Avanço foi impulsionado por emissões de títulos prefixados e aumento da dívida externa, segundo o Tesouro Nacional
Porto Velho, RO – O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) registrou crescimento em fevereiro e atingiu R$ 8,841 trilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado representa alta de 2,31% em relação a janeiro, quando o total estava em R$ 8,641 trilhões.
A expansão foi influenciada principalmente pela emissão líquida de títulos públicos. No período, foram emitidos R$ 102,81 bilhões a mais do que o volume resgatado, com destaque para papéis prefixados. A esse movimento somou-se a incorporação de R$ 77,76 bilhões em juros ao estoque da dívida, prática que reconhece mensalmente a correção aplicada aos títulos.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) avançou para R$ 8,511 trilhões, com crescimento de 2,17%. Em fevereiro, o Tesouro Nacional emitiu R$ 143,26 bilhões em títulos e realizou resgates de R$ 40,46 bilhões, mantendo a trajetória de aumento do endividamento.
No caso da dívida externa, o aumento foi ainda mais expressivo. O estoque subiu 6,13%, alcançando R$ 329,65 bilhões. O resultado foi impactado pela emissão de US$ 4,5 bilhões em títulos no mercado internacional, mesmo com a queda de 1,54% do dólar no período.
O colchão da dívida pública, reserva financeira utilizada para cobrir vencimentos e enfrentar instabilidades, também apresentou elevação. O volume passou de R$ 1,085 trilhão em janeiro para R$ 1,192 trilhão em fevereiro. Segundo o Tesouro, o aumento decorreu da emissão líquida registrada no mês.
Atualmente, essa reserva cobre 6,41 meses de vencimentos da dívida. Para os próximos 12 meses, está previsto o pagamento de R$ 1,44 trilhão em títulos federais. A expectativa é de redução desse indicador no próximo resultado, após a recompra de cerca de R$ 49 bilhões em títulos realizada em março.
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A composição da dívida sofreu alterações no período, com aumento da participação dos títulos prefixados, que passaram de 20,65% para 21,33%. Os papéis atrelados à Selic recuaram para 49,1%, enquanto os corrigidos pela inflação ficaram em 25,85%. Já os títulos vinculados ao câmbio subiram para 3,71%.
De acordo com o Plano Anual de Financiamento, a projeção é de que a dívida pública encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O documento também estabelece faixas para a composição dos títulos, com maior previsibilidade associada aos papéis prefixados.
O prazo médio da dívida variou de 4,03 para 4 anos, indicador que representa o tempo necessário para o refinanciamento do estoque. Prazos mais longos são interpretados como sinal de maior confiança por parte dos investidores.
Entre os detentores da dívida interna, as instituições financeiras lideram, com 31,76% do total. Fundos de pensão respondem por 22,59%, seguidos pelos fundos de investimento, com 21,58%. Investidores estrangeiros detêm 10,75% da dívida, percentual que registrou leve aumento em relação a janeiro.
O crescimento da participação de não residentes ocorreu em um cenário de menor tensão no mercado financeiro durante fevereiro. O indicador atingiu o maior nível desde novembro de 2024, refletindo maior interesse internacional nos títulos brasileiros.
Por meio da dívida pública, o governo capta recursos junto a investidores para financiar suas obrigações. Em contrapartida, compromete-se a devolver os valores acrescidos de correções, que podem estar vinculadas à taxa Selic, à inflação, ao câmbio ou definidas previamente.
Com informações de: Agência Brasil
