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CEDECA afirma que Rondônia não tem programa para proteger crianças ameaçadas de morte após resposta da Sepog

CEDECA afirma que Rondônia não tem programa para proteger crianças ameaçadas de morte após resposta da Sepog
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Secretaria afirmou não ter localizado ação orçamentária individualizada para o programa até 2026; entidade contesta apresentação de políticas consideradas correlatas pelo Estado

Por Yan Simon - quarta-feira, 23/09/2026 - 11h21

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Thais Campos, presidenta do Cedeca/RO, e Vinicius Miguel, coordenador de Litigância Estratégica da entidade / Reprodução

Porto Velho, RO – O CEDECA/RO afirmou que Rondônia não possui o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) após a Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog) informar que não identificou ação orçamentária, rubrica ou dotação específica e individualizada destinada ao programa até o exercício de 2026.

A informação foi apresentada em resposta a um pedido formulado por meio da Lei de Acesso à Informação e consta na Informação nº 9/2026/SEPOG-CGD, assinada por Neuracy da Silva Freitas Rios, autoridade de monitoramento da Comissão de Gestão de Documentos da secretaria.

O pedido foi protocolado sob o nº 20260831173322849 para subsidiar uma Ação Civil Pública em tramitação na Vara de Proteção à Infância e Juventude da Comarca de Porto Velho, no Processo nº 7035088-80.2026.8.22.0001.

O CEDECA/RO solicitou informações sobre eventual existência de ação orçamentária, rubrica ou dotação específica para o PPCAAM, valores previstos, empenhados e liquidados nos três últimos exercícios e documentos de planejamento que mencionassem o programa ou o Programa Criança Protegida Rondônia.

Na Informação nº 95/2026/SEPOG-GEOG, a secretaria declarou que “não constatamos na estrutura orçamentária do Estado de Rondônia ação orçamentária, rubrica ou dotação específica e individualizada denominada ‘Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte – PPCAAM’ até o corrente exercício de 2026”.

A Sepog acrescentou que, diante da inexistência formal de dotação específica com essa denominação, ficou prejudicada a demonstração direta de valores previstos, empenhados e liquidados vinculados exclusivamente ao PPCAAM.

Na resposta, o governo apresentou três ações orçamentárias classificadas como correlatas. Uma delas é o Programa de Trabalho 08.243.2112.2837, destinado a promover e fortalecer o Programa Criança Protegida e vinculado à Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social.

Também foram mencionados o Programa de Trabalho 08.243.2087.4176, relacionado ao Programa Criança Protegida e alocado no Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza, e o Programa de Trabalho 08.243.2115.2093, destinado ao fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos de Criança e Adolescente, vinculado ao Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O CEDECA/RO sustenta que essas ações não equivalem ao PPCAAM e que políticas amplas voltadas à infância, assistência social ou garantia de direitos não atendem, por si só, à situação específica de crianças e adolescentes ameaçados de morte.

A presidenta da entidade, Thais Campos, afirmou que a manifestação da Sepog confirma uma situação que o CEDECA/RO diz denunciar há anos.

“A resposta da SEPOG confirma o que o CEDECA/RO vem denunciando há anos: Rondônia não possui PPCAAM. Os ‘programas correlatos’ que o governo apresenta são políticas amplas de infância e assistência social que, na prática, não respondem à natureza específica das violações que atingem crianças e adolescentes ameaçados de morte. Não se trata de programa equivalente. Trata-se de ausência. Enquanto o Estado não tiver rubrica específica, fluxo de proteção e equipe técnica dedicada, crianças ameaçadas continuarão desprotegidas. A transparência orçamentária é o primeiro passo para cobrar a implementação — e a SEPOG, ao não apresentar sequer a previsão no PPA, LDO ou LOA, dificulta o controle social”, declarou.

O coordenador de Litigância Estratégica do CEDECA/RO, professor da Universidade Federal de Rondônia e pesquisador de políticas públicas Vinicius Miguel também criticou a resposta apresentada pelo Estado.

“A resposta da SEPOG é reveladora: o Estado não apenas não tem PPCAAM, como tenta substituí-lo por ações genéricas — o que configura uma forma de omissão institucional mascarada de transparência. Sob a ótica da análise de políticas públicas, o que vemos é um orçamento que não reconhece a existência do problema. Crianças e adolescentes ameaçados de morte não são atendidos por programas de combate à pobreza nem por fundos de direitos genéricos. A ausência de rubrica específica significa ausência de responsabilização, de metas, de indicadores e de execução. E, como a própria SEPOG admite ao não apresentar PPA, LDO ou LOA com referência ao PPCAAM, o planejamento estadual simplesmente ignora essa população. Isso não é apenas falha orçamentária. É violação do dever constitucional de proteção integral”, afirmou.

Os dados apresentados na resposta mostram recursos destinados às ações classificadas como correlatas. A Ação 2837, da Seas, teve dotação atualizada de R$ 6.871.761,80 em 2025, com R$ 6.421.061,54 liquidados.

A Ação 4176, vinculada ao Fecoep, teve dotação de R$ 12.723.340,35 em 2025, com R$ 4,8 milhões empenhados e R$ 4,2 milhões liquidados. Já a Ação 2093, do Funedca, liquidou R$ 109.699,78 em 2024 e R$ 60.827,42 em 2025.

Segundo o CEDECA/RO, nenhum desses valores foi identificado especificamente como destinado ao PPCAAM.

A Sepog também orientou que o solicitante procurasse a Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social por ser responsável pela execução de políticas de assistência social.

A entidade questionou ainda a ausência, na resposta, de cópias dos documentos de planejamento solicitados. Segundo o CEDECA/RO, foram requeridas referências existentes no PPA, na LDO ou na LOA relacionadas ao PPCAAM ou ao Programa Criança Protegida Rondônia.

Para o CEDECA/RO, a resposta oficial demonstra que não há, na estrutura orçamentária estadual até 2026, uma rubrica específica e individualizada denominada PPCAAM. A entidade defende a implementação do programa e a criação de dotação própria para as ações direcionadas a crianças e adolescentes ameaçados de morte.

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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