Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
Curtida não vota: a eleição pode devolver à “sola de sapato” o protagonismo perdido
CARO LEITOR, quem faz campanha em busca do chamado voto de opinião começa a perceber, com certo espanto, que alcance digital não é sinônimo de força eleitoral. TikTok e plataformas da Meta entregam números impressionantes, mas nem sempre entregam votos. A candidatura à reeleição do deputado federal Lúcio Mosquini (PL) ilustra o fenômeno: uma postagem chegou a cerca de 300 mil visualizações, mas teve engajamento pífio e não alcançou cem comentários. É a prova de que o algoritmo pode inflar a audiência sem necessariamente produzir mobilização política. Diante disso, a campanha corre às gráficas em busca do velho material impresso. Paradoxalmente, 2026 pode ressuscitar a política da “sola de sapato”. Curtida não vota, visualização não aperta o número na urna. O corpo a corpo, a conversa e o olho no olho ainda podem valer mais que conteúdos publicados nos perfis dos candidatos nas redes sociais.
Limitações
A resolução 23610 do TSE prejudicou candidatos ao impor limitações à entrega de conteúdos no Facebook e Instagram. Na prática, as publicações passaram a circular mais entre seguidores, dificultando romper a bolha e alcançar novos eleitores.
Alterou
A resolução do TSE que limita o alcance orgânico dos candidatos no Facebook e Instagram foi concebida sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes na Corte Eleitoral. A medida alterou a dinâmica das campanhas digitais.
Favorece
A limitação favorece partidos com militância organizada e capacidade de mobilização nas ruas, como PT, PSOL e PSB. Direita e centro precisam, portanto, transformar apoiadores virtuais em militantes ativos para não perder espaço eleitoral.
Pensada
A restrição à entrega dos conteúdos foi pensada para conter candidatos que se transformaram em fenômenos nas redes sociais, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Tabata Amaral (PSB-SP) e Cleitinho (Republicanos-MG), entre outros.
Favorece
As restrições impostas ao Facebook e Instagram estão comprimindo o alcance de candidatos que já demonstravam força digital, como Bruno Bolsonaro Scheid (PL), Mariana Carvalho (Republicanos), Silvia Cristina (PP), Fernando Máximo (PL), Maurício Carvalho (União) e Célio Lopes (União). A regra favorece quem tem militância de rua.
Compartilhar
Diante das limitações, candidatos precisam mobilizar apoiadores para compartilhar conteúdos e estimular novos eleitores a seguir seus perfis. Sem essa reação, o material produzido para o offline terá dificuldade para ganhar alcance e engajamento online.
Suspendeu
A decisão do TRE-RO lança dúvidas sobre a pesquisa com Registro RO-03403/2026 do Instituto Veritá. A Justiça Eleitoral suspendeu sua divulgação por suspeitas de irregularidades, incluindo falhas na apresentação de dados essenciais à avaliação do levantamento.
Credibilidade
Em pesquisa eleitoral, metodologia não é detalhe. Informações como amostra, nível de confiança e distribuição dos entrevistados são fundamentais para que o eleitor saiba exatamente como os números foram produzidos e possa avaliar sua credibilidade.
Cautela
Pesquisa de intenção de voto não é mera peça de campanha. Seus números influenciam candidatos, partidos e eleitores. Por isso, qualquer levantamento sob questionamento judicial deve ser recebido com cautela, sobretudo durante uma disputa acirrada.
Suspensão
Os números do Veritá para o Governo de Rondônia não podem ser tratados como retrato definitivo da eleição. A suspensão determinada pelo TRE-RO é um alerta para que candidatos, partidos e eleitores não transformem estatísticas questionadas em verdade eleitoral.
Defesa
A decisão é liminar e o instituto ainda poderá apresentar sua defesa. Mas a suspensão já impõe uma pergunta incômoda: antes de disputar quem está na frente, é preciso saber se a pesquisa cumpre os requisitos para merecer confiança.
Organização
O debate entre os candidatos ao Governo de Rondônia, promovido na noite de ontem (01) pela REMA TV, deu um show de organização, apresentação, estrutura e qualidade de estúdio. A Coluna Falando Sério parabeniza o empresário da comunicação Zezinho Santos e toda a competente equipe do canal 5.1 pelo profissionalismo e pela iniciativa.
Convencer
O debate da REMA TV mostrou que a eleição ao Governo de Rondônia está longe de ser decidida apenas pelas pesquisas. No confronto direto, candidatos precisam transformar números em argumentos e convencer o eleitor além da propaganda.
Expor
Mais que troca de acusações, o debate serviu para expor estilos, preparo e capacidade de resposta. Agora, o eleitor pode comparar o discurso de cada candidato com sua trajetória. É nesse confronto que a eleição começa a ganhar forma.
Confronto
O candidato a governador Pedro Abib (MDB) colocou a saúde infantil no centro do debate e tentou responsabilizar o candidato a governador governista Adailton Fúria (PSD) pelos problemas da saúde em Cacoal. O ataque foi direto: associou a gestão municipal do adversário aos índices de mortalidade infantil.
Disputando
Adailton Fúria (PSD) reagiu explorando sua própria trajetória administrativa. Rebateu a crítica apresentando resultados de sua gestão em Cacoal e contrapôs dados e entregas à narrativa de Pedro Abib (MDB). O embate mostrou dois candidatos disputando a mesma bandeira: gestão eficiente.
Alianças
Samuel Costa tentou expor as contradições da aliança do candidato a governador Adailton Fúria (PSD), questionando a aproximação com Expedito Júnior (PT) e o apoio do governador Marcos Rocha (PSD). A pergunta buscou atingir justamente a coerência política da candidatura governista.
Tentativa
Fúria (PSD) respondeu que Expedito Júnior (PSD) e o governador Coronel Marcos Rocha (PSD) não terão espaço em seu governo, afirmando independência para administrar Rondônia. Foi uma tentativa clara de separar apoio eleitoral de compromisso administrativo e afastar a imagem de continuidade.
Pergunta
O embate deixou uma pergunta política relevante: até onde vai a independência de Fúria diante da ampla coalizão com Expedito Júnior e o Coronel Marcos Rocha, todos do PSD, que sustenta sua candidatura? Dizer que apoiadores não terão cargos é uma promessa forte. Caberá ao eleitor cobrar sua coerência.
Paciência
O ponto alto do debate ocorreu quando Adailton Fúria (PSD) perdeu a paciência com Samuel Costa (PSB) e reagiu às críticas sobre sua aliança política. Fúria acusou o adversário de receber dinheiro de outras candidaturas para atacá-lo e disseminar fake news, algo que, segundo ele, já teria ocorrido em campanhas anteriores.
Rebateu
No direito de resposta, Samuel Costa (PSB) rebateu a acusação e defendeu sua independência política. O candidato afirmou que sua trajetória como advogado lhe garante autonomia política e financeira para fazer críticas, questionamentos e cobranças a qualquer grupo, sem se submeter a interesses de adversários.
Questionou
O embate entre o candidato a governador governista Adailton Fúria (PSD) e o candidato da oposição Marcos Rogério (PL) teve na saúde um dos momentos mais duros do debate. Fúria questionou a destinação de R$ 14 milhões em emendas para um museu em Brasília e cobrou investimentos concretos na saúde de Ji-Paraná.
Reagiu
Marcos Rogério (PL) reagiu defendendo a regionalização da saúde e responsabilizando o atual governo do Coronel Marcos Rocha (PSD) – apoiador de Fúria – pelo atraso na estrutura hospitalar de Ji-Paraná. O confronto expôs uma contradição eleitoral: quem promete mudança precisa explicar por que os problemas persistem e quem está no governo precisa responder pelas entregas.
Calcanhar
O ponto mais político foi a disputa pela credibilidade. Adailton Fúria (PSD) tentou associar Marcos Rogério ao discurso das promessas, enquanto o candidato do PL atacou a gestão governista e a situação do Hospital Regional de Cacoal. No fim, ambos tentaram transformar a saúde no calcanhar de Aquiles do adversário.
Resposta
No direito de resposta, Marcos Rogério (PL) contestou a acusação de Adailton Fúria (PSD) sobre R$ 14 milhões para um museu em Brasília. O senador admitiu ter destinado R$ 500 mil, com a bancada evangélica, para construção do Museu da Bíblia.
Reação
A reação expôs um exagero no ataque de Fúria: transformar uma emenda de R$ 500 mil em R$ 14 milhões distorce o fato. O episódio mostra como, no calor do debate, números podem virar munição política e comprometer a credibilidade de quem acusa, principalmente entre os evangélicos.
Estratégia
Expedito Netto (PT) repete no debate a estratégia usada por Marcos Rocha em 2018: “Sou o candidato do Bolsonaro”. Agora, o jargão mudou: “Sou o candidato do Lula”. A aposta é colar sua imagem à força do candidato a presidente.
Experiência
Hildon Chaves (União) recorreu à experiência administrativa no debate da REMA TV, destacando sua passagem pela Prefeitura de Porto Velho como credencial para conduzir os destinos de Rondônia. Demonstrou preparo, mas faltou maior contundência para transformar experiência em protagonismo eleitoral.
Figurar
Falando em demonstrou, o lançamento da campanha de reeleição do deputado estadual Ismael Crispim (PP), em São Miguel do Guaporé, reuniu mais de 1.200 pessoas e mostrou a força de sua base política. Com presença consolidada no interior, Ismael entra na disputa para repetir o desempenho da eleição passada e novamente figurar entre os candidatos mais votados de Rondônia em outubro.
Mulheres
A deputada estadual Ieda Chaves (União) transformou a defesa das mulheres em uma das principais bandeiras de sua atuação política. Na busca pela reeleição, apresenta essa agenda como marca de seu mandato, defendendo políticas públicas de proteção, autonomia e combate à violência contra a mulher.
Pit Stop
O pit stop de Zé Paroca (Avante) na Avenida Jorge Teixeira na tarde de ontem (01) reuniu cerca de 500 apoiadores e mostrou a força de sua campanha em Porto Velho. Com a votação expressiva de 2024, Paroca chega a 2026 credenciado a repetir o feito e figurar entre os mais votados do Avante.
Sério
Falando sério, a eleição começa a mostrar que números, redes sociais e grandes discursos não garantem voto. Pesquisas sob questionamento, algoritmos limitando alcance e debates expondo contradições reforçam uma velha lição: no fim, vence quem consegue transformar promessa em confiança, presença em voto e discurso em resultado.

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AUTOR: HERBERT LINS





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