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ELEIÇÕES 2026

Neidinha Suruí alega ter sofrido violência de gênero no próprio PSB; rechaça Expedito Netto e fala sobre doação de João Moreira Salles

Neidinha Suruí alega ter sofrido violência de gênero no próprio PSB; rechaça Expedito Netto e fala sobre doação de João Moreira Salles
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Candidata ao Senado diz estar em programa federal de proteção, defende pequenos produtores e outro modelo de desenvolvimento e também detalha crise política enfrentada dentro do PSB

Por Yan Simon - quarta-feira, 09/09/2026 - 11h16

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Porto Velho, RO – A relação entre produção econômica, meio ambiente e conflitos fundiários ocupou uma das partes mais duras da entrevista de Neidinha Suruí ao RD Entrevista. Candidata ao Senado pelo PSB, ela rejeitou a ideia de que seja contrária ao agronegócio, mas disse combater aquilo que definiu como “ogronegócio”: atividades que associou a desmatamento, grilagem, invasões de terras indígenas e ocupações de unidades de conservação.

Caderno de território · Senado 2026
Neidinha Suruí: a política vista do chão
Proteção federal, crise dentro do PSB, apoio a Samuel Costa, ruptura com Expedito Netto e um projeto de desenvolvimento que separa produção rural de invasão, grilagem e desmatamento.
65
povos indígenas em Rondônia, segundo Neidinha
50 anos
horizonte do plano de gestão construído com os Suruí
R$ 100 mil
doação eleitoral de João Moreira Salles
Proteção
programa federal e protocolo de segurança
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Quatro margens
Os conflitos que atravessam a candidatura
A trajetória apresentada por Neidinha conecta risco pessoal, enfrentamento partidário, disputa pela terra e planejamento de longo prazo.
Proteção
Relatou ameaças de morte, protocolo de segurança, participação em programa federal e acompanhamento anterior da Força Nacional.
01
02
Partido
Classificou como violência política de gênero a tentativa de mudança em sua candidatura e atribuiu o episódio à alta cúpula do PSB.
Terra
Separou pequenos trabalhadores rurais dos grandes agentes que associa a invasões, grilagem e degradação ambiental.
03
04
Futuro
Defendeu políticas que sobrevivam às trocas de governo e citou um planejamento Suruí pensado para meio século.
A fronteira rural
Agro não é “ogronegócio”
Produção
Apoio a pequenos e médios produtores, agricultura familiar, agroindústrias e geração de renda com responsabilidade ambiental.
Regularizar · apoiar · produzir
“Ogronegócio”
Expressão usada para identificar grandes agentes econômicos que, segundo a candidata, promovem ou se beneficiam de desmatamento, grilagem, invasões de terras indígenas e ocupações de unidades de conservação.
Desmatar · invadir · grilar
Outra medida de tempo
Um mandato dura quatro anos. Um povo continua.
A experiência citada por Neidinha troca o calendário eleitoral por um horizonte geracional.
4 anos
duração usada para contrastar governos e sucessões
50 anos
alcance do plano de gestão elaborado com o povo Suruí
Financiamento eleitoral
A doação, o fundo e a campanha
João Moreira Salles
R$ 100 mil
Neidinha afirmou que pediu a contribuição, classificou o doador como “um bilionário do bem” e vinculou a avaliação aos trabalhos dele relacionados à Amazônia.
Sem recurso do PSB
Até o momento da entrevista, disse não ter recebido dinheiro do fundo partidário.
Amigos e financiamento coletivo
Afirmou recorrer a apoiadores e defendeu a publicidade da destinação dos valores.
Mapa político
Apoio, ruptura e convivência
Samuel Costa
O candidato enquanto permanecer na disputa
Neidinha reafirmou apoio ao nome do PSB e disse que conversará com outros postulantes se ele deixar a eleição.
Expedito Netto
Sem palanque conjunto
Rejeitou dividir palanque com o ex-deputado e relacionou a decisão ao voto dele no impeachment de Dilma Rousseff.
Partido dos Trabalhadores
A divergência não é geral
Ressaltou manter amizade e respeito por integrantes do PT e disse defender mulheres independentemente da posição ideológica.
Economia de dentro
Desenvolvimento que começa em Rondônia
C
Música, teatro, artes plásticas, artesanato, hip-hop e manifestações tradicionais como fontes de trabalho e renda.
T
Turismo condicionado a logística melhor e passagens aéreas menos restritivas para Porto Velho e o interior.
S
Saneamento tratado como política de saúde e como projeto que precisa atravessar sucessões administrativas.
E
Valorização dos professores, categoria da qual Neidinha faz parte como formada em História.
“Nós estamos planejando para o povo.”
A síntese do planejamento público que não termina com um mandato.
Manifesto em dez fragmentos
As frases de Neidinha Suruí
01
“Mas sofrer violência política de gênero, novidade pra mim e eu confesso pra vocês que eu não estava preparada pra isso.”
Ao diferenciar os embates com madeireiros, garimpeiros e grileiros da experiência vivida na política partidária.
02
“E aí, de repente, vem da alta cúpula essa violência. Eu não entendi.”
Ao atribuir a setores superiores do PSB o episódio que classificou como violência política de gênero.
03
“E nós mulheres somos vistas como cota, nós somos cotas no partido.”
Ao criticar a maneira como candidaturas femininas seriam usadas pelas legendas.
04
“O João pra mim é um bilionário do bem.”
Ao responder sobre a doação eleitoral de João Moreira Salles.
05
“Meu candidato ao governo se chama Samuel Costa, é o candidato do meu partido enquanto não tirar ele da disputa.”
Ao reafirmar quem apoiava para o Governo de Rondônia.
06
“Eu defendo mulheres, como que eu posso subir num palanque com a pessoa que votou no impeachment da Dilma?”
Ao explicar por que rejeita dividir palanque com Expedito Netto.
07
“Eu não sou contra o agronegócio, eu sou contra o ogronegócio.”
Ao separar produção rural de desmatamento, invasões e grilagem.
08
“Ele está te enganando pra ganhar teu voto.”
Ao criticar promessas sucessivas de regularização que não solucionam conflitos fundiários.
09
“Não tenho medo, eu já disse isso. Não tenho medo.”
Ao relatar ameaças de morte e as medidas de proteção.
10
“Nós estamos planejando para o povo.”
Ao explicar o plano de gestão de 50 anos construído com os Suruí.
A ameaça e a proteção
Neidinha disse confiar no sistema de segurança, afirmou não ter medo e alertou as pessoas responsáveis por sua proteção para que permanecessem atentas durante a campanha.
↑ Recolher cartografia
Fonte: entrevista de Neidinha Suruí ao RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova e produzido pelo Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.

A declaração foi acompanhada por relatos de ameaças de morte e pela informação de que atualmente integra um programa de proteção do Governo Federal. A entrevista foi conduzida por Vinícius Canova no RD Entrevista, realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.

Ao longo da conversa, Neidinha também abordou a disputa interna no PSB, financiamento eleitoral, Samuel Costa, Expedito Netto, povos indígenas, emergência climática, saneamento, agricultura familiar, cultura, turismo e educação. Questionada sobre como concilia a atuação ambiental com a força do setor agropecuário em Rondônia, Neidinha procurou estabelecer uma fronteira entre produtores rurais e agentes econômicos que responsabiliza pela degradação ambiental. “Eu não sou contra o agronegócio, eu sou contra o ogronegócio. Entenda isso”, afirmou.

Na definição da candidata, o “ogronegócio” seria representado pelo grande empresário que, mesmo possuindo recursos, participa ou se beneficia de desmatamento, invasão de terra indígena, ocupação de unidade de conservação e grilagem. Neidinha afirmou ainda que pequenos trabalhadores rurais acabam sendo colocados na linha de frente dessas disputas porque precisam de terra para sobreviver. Ela estendeu a crítica à política. Segundo Neidinha, existem lideranças que mantêm por muitos anos a promessa de assegurar terras a pessoas instaladas em áreas sob disputa, mas não solucionam o problema.

Na avaliação apresentada durante a entrevista, a permanência da questão sem resolução permite que o mesmo compromisso seja renovado a cada eleição. “Ele está te enganando para ganhar teu voto”, declarou. Foi ao tratar desses conflitos que Neidinha relatou as ameaças relacionadas à sua atuação. A candidata disse possuir protocolo de segurança, integrar um programa do Governo Federal e já ter recebido acompanhamento da Força Nacional. Segundo ela, as medidas foram adotadas após ameaças de morte. “Não tenho medo. Eu já disse isso. Não tenho medo. Deveria ter, eu deveria ter”, afirmou. Ao ser questionada sobre a exposição provocada pela campanha e sobre o risco de informar publicamente onde estará, Neidinha disse confiar no sistema de proteção existente e acreditar que, naquele momento, uma ação violenta contra ela não seria interessante para eventuais adversários.

Ela também fez um alerta direto às pessoas responsáveis por sua segurança para que permanecessem atentas. A defesa ambiental apresentada pela candidata não foi colocada como oposição à atividade produtiva. Ao longo da entrevista, Neidinha defendeu apoio a médios e pequenos produtores, agricultura familiar e agroindústrias e sustentou que a economia estadual precisa considerar diferentes grupos e fontes de renda. Para ela, discutir desenvolvimento exige incluir recursos hídricos, preservação ambiental e equilíbrio climático. Neidinha afirmou que Rondônia já vive os efeitos de uma emergência climática e criticou o que considera ausência de implementação efetiva de políticas voltadas ao tema. Também associou saneamento básico diretamente à saúde e questionou a baixa cobertura desse serviço em Porto Velho.

A candidata argumentou que projetos públicos positivos precisam atravessar sucessões de governo, em vez de serem abandonados simplesmente por terem sido iniciados por outra administração. Esse raciocínio foi apresentado a partir de uma experiência vivida junto ao povo Suruí. Neidinha contou que participou da formulação de um plano de gestão projetado para 50 anos. Segundo ela, a lógica era não planejar para governos de quatro anos, mas para uma população que continuará necessitando de políticas públicas independentemente de quem esteja no poder.

A relação com os povos indígenas também ocupou espaço significativo da entrevista. Neidinha explicou sua compreensão do trabalho indigenista como uma atuação feita não apenas “em prol”, mas “com” os povos indígenas. Disse ter crescido até os 12 anos em território indígena e relatou uma trajetória pessoal iniciada no Acre e desenvolvida em Rondônia. Ao tratar de autodeclaração e pertencimento, afirmou considerar necessário que a identidade seja reconhecida pelos próprios povos. Neidinha disse que sua relação com as comunidades é resultado de uma vida inteira de convivência, luta e vínculos familiares. “Eu tenho reconhecimento pela minha luta, pela minha vivência”, afirmou. Ela também declarou que Rondônia reúne 65 povos indígenas.

A candidata contou que sua aproximação com os Suruí foi construída inicialmente na militância e nos projetos desenvolvidos ao lado de Almir Suruí. Segundo ela, os dois divergiam em determinadas situações sobre a forma de enfrentar problemas, mas a relação avançou até o casamento segundo o sistema cultural do povo. Neidinha afirmou ter cinco filhos e descreveu diferentes vínculos de parentesco e reconhecimento dentro da comunidade. O desenvolvimento econômico defendido na entrevista também passou pela cultura. Neidinha criticou o pagamento de grandes valores a artistas de fora de Rondônia enquanto profissionais locais encontram dificuldades para viver da própria produção. Citou músicos de diferentes gêneros, teatro, artes plásticas, artesanato, hip-hop e manifestações tradicionais como atividades que deveriam ocupar espaço maior nas políticas públicas. Ela afirmou que costuma usar em palestras roupas produzidas em Rondônia ou em outros pontos da Amazônia para divulgar marcas e artistas locais e ressaltou que os produtos são adquiridos por ela.

O comportamento, segundo Neidinha, faz parte de uma compreensão de que representantes políticos também devem promover a própria produção cultural do estado. O turismo apareceu em seguida como outra atividade que poderia ser fortalecida. A candidata disse que Rondônia possui lugares que considera belíssimos, mas afirmou que investidores encontram obstáculos, especialmente relacionados à logística. Ao abordar as passagens aéreas, classificou os valores como elevados e usou viagens internacionais como comparação para ilustrar o custo de chegar a Porto Velho e a cidades do interior. Neidinha também defendeu estímulo às agroindústrias e maior apoio a pequenos e médios agricultores. Na educação, criticou a remuneração de professores e lembrou ser formada em História e professora para sustentar que a categoria exerce papel central na formação de médicos, engenheiros e agentes públicos.

A política partidária entrou na entrevista quando Neidinha foi questionada sobre os conflitos internos no PSB. Ela classificou o que viveu como “violência política de gênero” e disse que a experiência foi diferente de outros tipos de confronto enfrentados em décadas de atuação contra madeireiros, garimpeiros e grileiros. “Quando essa violência vem do próprio partido em que você está, é bem difícil de entender”, declarou. Em seguida, atribuiu o episódio à “alta cúpula” da legenda e afirmou que outras mulheres de diferentes partidos também enfrentam situações semelhantes. A crítica evoluiu para o funcionamento das chapas eleitorais.

Neidinha afirmou que mulheres acabam tratadas como “cotas” e questionou a desigualdade de recursos destinados às candidaturas. Disse que, até o momento da entrevista, não havia recebido recursos do fundo partidário do PSB e que estava recorrendo a amigos e a uma campanha de financiamento coletivo. Foi nesse ponto que o apresentador questionou a candidata sobre os R$ 100 mil doados por João Moreira Salles. Neidinha classificou Salles como “um bilionário do bem”, mencionou trabalhos dele relacionados à Amazônia e afirmou que ela própria pediu a contribuição. Também defendeu a publicidade das contas eleitorais e disse que pretende explicar a destinação dos recursos em sua prestação de contas.

No debate sobre a eleição estadual, Neidinha reafirmou apoio a Samuel Costa enquanto ele permanecer candidato ao Governo pelo PSB. Segundo ela, se Samuel sair da disputa, pretende conversar com outros postulantes que considere viáveis. Expedito Netto foi tratado separadamente. Neidinha afirmou que não subirá em palanque com ele e vinculou a decisão à defesa das mulheres e ao voto do ex-deputado no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, ressaltou sua boa relação com integrantes do PT e disse que a posição não representa oposição generalizada ao partido. Na avaliação da candidata, a defesa de mulheres não pode variar conforme a filiação partidária. Ela disse que essa posição vale para mulheres de direita, esquerda e centro e apresentou o princípio como uma das razões para sua decisão eleitoral.

Ao encerrar a participação no RD Entrevista, Neidinha apresentou sua candidatura como uma tentativa de representar parcelas da sociedade que considera pouco presentes no Congresso. Citou mulheres, indígenas, extrativistas, ribeirinhos, quilombolas, moradores de periferia e trabalhadores ligados à cultura. Também afirmou que a defesa desses grupos, dos direitos humanos e do meio ambiente faz parte de sua trajetória anterior à entrada na disputa eleitoral.

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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