Profissionais denunciam intimidação contra jornalista durante cobertura no Salão Verde, em Brasília
Porto Velho, RO – A cobrança por providências e investigação passou a marcar a reação de entidades representativas do jornalismo após o relato de hostilidade sofrida pela jornalista Manuela Borges, do Portal ICL Notícias, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília. O episódio ocorreu na tarde de terça-feira (23), durante cobertura jornalística, e motivou a divulgação de uma nota pública na quarta-feira (24).
Segundo o posicionamento conjunto, a situação foi classificada como inaceitável e absurda, com registro de violência grave e coação contra uma profissional no exercício da função dentro de uma Casa legislativa. O documento recebeu assinaturas do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, do Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, da Federação Nacional de Jornalistas e da Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ.
De acordo com o relato, a jornalista foi cercada e intimidada por cerca de 20 servidores de gabinetes parlamentares após questionar parlamentares do Partido Liberal sobre a instalação de outdoors no Distrito Federal com imagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF). A abordagem ocorreu durante uma entrevista coletiva de parlamentares de oposição ao governo federal, acompanhada por assessores e pessoas que realizavam filmagens sem credenciamento.
Após a pergunta, a repórter passou a ser alvo de hostilidade, com celulares posicionados muito próximos ao rosto e gritos em tom de intimidação. Em entrevista à Agência Brasil, Manuela Borges afirmou que o papel do jornalista é fazer perguntas e que não pode haver violência por causa disso.
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As entidades também apontaram que o episódio se insere em um contexto de violência de gênero, destacando que o cerco agressivo contra uma mulher jornalista busca silenciar questionamentos e fragilizar a presença feminina em espaços de poder. No texto, foi ressaltado que a liberdade de imprensa é um pilar da democracia e não pode ser restringida por coação física ou psicológica praticada por servidores públicos.
Ainda conforme a nota, a Polícia Legislativa, que estava presente no local, não teria interferido para garantir a integridade da jornalista durante a ocorrência. Para os representantes da categoria, o caso ultrapassa o ataque individual e configura um ataque direto à profissão e ao exercício do jornalismo.
As entidades informaram que solicitarão à Presidência da Câmara dos Deputados a apuração imediata e rigorosa do episódio, além da responsabilização administrativa e legal de servidores e parlamentares envolvidos. Também foram cobradas medidas de segurança para assegurar o livre exercício da atividade jornalística em todas as dependências do Congresso Nacional. Uma representação formal será apresentada, acompanhada de imagens e vídeos que auxiliem na identificação dos envolvidos.
Segundo o relato das entidades, entre os agressores havia pessoas identificadas com crachá de servidores de gabinetes parlamentares e militantes políticos. Apesar do ocorrido, Manuela Borges afirmou que pretende manter normalmente a cobertura jornalística na Câmara, atividade que exerce há mais de duas décadas. Em 2014, ela também relatou ter sido ofendida pelo então deputado federal Jair Bolsonaro após questionamentos sobre o golpe de 1964.
Com informações de: Agência Brasil
