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CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Unicef aponta que 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual indesejado na internet

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Relatório elaborado a partir de entrevistas em 21 países revela dimensão do abuso sexual infantil facilitado pela tecnologia e aponta forte subnotificação dos casos

Por Yan Simon - segunda-feira, 07/09/2026 - 09h06

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Porto Velho, RO – No Brasil, quase 3 milhões de crianças e adolescentes foram afetados por formas de violência sexual facilitadas pela tecnologia, o equivalente a 19% dos entrevistados no país. Apesar da dimensão identificada pelo levantamento, menos de 1% das ocorrências desse tipo chegaram a ser denunciadas.

Entre os casos brasileiros analisados, a internet apareceu como ambiente relacionado a 55,5% das situações, enquanto a escola representou 24,5%. Aplicativos de mensagens e redes sociais concentraram 66,5% das ocorrências identificadas nesses canais. O Instagram foi citado em 57,2% dos casos e o WhatsApp, em 52,1%. Jogos online responderam por outros 12,3%.

Os dados integram o relatório “Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil”, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O estudo reuniu relatos e percepções de 21 mil crianças e adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, em 21 países, no período de 2020 a 2025.

O levantamento estima que cerca de 20 milhões de crianças e adolescentes desses países sofreram, ao longo de um ano, alguma modalidade de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. Aproximadamente 15 milhões teriam sido expostos a conteúdo sexual indesejado.

Outros 9 milhões, segundo as estimativas, foram induzidos a participar de conversas de teor sexual ou a compartilhar imagens desse tipo contra a própria vontade. Cerca de 4 milhões tiveram imagens vazadas.

Para os especialistas do Unicef, a dimensão do problema pode ser ainda maior porque uma parcela significativa das vítimas não relata o que sofreu. Mais de 40% das situações informadas durante a pesquisa não haviam sido reveladas anteriormente pelas crianças e adolescentes. Entre as principais razões está a falta de conhecimento sobre onde buscar ajuda ou a quem recorrer.

A pesquisa também mostra que os autores das violações nem sempre são desconhecidos. Em 57% dos casos relatados, a pessoa envolvida fazia parte do convívio da vítima. Entre os citados estão familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas.

Em outros 38% dos episódios, entretanto, o primeiro contato entre a vítima e o agressor ocorreu pela internet. O relatório indica que perfis falsos e mensagens privadas podem ser utilizados para facilitar a aproximação e as violações.

As redes sociais aparecem entre os principais ambientes onde essas ocorrências são registradas. Em média, aproximadamente 60% das violações aconteceram em plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp.

Os jogos online também foram associados a cerca de 14% dos crimes identificados no levantamento. Segundo o relatório, as relações de confiança estabelecidas durante as partidas podem ser exploradas por agressores para se aproximar de crianças e adolescentes.

A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, afirmou que essas experiências provocam consequências emocionais e psicológicas significativas e destacou que muitas vítimas permanecem em silêncio por não saberem onde procurar ajuda. “Nós não podemos ignorar isso”, declarou.

As entrevistas também permitiram identificar diferentes formas utilizadas para exercer controle sobre as vítimas. Além da oferta de presentes, dinheiro e atenção, foram relatadas situações envolvendo pressão, ameaças e chantagem.

Uma adolescente brasileira contou aos pesquisadores que foi ameaçada por um agressor, que disse que enviaria à mãe dela mensagens anteriormente trocadas entre os dois caso uma nova fotografia não fosse encaminhada. Outra participante relatou que passou anos verificando a internet para descobrir se alguma imagem sua, inclusive montagens, estava circulando sem autorização.

Os resultados reforçam que a exploração e o abuso sexual mediados pela tecnologia podem ocorrer tanto por meio da aproximação de desconhecidos no ambiente virtual quanto dentro das próprias relações de confiança mantidas pelas vítimas.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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