Candidato ao Governo critica contrato previsto por 35 anos e marcado para 29 de setembro na Bolsa de Valores de São Paulo; ex-prefeito cobra maior debate público e compara processo à concessão da BR-364
Porto Velho, RO – O cronograma para a concessão dos serviços relacionados à Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia entrou no centro das críticas de Hildon Chaves, candidato ao Governo pela Federação União Progressista, durante debate promovido pela Rema TV. O ex-prefeito de Porto Velho questionou principalmente a realização do leilão no dia 29 de setembro, às vésperas das eleições de 2026.
O certame está previsto para ocorrer na Bolsa de Valores de São Paulo, envolve R$ 8,47 bilhões e estabelece contrato com duração de 35 anos. Para Hildon, uma decisão dessa dimensão deveria ser precedida de maior discussão pública, especialmente por atingir uma área que considera historicamente problemática em Rondônia.
“Há décadas que a população da capital e de todo o Estado sofre com a falta de saneamento básico, mas fazer essa privatização na mesma semana da eleição, sem um grande debate público, revela que existe algo de muito podre em toda essa história”, declarou.
Ao abordar o assunto, o candidato também estabeleceu uma comparação com a BR-364. Hildon tem utilizado a concessão da rodovia como exemplo de uma decisão cujos impactos, em sua avaliação, precisam ser considerados antes da definição do futuro dos serviços de água e esgoto.
“Será que o Governo do Estado quer repetir o mesmo erro trágico da BR-364?”, questionou.
O principal ponto levantado por Hildon não foi apenas o modelo adotado para o saneamento, mas o momento em que o processo está sendo conduzido. Segundo o candidato, causa estranheza que uma medida dessa dimensão avance perto do encerramento do atual ciclo de governo e em pleno período eleitoral.
“É muito estranha toda essa pressa repentina do Governo do Estado em realizar o leilão da CAERD”, afirmou.
Durante o debate, Hildon argumentou que decisões envolvendo contratos de longo prazo precisam ser discutidas antes que seus efeitos se tornem definitivos. O candidato voltou a mencionar a BR-364 para sustentar que eventuais questionamentos posteriores podem ocorrer quando o processo já estiver consolidado.
“Estamos vendo a privatização da BR-364 se repetir diante dos nossos olhos e ninguém fala nada; mas depois da eleição, quando a ficha cair, vai ser tarde demais”, declarou.
Hildon também questionou por que a discussão avançou justamente na etapa final da atual administração estadual. Segundo ele, o assunto não recebeu o mesmo tratamento durante a maior parte dos últimos oito anos.
“O meu questionamento é que todo esse movimento ocorra justamente no apagar das luzes, depois de atravessar praticamente todos os oito anos de mandato sem tocar no assunto”, afirmou.
O candidato sustentou ainda que a proximidade entre o leilão e a votação aumenta a necessidade de esclarecimentos sobre o processo e seus impactos futuros.
“O Governo tomar uma decisão dessa importância, com todos os problemas que estão aparecendo, com o Estado literalmente falido, não tem como não achar estranho”, declarou Hildon.
Ao levar o tema para o debate eleitoral, o ex-prefeito colocou o futuro da CAERD e dos serviços de saneamento entre os assuntos sobre os quais pretende cobrar posicionamento dos demais candidatos e do atual Governo de Rondônia.
“Depois não adianta aparecer na TV e dizer que era contra”, concluiu.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





