Encontro exibido pela afiliada da Record em Rondônia colocou Marcos Rogério (PL), Samuel Costa (PSB), Adailton Fúria (PSD), Hildon Chaves (União Brasil), Expedito Netto (PT) e Pedro Abib (MDB) frente a frente; saúde, infraestrutura, concessões, educação, agricultura, ciência, violência contra a mulher e acusações pessoais dominaram as rodadas
Porto Velho, RO – O debate da SIC TV com os seis candidatos ao Governo de Rondônia, realizado na noite de 21 de setembro, reuniu Marcos Rogério (PL), Samuel Costa (PSB), Adailton Fúria (PSD), Hildon Chaves (União Brasil), Expedito Netto (PT) e Pedro Abib (MDB) em confrontos diretos, perguntas de telespectadores e considerações finais.
A SIC TV é afiliada da Record em Rondônia, e o encontro foi tratado previamente na cobertura local como o debate decisivo do primeiro turno. A mediação foi do jornalista Cícero Moura. A SIC TV é dirigida por Marlon Leoni, enquanto Quétila Ruiz, chefe de Jornalismo, esteve no comando jornalístico do debate.
Debate SIC TV:
propostas, cobranças e confrontos
Seis candidatos frente a frente em três blocos. O raio-X organiza os principais eixos apresentados, os pontos de pressão de cada participante e as decisões sobre direitos de resposta.
O debate combinou propostas de governo, perguntas de telespectadores e confrontos diretos sobre saúde, infraestrutura, energia, educação, agricultura, ciência, segurança e integridade pública. As acusações pessoais foram mantidas como declarações atribuídas — não como fatos comprovados.
ABRIR INFOGRÁFICO COMPLETO
Ao longo do programa, os candidatos alternaram a apresentação de propostas com questionamentos sobre administrações anteriores, decisões políticas, relações partidárias e episódios envolvendo os próprios adversários. As rodadas também produziram pedidos de direito de resposta analisados pela organização do debate.

Marcos Rogério (PL): saúde, infraestrutura e cobranças sobre privatizações e Energisa
Marcos Rogério concentrou parte de sua participação em saúde, infraestrutura e proteção às mulheres. Defendeu a regionalização do atendimento, utilização das estruturas municipais, implantação de um hospital de urgência na capital e de um hospital de traumas na região central do estado, que propôs financiar com recursos do Detran.
“O que nós vamos fazer é colocar a saúde para funcionar, regionalizar o atendimento, garantir um hospital novo na capital e um hospital de trauma no interior.”
Na infraestrutura, Marcos Rogério defendeu rotas alternativas à BR-364 e fez referência à Rodovia do Boi. Na área de proteção às mulheres, apresentou medidas que incluíram ampliação da Patrulha Maria da Penha, equipamento destinado a alertar vítimas sobre a aproximação de agressores monitorados e estrutura de acolhimento para mulheres e filhos.
Durante os confrontos, o candidato foi questionado por Pedro Abib sobre a privatização da Eletrobras, a concessão da BR-364 e uma eventual concessão da Caerd. Marcos respondeu que os casos possuíam características diferentes, confirmou ter relatado a medida provisória envolvendo a Eletrobras e afirmou ser contrário à concessão da Caerd nas condições discutidas.
Adailton Fúria também direcionou questionamentos a Marcos Rogério sobre a dívida da Energisa. Marcos negou que pretendesse beneficiar a empresa e declarou que cobraria os valores considerados devidos.
Outro momento de tensão ocorreu quando Expedito Netto apresentou uma acusação contra Marcos relacionada a corrupção. A banca responsável pela análise dos pedidos concedeu direito de resposta ao candidato, considerando que houve “fato questionável e ofensa pessoal”.
Assim, a participação de Marcos combinou a defesa de regionalização da saúde, novos hospitais, infraestrutura rodoviária e medidas de proteção às mulheres com cobranças sobre privatizações, Energisa e acusações feitas diretamente por adversários.

Samuel Costa (PSB): saúde mental, educação inclusiva e confronto pessoal com Expedito Netto
Samuel Costa levou ao debate temas relacionados à saúde mental, formação de especialistas, educação inclusiva e política tributária.
Ao tratar de ludopatia, depressão e ansiedade, defendeu o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial e a criação de Centros de Atenção Psicossocial com atendimento permanente.
“A ludopatia, que é a doença em jogos de azar, bete, tigrinho, cassino, tem endividado mais de 45% do povo do norte do Brasil. E essa pandemia silenciosa tem feito endividamento das famílias. Nós vamos, juntamente com os municípios, fortalecer a rede RAPS e criar CAPS 24 barra 7. 24 horas, 7 dias por semana, para que durante o sofrimento, a depressão, a ansiedade, que não é frescura, não é nada de bezebudo, satanás, é um problema de sofrimento mental.”
Samuel também defendeu a especialização de médicos, criticou determinadas formas de contratação de profissionais por meio de pessoa jurídica e propôs equipes multiprofissionais para atendimento de crianças neurodivergentes.
No campo tributário, defendeu a tributação da soja como mecanismo de financiamento de políticas públicas.
As posições provocaram respostas dos adversários. Fúria contestou a crítica de Samuel às contratações de especialistas por pessoa jurídica e argumentou que determinadas especialidades médicas não aderem a concursos públicos.
Hildon Chaves foi cobrado por Samuel na área educacional. Hildon apresentou índices de alfabetização atribuídos à própria administração, enquanto Samuel insistiu na necessidade de ampliar o atendimento a crianças com transtorno do espectro autista.
O momento de maior tensão ocorreu no confronto com Expedito Netto. O embate inicialmente envolveu a área da pesca e valores recebidos em salários, mas evoluiu para acusações pessoais.
Expedito fez acusações contra Samuel relacionadas a corrupção e suposto abuso. Samuel negou possuir condenação e, posteriormente, desafiou Expedito a provar que não utilizava drogas.
A banca concedeu direitos de resposta aos dois candidatos em momentos distintos. No episódio envolvendo a acusação sobre drogas, a fala foi enquadrada como “ofensa sem provas”.
Samuel, portanto, alternou propostas sobre saúde mental, educação inclusiva, médicos e tributação com confrontos administrativos e um dos momentos mais pessoais de todo o debate.

Adailton Fúria (PSD): gestão em Cacoal, hospital municipal e acusações sobre rejeito de asfalto
Adailton Fúria utilizou sua administração em Cacoal como uma das principais referências durante o debate.
Na saúde, citou hospital municipal, UPA pediátrica, maternidade, realização de concurso e contratação de especialistas. Também defendeu a estadualização da saúde de Ji-Paraná.
Entre outras propostas, apresentou o programa Moto Legal, destinado a permitir a devolução de motocicletas apreendidas mediante parcelamento das dívidas, e defendeu a ampliação das ligações rodoviárias no estado.
Questionado por Pedro Abib sobre o hospital de Cacoal, explicou que a estrutura foi instalada em um antigo prédio de faculdade e justificou a decisão pela necessidade de colocar o atendimento em funcionamento.
“Eu não posso ver o senhor acamado em casa, gemendo de dor, esperando a boa vontade de um gestor e eu esperando um hospital que tá pro governo fazer ficar pronto. Eu sou humano, candidato.”
Fúria também utilizou a dívida da Energisa como um dos principais temas de confronto. Declarou que, caso eleito, tentaria reverter o benefício concedido à empresa.
Ao mesmo tempo, recebeu cobranças de diferentes adversários.
Samuel Costa questionou o modelo de contratação de médicos. Pedro Abib perguntou diretamente se o hospital de Cacoal havia sido construído ou alugado. Fúria respondeu que houve adaptação de um antigo imóvel de faculdade e afirmou que o procedimento envolveu chamamento público e posteriormente inexigibilidade.
O confronto mais sensível ocorreu com Hildon Chaves. O ex-prefeito de Porto Velho citou um inquérito envolvendo rejeito de asfalto e afirmou que material teria sido levado para uma propriedade relacionada ao pai de Fúria.
Fúria negou irregularidade, afirmou que a denúncia havia sido arquivada e respondeu:
“Meu pai tem um CPF, eu tenho outro.”
Marcos Rogério também questionou a relação de Fúria com o governo estadual e cobrou informações relacionadas ao funcionamento e às cirurgias realizadas no hospital municipal.
Fúria teve, assim, como principais eixos a utilização da gestão de Cacoal como modelo, a defesa do hospital municipal e de políticas na área de saúde, além da necessidade de responder a questionamentos sobre contratações, estrutura hospitalar, relação política com o Governo de Rondônia e o episódio envolvendo rejeito de asfalto.

Hildon Chaves (União Brasil): experiência administrativa, alfabetização e cobranças sobre distritos e Energisa
Hildon Chaves utilizou sua experiência na Prefeitura de Porto Velho como uma das bases de sua participação.
Abordou infraestrutura, educação, agricultura familiar e articulação política. Disse ter entregado 820 quilômetros de asfalto durante sua administração municipal e afirmou que as prioridades adotadas consideraram a antiguidade das demandas.
Na educação, destacou indicadores de alfabetização e atribuiu os resultados às ações desenvolvidas durante sua gestão.
“De cada 100 crianças, quando eu assumi, de cada 100, apenas 30 eram alfabetizadas na idade certa. Ao final do nosso mandato, de cada 100 crianças 95 passaram a ser alfabetizadas na idade certa.”
Hildon também defendeu maior articulação do governador com a bancada federal e com outros estados e destacou políticas relacionadas à agricultura familiar.
Durante o debate, entretanto, recebeu questionamentos sobre Energisa, distritos de Porto Velho e educação inclusiva.
Fúria atribuiu a Hildon participação na defesa de uma solução considerada favorável à Energisa durante o período em que presidia a associação de municípios.
Hildon respondeu que a questão não poderia simplesmente ser desfeita caso já estivesse juridicamente consolidada.
Marcos Rogério cobrou Hildon sobre a forma como os distritos de Porto Velho foram tratados durante sua administração e mencionou União Bandeirantes.
Hildon respondeu que regiões da área urbana da capital possuíam demandas acumuladas havia décadas e que sua administração adotou critérios de prioridade.
Samuel Costa, por sua vez, contrapôs os indicadores apresentados por Hildon na alfabetização com questionamentos relacionados ao atendimento e acolhimento de crianças neurodivergentes.
A participação do ex-prefeito combinou números de sua administração, especialmente em pavimentação e alfabetização, com cobranças diretamente relacionadas às decisões tomadas durante seus mandatos em Porto Velho.

Expedito Netto (PT): industrialização, sistema prisional e o confronto mais pessoal do debate
Expedito Netto apresentou propostas voltadas à industrialização da produção, ciência e tecnologia, sistema prisional, cultura e trabalhadores.
Na agricultura, defendeu maior agregação de valor a produtos produzidos em Rondônia e citou café, cacau, peixe, castanha e couro.
Ao tratar do sistema prisional, defendeu a aproximação entre indústrias e unidades penitenciárias como forma de gerar trabalho para os apenados e recursos para políticas de ressocialização.
“Eu estou pensando em levar a indústria para perto do presídio e botar o apenado para trabalhar. A gente precisa ressocializar e eu tenho muita preocupação com quem está aqui fora. Tenho preocupação quem está lá dentro, mas também com quem tá aqui fora e eu quero botar indústria para que eles possam produzir, gerar imposto, gerar receita para o estado de Rondônia para que a gente possa investir em educação dentro dos presídios.”
Expedito também defendeu utilização de tecnologia para elevar produtividade e industrialização e criticou a devolução de recursos destinados ao setor cultural.
Os principais momentos negativos de exposição ocorreram nas trocas de acusações com Samuel Costa e nas intervenções da banca responsável pelos direitos de resposta.
Samuel questionou Expedito sobre resultados de sua atuação na área da pesca e sobre salários recebidos. Expedito respondeu citando ações relacionadas ao setor e afirmou que os pagamentos correspondiam ao trabalho realizado.
Em outro momento, ao responder a Pedro Abib sobre assédio eleitoral, Expedito citou acusações de corrupção contra adversários. Marcos Rogério pediu direito de resposta e teve o pedido aceito.
No confronto seguinte, Expedito fez acusações pessoais contra Samuel Costa. Samuel também obteve direito de resposta.
A disputa escalou quando Samuel desafiou Expedito a realizar exame para demonstrar que não utilizava drogas. A banca também concedeu direito de resposta a Expedito por considerar que houve acusação sem provas.
A participação de Expedito, portanto, reuniu propostas de industrialização, tecnologia e ressocialização de presos com uma sequência de confrontos pessoais que resultaram em sucessivas intervenções da organização do debate.

Pedro Abib (MDB): ciência, tecnologia, ressocialização e questionamentos sobre o hospital de Cacoal
Pedro Abib colocou ciência, tecnologia, educação, ressocialização, violência contra a mulher e valorização de servidores entre os principais assuntos de sua participação.
Defendeu a criação de uma política permanente de ciência, tecnologia e inovação, com previsão mínima de investimentos públicos.
“Não há outro caminho para o futuro que não passe por isso, por uma política séria de ciência, de tecnologia e de inovação. Se pegarmos exemplos no mundo, de países que saíram de terra arrasada, como Japão, Coreia do Sul, o processo foi o mesmo. Foi formar e consolidar quadros, pesquisadores e aí investir, de acordo com a vocação, numa política sério de ciências, tecnologia e inovações.”
Pedro relacionou tecnologia à agricultura e à industrialização da produção estadual.
Na segurança pública e no sistema prisional, defendeu ressocialização baseada em educação e profissionalização. Também propôs uma rede integrada de segurança e assistência destinada às mulheres vítimas de violência e defendeu ações de qualificação e acompanhamento psicossocial para servidores públicos.
Em seus confrontos, Pedro cobrou Marcos Rogério sobre a privatização da Eletrobras, a concessão da BR-364 e a situação da Caerd.
Marcos rejeitou a equivalência entre os casos, embora ambos tenham manifestado posição contrária à concessão da Caerd nas condições discutidas.
Pedro também questionou diretamente Fúria sobre o hospital municipal de Cacoal, perguntando se a unidade havia sido construída ou se funcionava em imóvel alugado.
Fúria confirmou a adaptação de um antigo prédio de faculdade e justificou a medida pela urgência do atendimento.
No debate sobre sistema prisional, Expedito Netto concordou com a necessidade de ressocialização, mas apresentou um modelo baseado na utilização do trabalho dos próprios presos para geração de receita destinada à educação e à profissionalização.
Pedro respondeu que iniciativas de profissionalização já existiam e ampliou sua argumentação para políticas preventivas baseadas na educação.
Sua participação teve como principais marcas a defesa de ciência e tecnologia, políticas educacionais e ressocialização, além de questionamentos sobre decisões administrativas e modelos apresentados pelos adversários.

Considerações finais: candidatos retomam propostas, alianças e diferenças políticas
As considerações finais deram aos seis candidatos espaço para resumir suas respectivas candidaturas depois das rodadas de perguntas, respostas, réplicas, tréplicas e direitos de resposta.
Marcos Rogério vinculou sua candidatura ao campo conservador, mencionou Flávio Bolsonaro e afirmou conhecer os 52 municípios de Rondônia.
Expedito Netto retomou críticas relacionadas à corrupção feitas ao longo do debate, reafirmou sua ligação com o presidente Lula, mencionou a defesa dos trabalhadores e declarou apoio a Luciana Oliveira para o Senado.
Samuel Costa utilizou o encerramento para responder às acusações pessoais feitas durante o programa e voltou a defender o corte de privilégios.
Pedro Abib direcionou sua mensagem final contra o que classificou como continuísmo e apresentou sua candidatura como alternativa de renovação administrativa.
Hildon Chaves adotou uma conclusão de tom diferente dos confrontos anteriores. Declarou-se o candidato mais preparado a partir da soma de idade e experiências acumuladas e chegou a atribuir, de maneira hipotética, funções aos adversários em uma eventual administração.
Adailton Fúria voltou à gestão de Cacoal e especialmente à área da saúde. Reafirmou que pretende transportar para o Governo de Rondônia experiências administrativas adotadas no município.
O debate terminou após uma noite marcada pela alternância entre propostas de governo e confrontos diretos. Saúde apareceu repetidamente nas intervenções de Marcos Rogério e Adailton Fúria; Samuel Costa enfatizou saúde mental e inclusão; Hildon Chaves apresentou resultados administrativos de Porto Velho; Expedito Netto apostou em industrialização e trabalho no sistema prisional; e Pedro Abib concentrou parte significativa de sua exposição em ciência, tecnologia e educação.
Ao mesmo tempo, Energisa, privatizações, concessões, administração municipal, hospital de Cacoal, rejeito de asfalto e acusações pessoais colocaram os candidatos em confronto. As intervenções da banca de direito de resposta delimitaram alguns dos episódios de maior tensão, especialmente nas trocas envolvendo Marcos Rogério, Samuel Costa e Expedito Netto.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





