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ELEIÇÕES 2026
Samuel Costa critica polarização, propõe mudanças na segurança e dispara críticas contra Marcos Rogério

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Em entrevista ao BotoCast, apresentado por Alzir Queiroz, pré-candidato do PSB ao Governo de Rondônia fez críticas duras a adversários, ao funcionamento da máquina pública, à ausência de políticas para mulheres e ao que classificou como omissão estrutural do Estado em áreas como saúde, segurança e assistência social

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 23/04/2026 - 07h18

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Porto Velho, RO – A defesa de mudanças estruturais na segurança pública, acompanhada de críticas diretas a políticos e ao funcionamento do Estado, marcou uma das passagens mais incisivas da entrevista concedida pelo pré-candidato ao governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, ao BotoCast, apresentado por Alzir Queiroz. Ao longo da conversa, ele detalhou propostas administrativas, comentou o cenário político local e nacional e adotou tom contundente ao tratar de corrupção e atuação de agentes públicos.

No campo da segurança, Samuel afirmou que pretende reverter o que considera desvio de função dentro das corporações. Segundo ele, policiais atualmente cedidos a órgãos como Tribunal de Justiça, Ministério Público, Assembleia Legislativa e Tribunal de Contas deveriam retornar às atividades operacionais. Ele declarou que a medida seria adotada por meio de decreto, com a finalidade de reforçar o policiamento ostensivo e preventivo. Também defendeu melhores condições salariais e estruturais para a categoria, afirmando que o discurso oficial de valorização não corresponde à realidade enfrentada pelos profissionais.

Durante essa mesma abordagem, o pré-candidato destacou problemas relacionados à saúde mental dos agentes de segurança e mencionou quadros de depressão, ansiedade e doenças psicossomáticas. Ao tratar de remuneração, afirmou que pretende implementar um pagamento de R$ 1.980 para servidores que estejam diretamente envolvidos no combate ao crime, além de propor investigação sobre operações de crédito consignado que, segundo ele, comprometem a renda de servidores estaduais.

Ainda na área da segurança, Samuel apontou falhas no atendimento às mulheres vítimas de violência. Ele afirmou que o estado não dispõe de delegacias da mulher funcionando 24 horas e classificou a situação como grave, mencionando que Rondônia ocupa posição elevada em índices de feminicídio. Em tom ilustrativo, disse que vítimas acabam aguardando até o dia seguinte para registrar ocorrência por falta de estrutura adequada.

O tom da entrevista se intensificou quando o pré-candidato passou a comentar corrupção e enriquecimento no serviço público. Ele afirmou que qualquer agente público que acumule patrimônio exclusivamente a partir da função deve ser considerado criminoso. “Todo e qualquer servidor público […] que enriquece no serviço público, ele é ladrão”, declarou. Em seguida, ampliou a crítica a diferentes esferas de poder, associando esse tipo de enriquecimento a práticas ilícitas.

Ao citar sua trajetória, Samuel mencionou passagem pelo IPAM e afirmou que teve oportunidades de corrupção, mas não aderiu a elas. Disse ainda que seu patrimônio estaria declarado e vinculado a uma única conta bancária, defendendo coerência entre discurso e prática como condição para criticar terceiros.

No campo político, ele fez críticas diretas ao senador Marcos Rogério, classificando-o como alguém que muda de posição conforme o cenário eleitoral. “É gente que não tem identidade nenhuma”, afirmou ao comentar o que considera comportamento oportunista dentro da política.

A entrevista também abordou a polarização ideológica. Samuel criticou o ambiente de divisão entre lulismo e bolsonarismo e afirmou que esse cenário prejudica o debate público. Segundo ele, críticas a um campo político frequentemente levam à rotulação automática no outro. “O mundo não é só azul e vermelho”, disse, ao defender maior equilíbrio e abertura ao diálogo.

Apesar disso, afirmou que não considera viável um diálogo mais amplo com a extrema direita, embora tenha reconhecido que já encontrou pessoas educadas nesse espectro. Citou nomes do cenário local para sustentar que o contato direto pode revelar características que não aparecem nos embates públicos.

Em relação à própria candidatura, Samuel disse que pretende se apresentar como alternativa à polarização e ao que chamou de simplificação do debate político. Defendeu que a eleição seja guiada por propostas concretas e afirmou que sua trajetória pessoal, marcada por origem na periferia, contribui para compreender desigualdades estruturais. Ele também destacou que diferenças de desempenho educacional não decorrem de capacidade, mas de acesso a oportunidades.

A entrevista incluiu ainda elogios à deputada federal Sílvia Cristina, a quem chamou de “uma santa”, ao comentar sua atuação na área da saúde, especialmente no atendimento a pacientes com câncer. Samuel afirmou que, caso seja eleito governador e ela não chegue ao Senado, gostaria de convidá-la para comandar a Secretaria de Estado da Saúde. Também disse que a parlamentar estaria sendo alvo de perseguições políticas.

No tema religioso, relatou ter origem na Assembleia de Deus, mas afirmou estar afastado da igreja há quase dez anos. Segundo ele, a mistura entre religião e política pode gerar distorções graves, embora tenha reconhecido o papel social das instituições religiosas no acolhimento da população.

Ao comentar a política local, Samuel fez avaliações sobre diferentes lideranças. Elogiou Cristiane Lopes, classificou Léo Moraes como eficiente politicamente, mas com desempenho ainda limitado na gestão, e destacou nomes da Assembleia Legislativa pela atuação institucional. Também mencionou figuras históricas da política de Rondônia, atribuindo diferentes avaliações a cada uma.

Sobre o governo estadual, afirmou considerar Marcos Rocha um político “predestinado ao sucesso” e disse que votou nele no segundo turno da reeleição, citando programas sociais como justificativa. Em relação à crise entre o governador e o vice Sérgio Gonçalves, atribuiu o conflito a ambições políticas e afirmou que o vice não teria peso eleitoral relevante, chegando a classificá-lo como “um peso morto”.

No encerramento, o pré-candidato retomou propostas voltadas à redução das desigualdades, incluindo ampliação do programa Prato Fácil para todos os municípios, criação de fundo ligado à cadeia produtiva da soja e investimentos em áreas como saúde, educação e segurança. Também defendeu ajustes na cobrança de ICMS sobre o agronegócio, diferenciando pequenos produtores de grandes exportadores.

Ao final, pediu desculpas por eventuais falas passadas e afirmou buscar evolução pessoal. Em uma das declarações mais fortes da entrevista, criticou a situação dos hospitais públicos e comparou o cenário a episódios extremos da história, ao afirmar que o Estado não pode naturalizar o que chamou de “matança exacerbada” nas unidades de saúde. Segundo ele, sua pré-candidatura surge com foco em dar voz às camadas mais vulneráveis da população.

 

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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