Ministro do STF afirma ter sido alvo de acompanhamento sistemático por mais de 30 dias; diretor de Inteligência da Polícia Federal também foi afastado preventivamente
Porto Velho, RO – Relatórios de inteligência produzidos ao longo de agosto teriam colocado o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como alvo de acompanhamento pela Polícia Federal. A informação foi citada pelo próprio magistrado ao determinar, nesta terça-feira (8), o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
Segundo Mendonça, um ofício assinado por Rodrigues informa que pelo menos seis relatórios relacionados ao ministro foram produzidos e chegaram à direção-geral da PF entre 3 e 31 de agosto de 2026. Para o relator do caso Banco Master no Supremo, os documentos indicariam que o acompanhamento ocorreu durante mais de 30 dias.
“Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país”, afirmou Mendonça na decisão. Em outro trecho, registrou ter sido submetido a “monitoramento sistemático” pela área de inteligência da Polícia Federal.
Os afastamentos foram determinados após pedido apresentado pelo partido Novo. Ao fundamentar a medida, o ministro apontou a gravidade do episódio envolvendo a divulgação, pelo ministro Alexandre de Moraes, de um relatório atribuído à inteligência da PF.
O documento havia sido tornado público na semana passada e levantava a hipótese de possível direcionamento das investigações relacionadas ao Banco Master contra pessoas consideradas desafetas políticas de Mendonça. O material, entretanto, não apresenta assinatura nem cabeçalho oficial da Polícia Federal.
Mendonça ressaltou esse ponto ao avaliar a origem do relatório. De acordo com ele, o arquivo é apócrifo e não contém elementos gráficos que permitam confirmar sua procedência, autoria ou data de produção. O ministro também observou que o próprio conteúdo do relatório classifica suas conclusões como inferências sem valor probatório.
Apesar dessa ressalva, a decisão registra que o documento recomendaria a continuidade da coleta de informações relacionadas ao ministro, ainda que as conjecturas apresentadas não fossem suficientes para justificar a adoção de medidas formais.
Para Mendonça, a situação exigia providências imediatas para impedir novas violações às prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da atividade policial. A Agência Brasil informou que procurou a Polícia Federal para obter posicionamento, mas a corporação ainda não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.
A controvérsia envolvendo os relatórios se intensificou após Alexandre de Moraes encaminhar o documento ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O material foi apresentado no âmbito do chamado inquérito das Fake News, aberto originalmente para investigar ameaças e informações falsas direcionadas a integrantes do Supremo e que, ao longo de mais de sete anos, passou a reunir diferentes frentes de apuração.
Ao enviar o relatório a Fachin, Moraes indicou a possível ocorrência de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade envolvendo Mendonça.
A iniciativa ocorreu depois de Mendonça divulgar informações de um relatório elaborado durante a Operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e corrupção de agentes públicos.
As conversas foram recuperadas de um celular apreendido com Vorcaro. Conforme a investigação citada na reportagem, o ex-banqueiro demonstraria proximidade com um interlocutor que a Polícia Federal identifica como Alexandre de Moraes.
Uma das mensagens sugere que teria ocorrido o envio e a edição de um contrato no valor de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em outro diálogo, Vorcaro aparenta tentar obter informações sobre uma eventual operação da Polícia Federal destinada a prendê-lo. Alexandre de Moraes já negou ter mantido contato com o ex-banqueiro.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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