Denúncia apresentada pelo Gaeco aponta suspeitas de milícia privada e lavagem de dinheiro em esquema investigado desde 2019 em municípios de Rondônia
Porto Velho, RO – Bens, direitos e valores estimados em R$ 31.370.845,49 estão entre os alvos de pedido apresentado pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO) à Justiça no âmbito da Operação “Labirinto de Bronze”. Além da perda do patrimônio supostamente relacionado às práticas criminosas investigadas, quatro pessoas foram denunciadas por fatos ligados, conforme a participação atribuída a cada uma delas, aos crimes de milícia privada e lavagem de dinheiro.
A denúncia foi oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), após investigação conduzida por meio de Procedimento Investigatório Criminal. Segundo o MPRO, as apurações apontaram a existência de mecanismos destinados, em tese, à ocultação e à dissimulação de patrimônio.
Entre os ativos alcançados pela investigação estão 1.611 cabeças de gado, sete veículos, imóveis rurais e urbanos, além de recursos movimentados por contas bancárias. Também foi identificada, de acordo com o Ministério Público, a utilização de pessoa jurídica e o registro de bens e direitos em nome de terceiros.
Ao todo, sete fatos relacionados à lavagem de capitais foram descritos na denúncia. Segundo o órgão, as operações teriam ocorrido de forma distinta e autônoma, envolvendo diferentes instrumentos de movimentação e ocultação patrimonial.
As investigações também alcançaram a suposta atuação de um grupo armado entre janeiro de 2019 e maio de 2026. Parte dos denunciados teria integrado uma estrutura considerada estável e permanente, com presença em conflitos agrários registrados nos municípios de Buritis, Ariquemes, Machadinho do Oeste e Cujubim.
Conforme os elementos reunidos pelo Gaeco, integrantes do grupo seriam utilizados na vigilância de propriedades rurais, retirada e intimidação de ocupantes, enfrentamentos com grupos rivais e outras ações relacionadas a disputas por terras. A investigação ainda aponta a possível prestação remunerada de serviços de segurança armada.
De acordo com a participação individual descrita na denúncia, foram atribuídos aos investigados crimes previstos no artigo 288-A do Código Penal, relacionado à constituição, organização, integração ou manutenção de milícia privada, além do artigo 1º, caput e § 2º, inciso I, da Lei nº 9.613/1998, que trata da lavagem de dinheiro.
O MPRO solicitou à Justiça o recebimento da denúncia, a citação e o processamento dos acusados. Ao final da ação penal, o órgão requer a condenação pelos crimes imputados a cada denunciado.
Também foi requerida a decretação da perda de bens, direitos e valores que, segundo a acusação, tenham relação direta ou indireta com os crimes investigados. Até o momento, o patrimônio abrangido pelas medidas assecuratórias já autorizadas judicialmente foi estimado em R$ 31.370.845,49.
A primeira fase da Operação “Labirinto de Bronze” foi deflagrada pelo Gaeco em 26 de maio de 2026. Na ocasião, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Ariquemes, Cujubim e Porto Velho.
A operação também resultou em medidas voltadas à preservação patrimonial, incluindo bloqueios financeiros, restrições sobre imóveis e veículos e a constrição de 1.611 cabeças de gado.
Em setembro de 2026, uma segunda etapa da operação foi realizada após o avanço das análises de aparelhos eletrônicos e documentos recolhidos anteriormente. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão em Ariquemes, além da aplicação de medidas cautelares diversas da prisão.
Nessa etapa, a Justiça também autorizou uma nova medida patrimonial. Foi determinado o sequestro de 50% das quotas, dos direitos societários e dos direitos econômicos vinculados a uma empresa com sede em Aparecida de Goiânia, em Goiás.
O Ministério Público de Rondônia informou que a atuação no caso integra as ações de enfrentamento à criminalidade organizada e à lavagem de dinheiro, além das medidas destinadas à recuperação de ativos considerados ilícitos.
Com informações de: Ministério Público de Rondônia
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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