Marco celebrado em setembro resgata a viagem iniciada em 1976, a conquista da terra própria e a participação da família na formação de municípios da região
Porto Velho, RO – Cinco décadas depois de deixar o Paraná em busca de uma terra própria, a família Donadon relembra neste mês de setembro uma trajetória construída no Cone Sul de Rondônia. O período também marca uma celebração particular: dona Delfina Donadon, matriarca da família, completa 89 anos nesta quarta-feira, 2 de setembro.
A história começou em 1976, quando Marcos Donadon deixou Porecatu, no norte do Paraná, acompanhado da esposa, Delfina, do pai, Antônio Donadon, e dos dez filhos do casal — cinco homens e cinco mulheres, todos ainda crianças ou adolescentes.
A mudança foi motivada pela possibilidade de conquistar uma propriedade rural, objetivo considerado difícil de alcançar na região onde a família vivia. Para iniciar a nova etapa, os Donadon atravessaram o país em uma Kombi que transportava 13 pessoas.
Depois de chegar a Cuiabá, o grupo ainda precisou enfrentar mais de uma semana de viagem até Vilhena. O trecho de aproximadamente 700 quilômetros, que atualmente pode ser percorrido em menos de 12 horas, exigia muito mais tempo naquele período por causa das estradas de terra e areia.
Entre as lembranças preservadas daquela viagem está um passageiro incomum: um pombo levado pela família durante o percurso. Natan Donadon, um dos dez filhos e ainda criança na época, guarda o episódio como uma das recordações bem-humoradas da mudança para Rondônia.
A chegada a Vilhena deu início a um período de adaptação. Posteriormente, a família seguiu para Colorado do Oeste e depois para Cerejeiras, onde recebeu um sítio com 42 hectares. Era a propriedade buscada desde a saída do Paraná e que seria ampliada ao longo dos anos.
Dona Delfina recorda que os primeiros tempos foram marcados por dificuldades. Durante a permanência em Vilhena, antes da mudança definitiva para o sítio, os filhos trabalhavam como engraxates, enquanto ela lavava roupas no rio.
“Naquela época, era muito difícil, mas nós tínhamos um sonho: chegar aqui e conseguir nossa terra”, relembra.
Segundo a matriarca, a jornada envolveu estradas de areia, atoleiros, episódios de malária e os desafios de cuidar dos filhos pequenos. Depois vieram o trabalho na propriedade, o plantio e a construção da vida familiar em Rondônia.
“Hoje, olhando para tudo o que nossos filhos construíram, vejo que valeu a pena. E, acima de tudo, sempre tivemos Deus e a fé para nos dar força”, afirmou Delfina.
A trajetória da família também passou pela vida pública do Cone Sul. Em Cerejeiras, Marcos Donadon foi nomeado administrador pelo então governador Jorge Teixeira e participou dos primeiros anos de organização do município.
Mais tarde, Marcos foi eleito o primeiro prefeito de Colorado do Oeste. Ele assumiu a administração municipal em 6 de outubro de 1983 e permaneceu no cargo até 31 de dezembro de 1988, período em que a cidade ainda se encontrava em fase inicial de estruturação.
Para Natan Donadon, os 50 anos representam a ligação construída pela família com Rondônia ao longo das décadas. Ele afirma que a trajetória iniciada pelos pais permanece como referência para os filhos.
“Tenho muito orgulho dessa terra e de tudo o que minha família construiu aqui. Trabalhei para trazer recursos para Rondônia, e o que eu puder fazer pelo crescimento do nosso estado, eu farei”, declarou.
Ao completar meio século desde a chegada ao estado, os Donadon reúnem lembranças de uma mudança marcada pela busca por terra, pelas dificuldades dos primeiros anos e pela participação da família na formação de comunidades do Cone Sul de Rondônia.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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