para o idioma utilizado pelo povo Cinta Larga, pertencente ao tronco linguístico Tupi-mondé.
O barracão principal da aldeia recebeu ornamentação feita com folhas, flores e frutos encontrados na região. Ao entrarem no espaço da cerimônia, os casais foram acompanhados por músicas tradicionais. Jovens e anciãos também participaram da programação com apresentações de danças indígenas.
Compuseram o dispositivo de honra o presidente do Nupemec, desembargador Antonio Robles, o cacique Daniel Cinta Larga, o chefe da Unidade Técnica da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Gilliard Carneiro, e o pastor da igreja da comunidade, Célio Cinta Larga.
Durante a solenidade, Antonio Robles afirmou que a atuação da Justiça em comunidades mais distantes deve considerar as características culturais de cada população. O magistrado ressaltou ainda que a iniciativa contribui para ampliar o acesso à cidadania, assegurar direitos às famílias e preservar manifestações culturais indígenas.
O cacique Daniel Cinta Larga também destacou a importância da presença do poder público na comunidade. Segundo ele, o atendimento representa o reconhecimento de que os povos indígenas devem ter acesso aos mesmos direitos e garantias assegurados aos demais cidadãos. Daniel ainda falou sobre a preservação da história, da cultura e do território do povo Cinta Larga diante das situações de preconceito enfrentadas pela comunidade.
Entre os participantes estava o professor Hugo Cinta Larga, que vive há 13 anos com a esposa, integrante da etnia Zoró. Para ele, a realização do casamento e a presença dos serviços da Justiça Rápida facilitaram o acesso das famílias da região à regularização das uniões.
A programação também reservou espaço para manifestações de fé. O pastor Célio Cinta Larga acompanhou a celebração e destacou o significado do momento para a comunidade. “Ver esses casais regularizarem a sua situação com alegria e fé é uma bênção para toda a aldeia”, afirmou.
Depois da formalização dos casamentos, os casais receberam os documentos, trocaram alianças e participaram do tradicional beijo após a cerimônia. A comemoração continuou com músicas e danças típicas e foi encerrada com um jantar comunitário no barracão, reunindo familiares, moradores e convidados.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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