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VACINAÇÃO DE ADOLESCENTES

Quase 4 milhões de doses contra dengue estão sem aplicação e 3 milhões de adolescentes precisam completar vacinação

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Ministério da Saúde alerta para baixa adesão à segunda dose antes do verão; esquema vacinal exige intervalo de três meses e imunização está disponível em todo o Brasil

Por Yan Simon - terça-feira, 27/10/2026 - 09h57

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Porto Velho, RO – A proximidade do verão, período marcado pelo aumento da circulação do vírus da dengue no Brasil, trouxe uma preocupação para as autoridades sanitárias: quase 4 milhões de doses de vacina encaminhadas aos municípios permanecem sem aplicação. Ao mesmo tempo, mais de 3 milhões de adolescentes que iniciaram a imunização ainda não retornaram às unidades de saúde para receber a segunda dose, necessária para completar o esquema vacinal.

O cenário foi apresentado pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada na semana passada, no Rio de Janeiro. Segundo os números divulgados, o país contabiliza mais de 11,8 milhões de doses administradas contra a dengue, das quais 7,6 milhões correspondem à primeira aplicação e 4,2 milhões à segunda.

A vacinação exige duas aplicações, com intervalo de três meses entre elas. A proteção completa prevista pelo esquema somente é alcançada após a administração da segunda dose, tornando necessário o retorno dos adolescentes aos postos de saúde.

A preocupação das autoridades também está relacionada às condições climáticas previstas para os próximos meses. O fenômeno El Niño pode favorecer uma elevação mais intensa dos casos de dengue durante o verão, quando a transmissão da doença normalmente apresenta crescimento em diferentes regiões brasileiras.

Durante a apresentação, Gatti destacou as dificuldades enfrentadas para ampliar a adesão à vacinação entre adolescentes, especialmente quando não existe uma percepção imediata dos riscos associados à doença. Segundo ele, o período de menor circulação do vírus é o mais adequado para realizar a imunização e permitir que a população chegue à temporada de maior transmissão com a proteção vacinal concluída.

Atualmente, a vacina contra a dengue está disponível em todo o território nacional para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Inicialmente, a campanha foi direcionada aos municípios com maior incidência da doença, mas a oferta foi ampliada gradualmente até alcançar todas as regiões do país.

A definição dessa faixa etária considerou os estudos científicos disponíveis quando a vacina foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Na ocasião, as evidências de segurança eram mais consistentes para pessoas entre 4 e 16 anos. Dentro desse grupo, crianças e adolescentes de 10 a 14 anos apresentavam maior risco de desenvolver formas graves da doença.

O diretor do PNI informou que novas pesquisas vêm ampliando o conhecimento sobre a segurança do imunizante. Entretanto, uma eventual extensão da vacinação para pessoas de outras idades dependerá de análises adicionais envolvendo critérios sanitários, capacidade operacional e disponibilidade orçamentária.

Em relação ao abastecimento, o Ministério da Saúde informou que o fornecimento da Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda, está assegurado para o público atualmente contemplado pela campanha. A capacidade de fabricação, porém, ainda não permite atender simultaneamente toda a população brasileira.

Além dos quantitativos recebidos em 2024 e 2025, existe um contrato para o fornecimento de 9 milhões de doses em 2026 e outras 9 milhões em 2027. A programação busca garantir a continuidade da imunização conforme as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Outra questão abordada durante o encontro foi a suspensão da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida permanece em vigor desde junho de 2026, após a identificação de três casos graves da doença entre mais de 500 mil pessoas vacinadas. Dois desses casos resultaram em mortes.

Até o momento, não foi comprovada uma relação causal entre a vacinação e os episódios registrados. Entretanto, a proximidade temporal entre a aplicação do imunizante e o desenvolvimento da doença foi considerada um sinal de segurança que exige investigação complementar.

Gatti explicou que a suspensão não representa o cancelamento definitivo da vacina. A continuidade de sua utilização dependerá dos resultados de novos estudos destinados a esclarecer os acontecimentos e avaliar possíveis riscos associados ao produto.

A vacina desenvolvida pelo Butantan era considerada uma alternativa para ampliar significativamente a cobertura vacinal no Brasil. De acordo com o diretor do PNI, o planejamento inicial previa imunizar entre 40 milhões e 60 milhões de pessoas anualmente, o que permitiria alcançar toda a população elegível em aproximadamente três anos.

Apesar da interrupção temporária, o representante do Ministério da Saúde classificou o imunizante nacional como “uma grande esperança para o país”. Ele ressaltou, contudo, que todas as dúvidas relacionadas à segurança precisarão ser esclarecidas antes de qualquer retomada da aplicação.

Enquanto os estudos sobre a vacina do Butantan prosseguem, a estratégia nacional permanece concentrada na utilização da Qdenga e na conclusão dos esquemas vacinais já iniciados. O retorno dos adolescentes para a segunda dose é considerado fundamental para ampliar a proteção do público atendido antes do período de maior circulação da dengue.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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