Ex-prefeito de Porto Velho afirmou que entregaria novo João Paulo II em dois anos e meio, criticou administração estadual e detalhou propostas para saúde, educação, regularização fundiária e produção rural
Porto Velho, RO – A discussão sobre capacidade de gestão marcou a sabatina de Hildon Chaves no Bora Rondônia, da Rondovisão TV, afiliada da Band TV em Rondônia. Candidato ao Governo pelo União Brasil, o ex-prefeito de Porto Velho usou resultados que atribui aos oito anos à frente da capital para defender sua candidatura, criticou setores da atual administração estadual e protagonizou um dos momentos mais incisivos da entrevista ao rejeitar o prazo de construção de um novo hospital atribuído a Fúria.
Entrevistado por Marcelo Reis, Hildon disse ter construído duas carreiras paralelas antes de entrar definitivamente na política: uma de 21 anos como promotor de Justiça e outra de 25 anos na iniciativa privada, com atuação no setor educacional.
Ao avaliar a situação de Rondônia, afirmou que o Estado possui grandes potencialidades, mas enfrenta dificuldades que atribui principalmente à gestão. O argumento foi repetido ao longo de praticamente todos os temas da entrevista.
“A Rondônia é maravilhosa, mas tudo na vida precisa de gestão”, afirmou.
Hildon questionou candidaturas ao Executivo formadas por pessoas sem experiência administrativa e comparou o Governo de Rondônia a uma grande empresa pela dimensão de sua estrutura e de suas responsabilidades.
Quando Marcelo Reis perguntou se o modelo empregado na Prefeitura poderia ser transportado para o Governo, Hildon apontou combate à corrupção e gestão de qualidade como os dois pilares de sua proposta.
O candidato afirmou ter realizado 820 quilômetros de pavimentação urbana durante os dois mandatos e recuperado mais de 7 mil quilômetros de estradas vicinais. Em comparação apresentada por ele, prefeitos anteriores teriam executado historicamente cerca de 40 quilômetros de asfalto por mandato.
“Então, Marcelo, o problema não é falta de dinheiro”, sustentou.
Questionado sobre a capacidade de atender às necessidades de todo o Estado diante de um orçamento que Marcelo Reis estimou em aproximadamente R$ 19 bilhões, Hildon respondeu que considera a tarefa possível. Citou a pavimentação e a construção da rodoviária de Porto Velho como demonstrações de sua capacidade de execução.
Foi durante essa discussão que o candidato anunciou o compromisso de entregar um novo Hospital João Paulo II em dois anos e meio se chegar ao Governo.
Em seguida, Hildon elevou o tom ao comentar uma promessa atribuída ao ex-prefeito Fúria de concluir a unidade em um ano e quatro meses.
“Papel aceita tudo. É isso que a população do país não aguenta mais. Mentiras”, disse.
Hildon foi taxativo ao afirmar que não considera possível executar a obra nesse período: “Não tem como fazer um hospital em um ano e quatro meses. Não tem como.”
A entrevista avançou então para a situação geral da saúde. O candidato disse que os problemas não se restringem ao João Paulo II e defendeu uma reorganização regional do atendimento para evitar que moradores de municípios distantes precisem viajar até Porto Velho para procedimentos simples.
Hildon relatou uma situação que afirmou ter encontrado em uma visita a Cabixi. Segundo ele, uma mulher com um besouro no ouvido teria sido transportada aproximadamente mil quilômetros de ambulância até a capital e esperado até o dia seguinte para um procedimento que teria levado apenas dois minutos.
Para o candidato, episódios desse tipo mostram falhas na distribuição da estrutura de saúde. Ele defendeu parcerias com municípios e maior participação financeira do Estado.
Hildon também criticou a demora por exames de imagem, classificando a espera prolongada como “fila da vergonha”.
“Não faz sentido alguém esperar um, dois, três, quatro, cinco anos para um simples exame de imagem”, declarou.
Ao associar escassez de recursos a corrupção ou incompetência, Hildon posteriormente registrou uma ressalva: “Não estou a dizer que tenha corrupção, mas isso é histórico.” A crítica direta do candidato à atual administração ficou concentrada principalmente na alegada falta de gestão.
Na educação, Hildon afirmou que pretende repetir políticas aplicadas durante os dois mandatos na capital. Ele declarou que Porto Velho tinha apenas 30 crianças alfabetizadas na idade adequada em cada grupo de 100 quando assumiu e que o indicador alcançou 95 de cada 100 ao final de sua passagem pela Prefeitura.
Segundo Hildon, o resultado teria levado Porto Velho ao quinto lugar no indicador citado por ele, depois de anos entre as últimas posições.
O candidato também afirmou que o município financiou a formação de 400 mestres e 100 doutores e criou premiações para professores que se destacavam profissionalmente.
A sabatina ainda abordou desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Hildon afirmou que parte dos problemas fundiários de Rondônia tem origem em 1982, quando o Estado foi criado e, segundo ele, terras pertencentes à União que deveriam ter sido transferidas permaneceram sob domínio federal.
O candidato disse que pretende buscar uma atuação conjunta com a bancada federal para solucionar a questão e mencionou Amapá e Roraima como estados que teriam conseguido avançar em situações semelhantes.
Hildon informou ainda ter visitado 43 dos 52 municípios de Rondônia e disse que pretende chegar a todos até o fim da campanha.
Ao falar da agricultura familiar, relatou uma reunião com a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia na qual teria sido informado sobre recursos de até R$ 40 mil a fundo perdido. O candidato responsabilizou a falta de iniciativa administrativa pela baixa utilização dessas possibilidades.
“Porque não tem um técnico desse governo atual que levante-se da cadeira e vá buscar o que é de direito dos nossos produtores”, declarou.
Outro tema foi a cadeia leiteira. Hildon disse que Rondônia já produziu aproximadamente 4 milhões de litros de leite diariamente e que atualmente o volume estaria próximo de 1,4 milhão a 1,5 milhão de litros.
O candidato também questionou regras relacionadas à entrada e regularização de leite estrangeiro em Guajará-Mirim. Segundo ele, mudanças na sistemática poderiam gerar receitas superiores a R$ 1 bilhão para o Estado e municípios, em comparação com aproximadamente R$ 180 milhões que atribuiu ao modelo atual.
Na reta final, Marcelo Reis perguntou por que o eleitor deveria escolhê-lo. Hildon respondeu citando sua experiência administrativa e a parceria com Mariana Carvalho, candidata ao Senado. Também fez referência positiva ao ex-senador Acir Gurgacz, a quem classificou como um parlamentar com capacidade operacional, e mencionou Aída Chaves entre os nomes da disputa proporcional.
Entre críticas ao governo atual, números apresentados sobre sua administração municipal e promessas para um eventual mandato estadual, Hildon encerrou a sabatina apostando na experiência como principal argumento para chegar ao Palácio Rio Madeira.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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