Crescimento de 42% no eleitorado com deficiência, ampliação das seções acessíveis e conquista de mandatos legislativos reforçam debate sobre representatividade e direitos no Brasil
Porto Velho, RO – A presença de representantes ligados à defesa dos direitos das pessoas com deficiência ganhou espaço no cenário político brasileiro após as eleições de 2026. Um levantamento divulgado pelo portal Diário PcD identificou 18 candidatos eleitos para diferentes Casas Legislativas do país, incluindo pessoas com deficiência e políticos com atuação relacionada à acessibilidade e à inclusão. Para o ativista e colunista Jailton Delogo, os resultados reforçam a necessidade de ampliar a participação desse público nas decisões políticas e no acompanhamento das ações dos representantes eleitos.
Segundo o levantamento publicado pelo Diário PcD, os mandatos estão distribuídos entre nove deputados federais, seis deputados estaduais, dois senadores e um deputado distrital. A relação foi elaborada a partir do acompanhamento de candidaturas vinculadas à defesa da inclusão, da acessibilidade e dos direitos das pessoas com deficiência. O próprio levantamento esclarece que nem todos os eleitos possuem deficiência, uma vez que também foram considerados candidatos com trajetória pública ou atuação relacionada ao segmento.
Entre os nomes identificados para o Senado Federal estão Rogério Carvalho e Alessandro Vieira, ambos eleitos por Sergipe. Na Câmara dos Deputados, aparecem Amom Mandel, pelo Amazonas; Izalci Lucas, pelo Distrito Federal; Duarte Júnior, pelo Maranhão; Marcos Pollon, pelo Mato Grosso do Sul; Duda Salabert e Thiago Ganem, por Minas Gerais; Rosangela Moro, pelo Paraná; Aureo Ribeiro, pelo Rio de Janeiro; e Juliana Cardoso, por São Paulo.
Nas Assembleias Legislativas, a relação inclui Mário César Filho, do Amazonas; Rodrigo Cadeirante, de Minas Gerais; Cida Ramos, da Paraíba; Elika Takimoto, do Rio de Janeiro; e Carlos Giannazi e Kaká do Autismo, de São Paulo. Já na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o nome registrado é o de Robério. Entre os representantes mencionados, Marcos Pollon, Duda Salabert, Rodrigo Cadeirante e Kaká do Autismo são destacados no texto de Jailton Delogo pela relação com a pauta da inclusão.
Ao comentar os resultados, Delogo ressaltou que a representatividade não deve ser avaliada exclusivamente pela quantidade de parlamentares eleitos. Na avaliação do ativista, a presença de pessoas comprometidas com a inclusão contribui para manter assuntos relacionados à acessibilidade, às políticas públicas e à cidadania nas discussões legislativas.
“É válido citar essas pessoas, porque, embora nem todas sejam pessoas com deficiência, elas são agentes cruciais na mudança da representatividade e apoiam essa causa”, afirmou Jailton Delogo. Ele também considera que a participação de representantes ligados ao segmento pode ampliar o debate sobre direitos e garantir maior atenção às necessidades dessa população nos espaços de decisão.
Outro indicador observado nas eleições de 2026 foi o crescimento do número de pessoas com deficiência aptas a votar. Conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado desse segmento passou de 1.381.348, em 2022, para 1.970.165 em 2026. A diferença representa um aumento aproximado de 42% em quatro anos e estabelece o maior contingente de eleitores com deficiência já registrado pela Justiça Eleitoral.
Para Delogo, a ampliação desse eleitorado evidencia a importância do acesso à informação e da participação consciente no processo democrático. O ativista defende que as pessoas com deficiência conheçam os programas apresentados pelos candidatos e examinem quais propostas contemplam medidas concretas voltadas à acessibilidade e à garantia de direitos.
“Quanto mais consciente for a pessoa, mais condições ela terá de decidir e de discernir quem melhor a representa”, declarou. Segundo ele, a escolha dos representantes deve considerar não apenas o posicionamento dos candidatos durante as campanhas, mas também os projetos apresentados e o compromisso com políticas que atendam às demandas das pessoas com deficiência.
Paralelamente ao aumento do número de eleitores, foram ampliadas as estruturas de acessibilidade nos locais de votação. Dados do TSE apontam que a quantidade de seções eleitorais principais acessíveis passou de 156.296, nas eleições de 2022, para 220.577 em 2026. A expansão corresponde a aproximadamente 41% e integra as medidas adotadas para facilitar o exercício do voto por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
A Justiça Eleitoral também disponibiliza recursos destinados a proporcionar maior autonomia aos eleitores durante a votação. Entre as ferramentas existentes estão teclados com identificação em Braille, sistema de áudio com voz sintetizada e intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na tela das urnas eletrônicas. Os mecanismos buscam atender diferentes necessidades e reduzir obstáculos enfrentados por eleitores com deficiência visual ou auditiva.
Na avaliação de Jailton Delogo, o crescimento do eleitorado precisa ser acompanhado por medidas que assegurem condições efetivas de participação. O colunista entende que a evolução dos recursos de acessibilidade representa uma etapa importante para garantir o direito de escolha, mas destaca que o envolvimento político desse segmento deve continuar após a votação.
O ativista também chama a atenção para a responsabilidade dos eleitores no acompanhamento das atividades parlamentares. Segundo ele, a participação política não se limita à escolha dos candidatos, pois inclui a fiscalização de mandatos, a cobrança pelo cumprimento de compromissos e o acompanhamento de propostas legislativas relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência.
“A cidadania não termina na cabine de votação. Ela continua depois da eleição, acompanhando, fiscalizando e cobrando daqueles que receberam a confiança do eleitor”, destacou Delogo.
Para o colunista, a ampliação da presença de pessoas com deficiência no processo eleitoral e a eleição de representantes ligados à inclusão demonstram a importância da continuidade das discussões sobre acessibilidade nas instituições públicas. Ele defende que o segmento participe diretamente da formulação de políticas e tenha condições de influenciar decisões que afetam sua vida cotidiana.
Delogo também ressalta que a representatividade política deve estar associada ao conhecimento dos direitos e à capacidade de avaliar a atuação dos agentes públicos. Em sua avaliação, quanto maior for o acesso à informação, melhores serão as condições para que eleitores com deficiência identifiquem propostas, acompanhem resultados e participem das decisões coletivas.
“Não há eleição se todos não puderem participar. Todos nós temos o direito de exercer a cidadania e o nosso direito de escolha”, afirmou o ativista.
Os dados sobre o eleitorado, a ampliação das seções acessíveis e o levantamento dos mandatos legislativos apresentam diferentes aspectos da participação política de pessoas com deficiência no Brasil. Para Jailton Delogo, a continuidade desse processo depende tanto das condições de acessibilidade oferecidas pelo poder público quanto da participação dos cidadãos na escolha, no acompanhamento e na fiscalização de seus representantes.
Outras informações e conteúdos publicados por Jailton Delogo sobre os direitos das pessoas com deficiência podem ser encontrados no Instagram, por meio do perfil @jailtondelogo.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





