Produção de Ji-Paraná utiliza vivência pessoal do diretor para construir narrativa poética que aborda solidão, vínculos e experiências homoafetivas
Porto Velho, RO – A partir de uma proposta estética que mistura videoperformance, documentário e ficção, o curta-metragem “Sussurros na Água” apresenta uma reflexão sobre os vínculos afetivos na sociedade contemporânea, explorando temas como intimidade, solidão e as formas de se relacionar. A obra é dirigida por Otavio de Sousa e produzida pela Auá Filmes, produtora independente de Ji-Paraná.
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No desenvolvimento do projeto, a narrativa foi diretamente impactada pela participação de Cristiam Velozo, cuja relação com o diretor ultrapassou o campo artístico e passou a integrar o próprio eixo da construção do filme. Com isso, o trabalho assumiu características mais próximas do documentário, incorporando elementos surgidos durante o processo de gravação.
Segundo o diretor, a ideia inicial partiu de uma imagem simples e cotidiana. “A ideia era inicialmente apenas uma imagem solta, um banho com outra pessoa”, afirmou, ao explicar que a proposta original previa a atuação de um ator, hipótese que foi alterada após a confirmação da participação de Cristiam. A mudança conduziu o projeto para uma abordagem mais pessoal, intensificando as experimentações com o elemento água.
Ao longo da obra, a água aparece em diferentes contextos, como chuveiro, chuva e rio, sendo utilizada como recurso simbólico para representar as dinâmicas das relações humanas. A metáfora construída associa o elemento tanto à liberdade e ao afeto quanto à superficialidade, sugerindo vínculos que permanecem na superfície, sem aprofundamento.

Essa construção dialoga com conceitos como “Amor Líquido”, formulado por Zygmunt Bauman, que descreve relações afetivas marcadas pela fragilidade e transitoriedade, além da ideia de “intimidade sintética”, abordada pelo psicanalista André Alves, que trata de conexões que simulam proximidade sem necessariamente estabelecer profundidade.
No desenvolvimento da narrativa, o filme evidencia a tensão entre encontros de natureza sexual e a ausência de intimidade fora desses momentos. A relação retratada mantém-se em um ciclo de repetição, indicando permanência sem transformação ao longo do tempo.
Apesar de partir de uma experiência pessoal, o diretor afirma que não há intenção de direcionar a interpretação do público. Ele descreve a obra como “um filme muito simples e muito particular, feito em um lugar de honestidade”, destacando o caráter subjetivo da produção.
A abordagem estética evita a exposição explícita da sexualidade, priorizando cenas marcadas por silêncio, contemplação e sensibilidade. As interações entre os personagens são apresentadas de forma sutil, deslocando o foco para a dimensão emocional dos encontros.

Ao tratar experiências homoafetivas de maneira natural, o curta amplia o debate sobre afeto e relações contemporâneas a partir de uma perspectiva LGBTQIAPN+, inserida em um contexto social conservador como o de Rondônia. A proposta busca estimular reflexões que ultrapassam a experiência individual, alcançando diferentes formas de vínculo presentes na sociedade atual.
O projeto foi contemplado pelo Edital nº 01/2024/SEJUCEL – LPG Audiovisual – Bolsas Culturais para Artes em Vídeo. A produtora responsável, Auá Filmes, atua na criação de conteúdos voltados a questões culturais, socioambientais e de direitos humanos.
A obra terá exibição de teste no dia 20 de março, às 20h, no Cine Laser, localizado no IG Shopping Ji-Paraná, com distribuição de senhas a partir das 19h30, seguida de bate-papo. Também haverá exibição virtual no dia 21 de março, com disponibilização do vídeo das 20h às 22h no canal do diretor na plataforma Vimeo. A entrada é gratuita, com classificação indicativa de 16 anos, e a programação conta com recursos de acessibilidade, incluindo legendagem descritiva e intérprete de Libras no debate.
Com informações de: Carolina Mello / Assessoria
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