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Debate da Rema TV expõe virtudes, fragilidades e diferenças entre os candidatos ao Governo de Rondônia

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Sob a mediação do jornalista Cleidson Silva, os seis concorrentes apresentaram propostas, revisitaram trajetórias e protagonizaram confrontos sobre saúde, segurança, funcionalismo, Caerd, agronegócio e aplicação de recursos públicos

Por Informa Rondônia - quarta-feira, 02/09/2026 - 11h29

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O debate promovido pela Rema TV, sob a mediação do jornalista Cleidson Silva, permitiu que Hildon Chaves, Pedro Abib, Expedito Netto, Adailton Fúria, Samuel Costa e Marcos Rogério fossem além das peças ensaiadas da propaganda eleitoral. Houve propostas concretas, respostas desconfortáveis, desvios de assunto e ataques que, em alguns casos, produziram mais calor do que esclarecimento. Sem fabricar um vencedor, a análise possível passa por três altos e três baixos de cada candidatura.

Hildon Chaves teve como primeiro ponto alto a insistência na experiência administrativa adquirida em Porto Velho, usada para sustentar a promessa de um choque de gestão no Estado. O segundo foi a posição contrária à realização do leilão da Caerd no fim do governo e a poucos dias do primeiro turno. O terceiro apareceu quando assumiu compromissos mensuráveis, como entregar o novo Hospital João Paulo II em dois anos e meio. Nos baixos, o primeiro veio no confronto com Samuel Costa sobre concursos públicos. Ao afirmar “Não fiz concurso e não fez falta”, Hildon abriu uma avenida para a crítica de que sua gestão teria recorrido a processos seletivos sem fortalecer o quadro permanente. O segundo foi a repetição excessiva da fórmula baseada em gestão e combate à corrupção, muitas vezes sem detalhar o caminho operacional. O terceiro apareceu na resposta à pergunta da CDL sobre segurança: o diagnóstico foi amplo, mas as medidas imediatas para proteger comerciantes e moradores ficaram diluídas numa abordagem macroeconômica.

Debate REMA TV · 1º de setembro

O que cada candidato também propôs

Por trás dos confrontos, seis candidaturas detalharam escolhas sobre saúde, campo, segurança, saneamento, servidores, ciência e infraestrutura.
6
candidatos ao Governo de Rondônia
24
posições e compromissos destacados
4
pontos substantivos por candidatura
Mapa rápido

Seis caminhos colocados na mesa

Pedro Abib
Regularização fundiária, prevenção no trânsito e políticas guiadas por dados.
Expedito Netto
Quadro efetivo, crédito rural e articulação com o Governo Federal.
Adailton Fúria
Hospital regional, titulação de terras e apoio operacional ao produtor.
Samuel Costa
Nova receita, universidade estadual e concurso público.
Marcos Rogério
Reforço policial, saúde regionalizada e alternativa à BR-364.
Hildon Chaves
Choque de gestão, saneamento e recomposição da segurança.
01
Pedro Abib

Terra, prevenção e ciência

Abib apresentou a regularização fundiária como engrenagem econômica e vinculou eficiência administrativa à aproximação entre governo, universidade e pesquisadores.
Governança fundiária
Defendeu tratar a titulação e o Cadastro Ambiental Rural como modelo econômico, porque a propriedade regularizada amplia o acesso do produtor ao crédito.
CAR com tecnologia
Afirmou que havia 6.550 cadastros ambientais rurais e que 21% tinham sido analisados; prometeu processamento com tecnologia e em tempo adequado.
Trânsito antes do trauma
Sustentou que construir outro hospital não resolve a origem da demanda se o currículo escolar não incorporar educação de trânsito e prevenção de acidentes.
Política pública baseada em dados
Prometeu aproximar academia e pesquisadores do governo e afirmou que, a partir de janeiro, as políticas seriam formuladas com diagnóstico, dados e ciência.
“A regularização fundiária e a análise de CAR vão ser com tecnologia e em tempo certo.”
02
Expedito Netto

Servidor, crédito e produção

Netto combinou defesa do quadro permanente com financiamento ao campo e uma estratégia de desenvolvimento apoiada na interlocução com Brasília.
Sem temporários como regra
Disse que não usaria contratos temporários nem processos seletivos em saúde e educação e rejeitou indicações políticas para preencher o governo.
Concurso e carreira
Comparou processo seletivo a “casa alugada” e concurso público a “casa própria”, defendendo investimento na preparação do servidor efetivo.
Crédito rural estadual
Prometeu criar crédito para pequenos, médios e grandes produtores, com atenção especial aos 78% que identificou como agricultura familiar.
Valor agregado
Defendeu industrializar a produção e citou pescado, exportações, feiras e abertura de mercados como caminhos para gerar emprego e renda no Estado.
“Processo seletivo é casa alugada. Concurso público é casa própria.”
03
Adailton Fúria

Regionalização e apoio ao campo

Fúria apresentou medidas para deslocar serviços estaduais ao centro do Estado e ampliar a capacidade operacional de municípios e produtores.
Hospital de Ji-Paraná
Defendeu estadualizar o hospital municipal para reduzir a sobrecarga sobre Cacoal e Porto Velho e dar atendimento regional ao centro do Estado.
Regularização no Estado
Propôs trazer da União para Rondônia a responsabilidade pela regularização de áreas e prometeu atuar também em terrenos irregulares da capital com a prefeitura.
Hora-máquina e calcário
Prometeu levar máquinas e calcário às propriedades e usar a força do Estado para complementar o que as prefeituras não conseguem executar sozinhas.
Porteira Dentro
Apresentou o programa implantado em Cacoal, com hora-máquina gratuita, como referência para uma política estadual de apoio ao pequeno produtor.
“A descentralização verdadeira da saúde” inclui, para Fúria, a estadualização do hospital de Ji-Paraná.
04
Samuel Costa

Receita, direitos e universidade

Samuel detalhou fontes de financiamento, benefícios dirigidos à agricultura familiar e expansão do ensino público superior.
Novo João Paulo II
Propôs usar a obra próxima ao hospital, articular cooperação com a prefeitura e remanejar R$ 50 milhões da fonte 500, além de recursos citados do TCE e de emendas.
Tributação da soja
Defendeu cobrar imposto do setor para criar um fundo soberano destinado à manutenção de mais de 6 mil quilômetros de estradas estaduais que chamou de vicinais.
Isenção de IPVA
Prometeu isentar moto ou carro de agricultor familiar com faturamento anual de até R$ 200 mil, compensando a medida com tributação sobre grupos de maior renda.
Universidade Estadual
Disse que tiraria do papel uma universidade estadual para ampliar o acesso de trabalhadores ao ensino superior.
“Nós vamos tirar do papel a Universidade Estadual de Rondônia.”
05
Marcos Rogério

Segurança, saúde e conexão

Rogério detalhou recomposição de efetivos, atendimento médico regionalizado e uma alternativa rodoviária para reduzir a dependência da BR-364.
Recomposição policial
Prometeu convocar aprovados da Polícia Civil e da Polícia Científica e abrir concurso para a Polícia Militar, além de usar inteligência, integração e tecnologia.
Saúde perto de casa
Defendeu regionalizar exames, consultas e cirurgias e citou atendimentos financiados em Brasilândia, Jaru, Ouro Preto e Alvorada do Oeste.
Rodovia do Boi
Prometeu retomar trechos e executar cerca de 150 quilômetros de asfalto para construir uma rota alternativa do Cone Sul a Ouro Preto do Oeste.
Industrialização sem elevar imposto
Defendeu aumento zero de tributos e incentivo permanente para transformar soja, milho, café e cacau em produtos de maior valor agregado.
“Nós vamos convocar aqueles que estão aprovados no concurso da Polícia Civil, da Polícia Científica.”
06
Hildon Chaves

Contas, saneamento e efetivo

Hildon colocou a reorganização fiscal antes das promessas setoriais e expôs posições específicas sobre saneamento e contratação de servidores.
Choque de gestão primeiro
Afirmou que o Estado precisa reorganizar as finanças antes de executar propostas setoriais; sem essa etapa, classificou as demais promessas como “miragem”.
Água e esgoto
Apontou o saneamento como principal fator que derruba os indicadores de Porto Velho e estimou necessidade de R$ 3 bilhões a R$ 5 bilhões para enfrentar o problema.
Leilão da Caerd
Considerou inoportuna a realização do leilão no fim do governo e chamou atenção para a proximidade entre a data anunciada e o primeiro turno.
Concurso para soldados
Depois de reconhecer que não realizou concurso na Prefeitura, afirmou que a formação de policiais exige antecedência e que o concurso militar “tem que ser feito”.
“Primeiro, nós precisamos de um choque de gestão no Governo do Estado de Rondônia.”
Fonte: debate entre os candidatos ao Governo de Rondônia realizado pela REMA TV em 1º de setembro de 2026, sob mediação de Cleidson Silva. Números, diagnósticos, promessas e avaliações são atribuídos aos respectivos candidatos.

Pedro Abib teve como primeiro alto o uso constante de dados para organizar seus argumentos, sobretudo ao abordar mortalidade materna e infantil, regularização fundiária e educação. O segundo foi o modelo dos três “Is” para a segurança pública, baseado em integração, inteligência e investimento, conectando forças estaduais, federais e estruturas de fronteira. O terceiro foi a honestidade de reconhecer, já na tréplica, que não havia respondido diretamente à pergunta sobre policiais temporários. Nos baixos, justamente essa demora em enfrentar o ponto central foi o primeiro problema: a resposta começou tecnicamente bem, mas deixou a dúvida prática para o fim. O segundo foi o tom por vezes excessivamente professoral, com explicações longas que consumiram espaço sem necessariamente produzir uma conclusão simples. O terceiro foi transformar algumas intervenções em plataformas para novas acusações, como no embate com Fúria sobre o hospital de Cacoal, afastando-se do tema originalmente sorteado. Pedro mostrou preparo, mas nem sempre conseguiu converter conhecimento em síntese política.

Expedito Netto marcou seu primeiro alto ao traduzir a defesa do concurso público numa imagem fácil de compreender: “Na minha opinião, processo seletivo é casa alugada. Concurso público é casa própria.” O segundo foi assumir posição clara contra a substituição de servidores efetivos por temporários nas áreas essenciais. O terceiro apareceu quando recusou soluções mágicas para o preço das passagens aéreas e reconheceu que o problema exige articulação entre governos, bancada federal e empresas. Os baixos começaram nessa mesma discussão, porque Marcos Rogério devolveu o debate ao campo estadual ao apontar o ICMS como instrumento disponível ao governador, deixando Netto sem uma resposta local igualmente concreta. O segundo foi o uso repetitivo da ligação com Lula e do número 13, inclusive em momentos nos quais cabia aprofundar propostas. O terceiro foi a rigidez de prometer um governo sem temporários, seletivos ou indicações políticas sem demonstrar, naquele espaço, como preencher imediatamente as carências de pessoal e financiar a expansão do quadro efetivo.

Adailton Fúria teve como primeiro alto a capacidade de apresentar resultados e experiências de Cacoal como demonstração de prática administrativa, especialmente em saúde materno-infantil, agricultura familiar e realização de concurso público. O segundo foi defender a estadualização e descentralização dos atendimentos, citando Ji-Paraná, Cacoal e outras regiões que recebem pacientes do interior. O terceiro ocorreu no confronto com Samuel Costa sobre suposta coação de comissionados para balançar bandeiras. Fúria respondeu corretamente que, se houvesse coação, o fato deveria ser levado ao Ministério Público, em vez de permanecer como insinuação eleitoral. O maior baixo foi a acusação de que Marcos Rogério teria destinado R$ 14 milhões de emenda individual ao Museu da Bíblia em Brasília. Rogério obteve direito de resposta e afirmou ter destinado R$ 500 mil, enquanto os demais recursos teriam vindo de outros parlamentares. Fúria retomou o assunto, mas não resolveu a diferença entre os valores. O segundo baixo foi insistir nessa acusação até em perguntas dirigidas a Pedro Abib, desperdiçando tempo de outros temas. O terceiro foi recorrer excessivamente ao histórico de Cacoal como resposta para desafios estaduais, sem sempre demonstrar como a experiência municipal seria financiada e ampliada para os 52 municípios.

Samuel Costa teve como primeiro alto a disposição para colocar os adversários diante de contradições incômodas. Foi dele a cobrança que levou Hildon a admitir não ter realizado concurso na prefeitura. O segundo foi apresentar uma diferença econômica real em relação a Marcos Rogério: Samuel defendeu tributar a soja, criar uma nova receita, financiar estradas, estruturar um fundo e fortalecer a agricultura familiar, enquanto Rogério rejeitou aumentar impostos sobre quem produz. O terceiro foi a objetividade ao declarar posição contrária à privatização da Caerd. Nos baixos, Samuel perdeu força quando trocou a crítica política pelo ataque pessoal. No confronto com Expedito Netto, referências à infância, à dificuldade de comer peixe, à profissão do adversário e à forma como ele teria chegado à Secretaria Nacional da Pesca não ajudaram a esclarecer a proposta para o setor. O segundo baixo foi lançar acusações sobre coação de servidores e operações policiais sem apresentar sustentação durante o debate. O terceiro foi o excesso de imagens de efeito, provocações e referências pessoais. O estilo ofensivo garantiu presença, mas em alguns momentos encobriu propostas que mereciam ser ouvidas com mais nitidez.

Marcos Rogério teve como primeiro alto o domínio de propostas com aplicação administrativa definida. O escritório e o banco de projetos para auxiliar prefeituras, por exemplo, responderam a um problema objetivo de execução de recursos. O segundo foi a clareza ao relacionar a redução do ICMS dos combustíveis de aviação à tentativa de ampliar voos e diminuir tarifas. O terceiro foi a tranquilidade no direito de resposta sobre o Museu da Bíblia: apresentou seu valor, explicou a participação de outros parlamentares e retornou à agenda estadual sem elevar ainda mais o confronto. Nos baixos, o primeiro foi a ambiguidade sobre o serviço militar temporário. A alternativa foi mencionada, mas depois tratada como expediente que poderia não ser necessário imediatamente. O segundo foi a repetição das expressões “destravar” e “fazer o Estado funcionar”, eficientes como slogan, porém insuficientes quando não acompanhadas de etapas e prazos. O terceiro apareceu no confronto sobre Ji-Paraná: embora tenha responsabilizado o governo apoiador de Fúria pela falta de regionalização, não eliminou inteiramente a cobrança sobre sua própria atuação e os recursos destinados ao município.

Os momentos de maior tensão envolveram Fúria e Marcos Rogério no caso do museu; Samuel e Fúria nas acusações sobre comissionados, apoios e operações; Samuel e Netto na discussão que saiu da Caerd e chegou à vida profissional dos dois; Pedro e Fúria no embate sobre a maternidade de Cacoal; Samuel e Hildon sobre concursos; e Samuel e Marcos Rogério no contraste entre tributar a soja e aliviar a carga sobre o setor produtivo. O debate ofereceu elementos favoráveis e desfavoráveis a todos, mas não produziu um resultado matemático nem autorizou a coroação artificial de um vencedor. A palavra final pertence ao eleitor, a quem cabe separar proposta de slogan, firmeza de agressividade, experiência de autopromoção e promessa de capacidade real de execução.

Rodapé da coluna

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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