Sob a mediação do jornalista Cleidson Silva, os seis concorrentes apresentaram propostas, revisitaram trajetórias e protagonizaram confrontos sobre saúde, segurança, funcionalismo, Caerd, agronegócio e aplicação de recursos públicos
O debate promovido pela Rema TV, sob a mediação do jornalista Cleidson Silva, permitiu que Hildon Chaves, Pedro Abib, Expedito Netto, Adailton Fúria, Samuel Costa e Marcos Rogério fossem além das peças ensaiadas da propaganda eleitoral. Houve propostas concretas, respostas desconfortáveis, desvios de assunto e ataques que, em alguns casos, produziram mais calor do que esclarecimento. Sem fabricar um vencedor, a análise possível passa por três altos e três baixos de cada candidatura.
Hildon Chaves teve como primeiro ponto alto a insistência na experiência administrativa adquirida em Porto Velho, usada para sustentar a promessa de um choque de gestão no Estado. O segundo foi a posição contrária à realização do leilão da Caerd no fim do governo e a poucos dias do primeiro turno. O terceiro apareceu quando assumiu compromissos mensuráveis, como entregar o novo Hospital João Paulo II em dois anos e meio. Nos baixos, o primeiro veio no confronto com Samuel Costa sobre concursos públicos. Ao afirmar “Não fiz concurso e não fez falta”, Hildon abriu uma avenida para a crítica de que sua gestão teria recorrido a processos seletivos sem fortalecer o quadro permanente. O segundo foi a repetição excessiva da fórmula baseada em gestão e combate à corrupção, muitas vezes sem detalhar o caminho operacional. O terceiro apareceu na resposta à pergunta da CDL sobre segurança: o diagnóstico foi amplo, mas as medidas imediatas para proteger comerciantes e moradores ficaram diluídas numa abordagem macroeconômica.
O que cada candidato também propôs
Seis caminhos colocados na mesa
Terra, prevenção e ciência
Servidor, crédito e produção
Regionalização e apoio ao campo
Receita, direitos e universidade
Segurança, saúde e conexão
Contas, saneamento e efetivo
Pedro Abib teve como primeiro alto o uso constante de dados para organizar seus argumentos, sobretudo ao abordar mortalidade materna e infantil, regularização fundiária e educação. O segundo foi o modelo dos três “Is” para a segurança pública, baseado em integração, inteligência e investimento, conectando forças estaduais, federais e estruturas de fronteira. O terceiro foi a honestidade de reconhecer, já na tréplica, que não havia respondido diretamente à pergunta sobre policiais temporários. Nos baixos, justamente essa demora em enfrentar o ponto central foi o primeiro problema: a resposta começou tecnicamente bem, mas deixou a dúvida prática para o fim. O segundo foi o tom por vezes excessivamente professoral, com explicações longas que consumiram espaço sem necessariamente produzir uma conclusão simples. O terceiro foi transformar algumas intervenções em plataformas para novas acusações, como no embate com Fúria sobre o hospital de Cacoal, afastando-se do tema originalmente sorteado. Pedro mostrou preparo, mas nem sempre conseguiu converter conhecimento em síntese política.
Expedito Netto marcou seu primeiro alto ao traduzir a defesa do concurso público numa imagem fácil de compreender: “Na minha opinião, processo seletivo é casa alugada. Concurso público é casa própria.” O segundo foi assumir posição clara contra a substituição de servidores efetivos por temporários nas áreas essenciais. O terceiro apareceu quando recusou soluções mágicas para o preço das passagens aéreas e reconheceu que o problema exige articulação entre governos, bancada federal e empresas. Os baixos começaram nessa mesma discussão, porque Marcos Rogério devolveu o debate ao campo estadual ao apontar o ICMS como instrumento disponível ao governador, deixando Netto sem uma resposta local igualmente concreta. O segundo foi o uso repetitivo da ligação com Lula e do número 13, inclusive em momentos nos quais cabia aprofundar propostas. O terceiro foi a rigidez de prometer um governo sem temporários, seletivos ou indicações políticas sem demonstrar, naquele espaço, como preencher imediatamente as carências de pessoal e financiar a expansão do quadro efetivo.
Adailton Fúria teve como primeiro alto a capacidade de apresentar resultados e experiências de Cacoal como demonstração de prática administrativa, especialmente em saúde materno-infantil, agricultura familiar e realização de concurso público. O segundo foi defender a estadualização e descentralização dos atendimentos, citando Ji-Paraná, Cacoal e outras regiões que recebem pacientes do interior. O terceiro ocorreu no confronto com Samuel Costa sobre suposta coação de comissionados para balançar bandeiras. Fúria respondeu corretamente que, se houvesse coação, o fato deveria ser levado ao Ministério Público, em vez de permanecer como insinuação eleitoral. O maior baixo foi a acusação de que Marcos Rogério teria destinado R$ 14 milhões de emenda individual ao Museu da Bíblia em Brasília. Rogério obteve direito de resposta e afirmou ter destinado R$ 500 mil, enquanto os demais recursos teriam vindo de outros parlamentares. Fúria retomou o assunto, mas não resolveu a diferença entre os valores. O segundo baixo foi insistir nessa acusação até em perguntas dirigidas a Pedro Abib, desperdiçando tempo de outros temas. O terceiro foi recorrer excessivamente ao histórico de Cacoal como resposta para desafios estaduais, sem sempre demonstrar como a experiência municipal seria financiada e ampliada para os 52 municípios.
Samuel Costa teve como primeiro alto a disposição para colocar os adversários diante de contradições incômodas. Foi dele a cobrança que levou Hildon a admitir não ter realizado concurso na prefeitura. O segundo foi apresentar uma diferença econômica real em relação a Marcos Rogério: Samuel defendeu tributar a soja, criar uma nova receita, financiar estradas, estruturar um fundo e fortalecer a agricultura familiar, enquanto Rogério rejeitou aumentar impostos sobre quem produz. O terceiro foi a objetividade ao declarar posição contrária à privatização da Caerd. Nos baixos, Samuel perdeu força quando trocou a crítica política pelo ataque pessoal. No confronto com Expedito Netto, referências à infância, à dificuldade de comer peixe, à profissão do adversário e à forma como ele teria chegado à Secretaria Nacional da Pesca não ajudaram a esclarecer a proposta para o setor. O segundo baixo foi lançar acusações sobre coação de servidores e operações policiais sem apresentar sustentação durante o debate. O terceiro foi o excesso de imagens de efeito, provocações e referências pessoais. O estilo ofensivo garantiu presença, mas em alguns momentos encobriu propostas que mereciam ser ouvidas com mais nitidez.
Marcos Rogério teve como primeiro alto o domínio de propostas com aplicação administrativa definida. O escritório e o banco de projetos para auxiliar prefeituras, por exemplo, responderam a um problema objetivo de execução de recursos. O segundo foi a clareza ao relacionar a redução do ICMS dos combustíveis de aviação à tentativa de ampliar voos e diminuir tarifas. O terceiro foi a tranquilidade no direito de resposta sobre o Museu da Bíblia: apresentou seu valor, explicou a participação de outros parlamentares e retornou à agenda estadual sem elevar ainda mais o confronto. Nos baixos, o primeiro foi a ambiguidade sobre o serviço militar temporário. A alternativa foi mencionada, mas depois tratada como expediente que poderia não ser necessário imediatamente. O segundo foi a repetição das expressões “destravar” e “fazer o Estado funcionar”, eficientes como slogan, porém insuficientes quando não acompanhadas de etapas e prazos. O terceiro apareceu no confronto sobre Ji-Paraná: embora tenha responsabilizado o governo apoiador de Fúria pela falta de regionalização, não eliminou inteiramente a cobrança sobre sua própria atuação e os recursos destinados ao município.
Os momentos de maior tensão envolveram Fúria e Marcos Rogério no caso do museu; Samuel e Fúria nas acusações sobre comissionados, apoios e operações; Samuel e Netto na discussão que saiu da Caerd e chegou à vida profissional dos dois; Pedro e Fúria no embate sobre a maternidade de Cacoal; Samuel e Hildon sobre concursos; e Samuel e Marcos Rogério no contraste entre tributar a soja e aliviar a carga sobre o setor produtivo. O debate ofereceu elementos favoráveis e desfavoráveis a todos, mas não produziu um resultado matemático nem autorizou a coroação artificial de um vencedor. A palavra final pertence ao eleitor, a quem cabe separar proposta de slogan, firmeza de agressividade, experiência de autopromoção e promessa de capacidade real de execução.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA
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