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ENTREVISTA
Adaílton Fúria mira o governo atacando omissões, pedágio e colapso da saúde pública

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Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, o então prefeito de Cacoal associou a disputa de 2026 a críticas diretas sobre BR-364, João Paulo II, ausência de representatividade política e falhas estruturais na segurança e na saúde

Por Vinicius Canova - terça-feira, 07/04/2026 - 16h25

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Porto Velho, RO – Adaílton Fúria afirmou, em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, que decidiu renunciar ao cargo de prefeito de Cacoal para disputar o Governo de Rondônia e usou a conversa para concentrar críticas em temas que, segundo ele, expõem impasses históricos do estado. Ao longo da entrevista, o pré-candidato tratou como centrais os problemas da BR-364, a cobrança de pedágio em meio a buracos na rodovia, a pressão sobre o Hospital João Paulo II, a ausência de hospital municipal em Porto Velho por longo período, a carência de efetivo policial e o que chamou de deficiência de representatividade política de Rondônia em Brasília.

Logo no início, ao comentar o deslocamento de cerca de 500 quilômetros até Porto Velho, Fúria transformou a viagem em argumento político e atacou o modelo implantado na BR-364. Em resposta ao apresentador, declarou: “Parabéns. Mas você sabe qual foi o pior dos 500 quilômetros? Foi a hospedagem, meu amigo. O pedágio e os buracos. Porque os buracos a gente já acostumou, eles sempre existiram. Só que agora você paga pra andar nos buracos.” Mais adiante, ao voltar ao tema da concessão, elevou o tom e disse: “Cara, isso aí tapa na cara da sociedade, né? Isso aí é um tapa na cara da sociedade. Eu tô revoltado porque eu andei 500 quilômetros pra vir no seu programa. Eu vim pagando pedágio de lá, aqui, batendo de buraco e correndo pro acostamento pra escarreta não passar em cima da gente.”

Na mesma linha, o entrevistado direcionou a crítica à bancada federal e, especialmente, ao Senado. Ao tratar da concessão da rodovia como problema federal com efeitos diretos sobre Rondônia, afirmou que a reação política ocorreu tarde demais. Segundo ele, “a bancada federal de Rondônia tem uma responsabilidade muito grande com isso, principalmente o Senado. O Senado. Cara, o Senado é a maior força política de um Estado. Lá as cadeiras são divididas de maneira igualitária.” Em seguida, acrescentou que não viu atuação antecipada para barrar o processo e sustentou que, quando surgiram reações, o contrato já estava consolidado. Na entrevista, ele resumiu esse raciocínio dizendo que a crise da BR-364 não será resolvida apenas com rotas alternativas, mas com “representatividade política”.

O embate mais extenso e mais sensível da entrevista ocorreu quando Robson Oliveira perguntou sobre a situação do João Paulo II e sobre a promessa recorrente de construção de um novo pronto-socorro em Porto Velho. Fúria respondeu deslocando parte da responsabilidade para a prefeitura da capital e afirmou que a cidade deveria ter construído seu próprio hospital municipal há muito tempo. Ao desenvolver esse argumento, fez uma diferenciação entre hospital, UPA e estrutura estadual, e declarou que Porto Velho empurrou para o estado uma obrigação que, na visão dele, também caberia ao município. Em uma das passagens mais incisivas da conversa, disse: “Porque lá na cidade que eu venho, tem um hospital do Estado, mas nem por isso eu joguei a minha obrigação como prefeito pra cima do Estado. Eu fiz a minha obrigação como gestor. Eu fui lá e construí, fiz um hospital municipal.” Na sequência, reforçou a crítica à lógica administrativa que, segundo ele, tratou pacientes sem prioridade e completou: “Pessoas não são objetos. Pessoas são pessoas.”

Ao falar da capital, Fúria citou nominalmente o prefeito Léo Moraes e afirmou que a tentativa de compra de um hospital em Porto Velho deveria ter ocorrido anos antes. Também defendeu que o futuro governador precisará atuar em parceria com a prefeitura para manter uma estrutura municipal de saúde e, paralelamente, buscar solução para o João Paulo II. Na entrevista, declarou que a estrutura do hospital estadual está comprometida “desde a época do Ivo Cassol” e vinculou essa avaliação à própria experiência pessoal e política. Ele relatou: “A minha avó faleceu dentro do João Paulo. O meu tio faleceu recentemente dentro do João Paulo. Então eu sei o que é aquilo.” Também disse que, quando deputado e integrante da Comissão de Saúde, sua equipe registrou imagens que circularam no estado mostrando pacientes em condições precárias dentro da unidade.

Ainda no eixo da saúde, o entrevistado afirmou que a discussão sobre o João Paulo II não pode se restringir à cobrança sobre o governo estadual sem envolver o papel do município de Porto Velho. Segundo ele, enquanto a capital continuar encaminhando sua demanda estrutural para a rede estadual, não haverá solução suficiente. Ao comentar a defesa de um hospital municipal em Porto Velho, disse: “UPAs não são hospitais. UPAs são prontos de atendimento, bem diferente de hospital.” Em outro momento, associou a falta de prioridade na saúde a escolhas políticas e declarou que há agentes públicos que “não gostam de saúde” e que não colocam o setor como prioridade de gestão.

Na segurança pública, Fúria também adotou tom duro. Ao ser questionado sobre o avanço das facções e sobre o peso do tema na campanha, afirmou de forma direta: “Mas a facção está comandando a política. A facção tá comandando a política, rapaz.” Em seguida, ampliou a crítica para além da criminalidade convencional e mencionou o Banco Master e o INSS como exemplos do que classificou, em termos políticos, como estruturas predatórias. Nessa linha, afirmou: “Tem uma facção pior que o Banco Master? O que o Banco Master está fazendo com o país? O INSS? Tem facção maior ligada a esse conjunto de política que está saqueando os cofres do Brasil?” Embora a pergunta do apresentador estivesse centrada no combate à violência e às facções em Rondônia, Fúria articulou a resposta com uma leitura mais ampla do funcionamento do poder público e da corrupção.

Ao voltar à política de segurança estadual propriamente dita, o pré-candidato elogiou a Polícia Militar de Rondônia e defendeu reestruturação da Polícia Civil, investimento em inteligência e contratação massiva de efetivo. Disse que a PM atua com pouca estrutura e pouco contingente, mas ainda assim coíbe o crime. Na entrevista, sustentou que a ausência de policiais nas ruas amplia a sensação de domínio do crime organizado e citou um déficit estimado por ele entre 5 mil e 6 mil homens na corporação. Também afirmou que o enfrentamento às facções exige trabalho de inteligência, ação investigativa e planejamento para não expor ainda mais a população ao risco.

Outro momento politicamente sensível surgiu quando Robson Oliveira questionou o apoio declarado do governador Marcos Rocha à pré-candidatura de Fúria e observou que adversários tenderão a transferir para ele os desgastes do atual governo. Fúria respondeu que não pretende esconder o apoio, mas tratou de demarcar distância administrativa. Disse que o governador conduziu o estado “do jeito dele” e que, caso eleito, ele próprio governará “do meu jeito”. Em um dos trechos mais explícitos dessa separação, afirmou: “O fato dele estar me apoiando não quer dizer que eu tenho que dar continuidade naquilo que não está funcionando.” Na mesma resposta, atacou o uso eleitoral desse tipo de associação e declarou que essa tentativa de confundir o eleitor é própria, segundo suas palavras, de “político mal caráter”, porque, de acordo com ele, esse tipo de agente só vence eleição “se ele tentar enganar o eleitor”.

Ainda no campo das declarações de maior carga política, Fúria fez menção ao comportamento de agentes públicos diante de crises. Ao fim da entrevista, depois de reafirmar que trabalha com “plano A” e não com “plano B”, acrescentou uma frase final também de forte teor simbólico: “É que eu conheço todos os políticos de Rondônia e muitos têm um plano B. Sabe o que é? Quando o bicho pega, vai pra Miami.” Embora, na sequência, tenha afirmado que não falava de ninguém especificamente, a frase foi lançada como recado político no encerramento da conversa.

No terço final da entrevista, Fúria passou a detalhar aspectos de sua gestão em Cacoal que pretende levar como credencial para a disputa estadual. Ao ser perguntado sobre sua principal marca administrativa, respondeu sem hesitar que é a saúde. Disse que, além de obras de infraestrutura e pavimentação de mais de 230 ruas e avenidas com drenagem, considera que o principal legado foi a estruturação da rede municipal de atendimento. Citou a maternidade de Cacoal, que, segundo ele, recebeu reconhecimento nacional, o hospital municipal, o pronto atendimento 24 horas, o hospital de campanha para Covid-19 montado em menos de 15 dias e o pronto-socorro infantil que atende crianças do município e da região.

Na educação, Fúria afirmou ter implantado o piso salarial da categoria em Cacoal e disse que não utilizou o piso como valor mínimo, mas como base de recomposição remuneratória. Segundo ele, professores mais antigos estariam recebendo remuneração próxima de R$ 15 mil e a gestão teria aplicado quase 70% de reajuste, obedecendo plano de cargos e salários. Também afirmou que, na enfermagem, parte da categoria recebe o piso e que houve recomposições salariais escalonadas para servidores do município em geral, mencionando percentuais diversos conforme os níveis de escolaridade. Acrescentou que realizou concurso público e convocou 1.200 servidores, informando ainda índices fiscais que, segundo ele, ficaram em 46% em 2024, 48% em 2025 e 51% no fechamento mais recente citado na entrevista.

No campo econômico, o então prefeito de Cacoal destacou a agricultura familiar e a produção de café como eixo central de Rondônia, afirmando que o pequeno produtor sustenta parte importante da economia estadual. Disse que, quando assumiu Cacoal, saíam cerca de 50 mil sacas de café do município e que esse volume teria alcançado 400 mil sacas. Também elogiou a atuação do governador Marcos Rocha na promoção do café e do peixe produzidos em Rondônia, afirmando que o chefe do Executivo estadual é “um bom vendedor”. Ao mesmo tempo, defendeu que o estado concentre atenção em estradas, balizamento, escoamento e logística, tanto para o grande quanto para o pequeno produtor.

Ao final, ao ser questionado sobre por que o eleitor fora de Cacoal deveria votar nele, Fúria apresentou como síntese de sua candidatura a condição de rondonienses nascido no estado, a juventude, o conhecimento do território e a experiência à frente de uma prefeitura que, segundo ele, é entregue com elevado índice de aprovação. Na resposta final, associou a candidatura à ruptura com a política tradicional e repetiu a ideia de que trabalha apenas com “plano A”. Disse ainda que pretende ser “o primeiro governador nascido no estado de Rondônia” e sustentou que sua trajetória em Cacoal demonstra disposição de enfrentar problemas diretamente.

10 FRASES DE FÚRIA AO RESENHA POLÍTICA

01) “Só que agora você paga pra andar nos buracos.”

A frase foi dita quando Adaílton Fúria relatava a viagem de cerca de 500 quilômetros até Porto Velho e transformou o deslocamento em crítica direta à BR-364, unindo pedágio, buracos e insatisfação com a situação da rodovia.

02) “Isso aí é um tapa na cara da sociedade.”

A declaração apareceu no momento em que o entrevistado tratava da concessão da BR-364 e do modelo de cobrança de pedágio em meio às más condições da estrada, associando o caso à omissão política.

03) “A bancada federal de Rondônia tem uma responsabilidade muito grande com isso, principalmente o Senado.”

Fúria usou a frase para deslocar a discussão da rodovia para a representação política do estado em Brasília, atribuindo ao Senado papel central na incapacidade de barrar ou alterar o processo.

04) “Pessoas não são objetos. Pessoas são pessoas.”

A fala surgiu durante o debate sobre saúde pública, quando ele criticou a transferência de responsabilidades para o estado e justificou a criação de estruturas municipais de atendimento em Cacoal.

05) “UPAs não são hospitais. UPAs são prontos de atendimento, bem diferente de hospital.”

O trecho foi usado para diferenciar tipos de equipamento público de saúde, no momento em que defendia que Porto Velho deveria ter hospital municipal para aliviar a pressão sobre o João Paulo II.

06) “Mas a facção está comandando a política.”

A frase foi lançada por Fúria quando o apresentador introduziu o tema da expansão das facções criminosas em Rondônia e do peso da segurança pública no debate eleitoral.

07) “Tem uma facção pior que o Banco Master?”

Ao ampliar o raciocínio sobre facções para além do crime organizado tradicional, o entrevistado vinculou a crítica a estruturas de poder e de saque aos cofres públicos, em uma das passagens mais agressivas da entrevista.

08) “O que resolve o problema da BR-364 se chama representatividade política.”

A afirmação apareceu depois de ele reconhecer a importância de rotas alternativas e obras rodoviárias, mas sustentar que a solução principal depende de força política e articulação institucional.

09) “O fato dele estar me apoiando não quer dizer que eu tenho que dar continuidade naquilo que não está funcionando.”

A frase foi dita quando Robson Oliveira perguntou sobre o apoio do governador Marcos Rocha e sobre a possibilidade de adversários tentarem colar na candidatura dele os problemas do atual governo.

10) “Quando o bicho pega, vai pra Miami.”

A observação foi feita no encerramento, depois de Fúria reafirmar que não trabalha com “plano B”, transformando a ideia em crítica indireta a políticos que, segundo ele, deixam o país ou se afastam diante de crises.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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