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ELEIÇÕES 2026
Samuel Costa propõe intervenção na saúde e cita Cassol e Bagattoli ao defender taxação no agronegócio

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Pré-candidato pelo PSB afirmou que pretende priorizar saúde pública, segurança, combate à violência contra a mulher, agricultura familiar, industrialização e diálogo com diferentes forças políticas

Por Vinicius Canova - quarta-feira, 29/04/2026 - 07h08

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Porto Velho, RO – O pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PSB, Samuel Costa, advogado e professor, afirmou em entrevista ao SIC News, apresentado por Everton Leoni, que pretende apresentar uma pré-candidatura voltada à redução das desigualdades sociais, ao fortalecimento dos serviços públicos e à transparência na gestão estadual. Recém-filiado ao partido, ele disse que deseja ser governador para dar voz a pessoas que, segundo sua avaliação, não tiveram oportunidades ou participação nas decisões públicas.

Ao explicar as motivações para disputar o governo, Samuel Costa citou sua origem familiar e social. Ele afirmou ser filho de professores da rede pública, ter crescido no Bairro Nacional, em Porto Velho, e considerar a educação um instrumento de transformação. “Eu quero ser governador do Estado para que a gente dê voz aos excluídos. Aqueles e aquelas que não tiveram vez nem voz. Eu sou filho de professores da rede pública de ensino e sei da dificuldade que é de um trabalhador formar o filho doutor”, declarou.

O pré-candidato também defendeu educação em tempo integral, escola bilíngue e políticas educacionais inspiradas em experiências que, segundo ele, deram certo em outros estados. Samuel Costa afirmou que pretende desenvolver propostas sem “revanchismo político” e sem “intoxicação ideológica”, citando o Ceará como exemplo de continuidade administrativa em políticas públicas de educação.

Durante a entrevista, Samuel Costa reconheceu que teve uma postura mais “afobada” em momentos anteriores de sua trajetória política. Ele disse que passou por um processo de amadurecimento e que pretende adotar uma postura mais propositiva. “Um momento da minha vida, quando eu era mais adolescente, um pouco mais moço, hoje eu tenho 36 anos, a gente era um pouco mais afobado. Tava aquela militância de achar que vai conseguir transformar o mundo com frases de efeito. E a gente vai amadurecendo, vai estudando, vai espantando a ignorância, vai ficando menos afobado”, afirmou.

Na área da saúde, Samuel Costa afirmou que seu primeiro ato, caso eleito, seria assinar um decreto emergencial para solicitar uma intervenção do governo federal na rede pública estadual. Ele criticou a situação dos atendimentos nas unidades de saúde, citou hospitais e unidades de Porto Velho e defendeu a realização de concurso público de provas e títulos para formar um quadro permanente de profissionais.

Segundo o pré-candidato, a saúde pública estadual precisaria enfrentar o que ele chamou de “cartelização da saúde”. Ele também criticou a atuação de Organizações Sociais e defendeu a valorização dos servidores. Samuel Costa afirmou que pretende garantir o piso nacional da enfermagem e uma gratificação permanente equivalente a um salário mínimo para servidores públicos, argumentando que os valores atualmente pagos como auxílios seriam insuficientes.

Ao tratar da segurança pública, Samuel Costa defendeu a volta ao patrulhamento ostensivo de policiais militares cedidos a outros poderes. Ele afirmou que assinaria decreto para que esses profissionais retornassem aos batalhões de origem em até 72 horas. “O policial tem que estar na rua”, declarou, ao responder sobre a proposta.

O pré-candidato também criticou a estrutura de promoções na Polícia Militar e afirmou que os praças estariam em situação inferior à dos oficiais. Ele defendeu melhores condições de trabalho, treinamento adequado, reestruturação da frota e uso de veículos mais robustos para o policiamento.

Questionado sobre violência contra a mulher, Samuel Costa disse que Rondônia aparece entre os estados com maior taxa de feminicídios por 100 mil habitantes e defendeu a criação de delegacias 24 horas de proteção à mulher. Ele também propôs o resgate da Patrulha Maria da Penha, concurso público com reserva mínima de 30% das vagas para mulheres e composição de secretariado com 50% de mulheres.

Na gestão orçamentária, Samuel Costa criticou o baixo percentual destinado a investimentos no orçamento estadual. Durante a entrevista, foi mencionada a estimativa de que apenas 2% do orçamento ficariam disponíveis para investimento. O pré-candidato afirmou que a transposição de servidores do ex-território federal para a União poderia aliviar a folha de pagamento estadual e liberar recursos para outras áreas.

Samuel Costa também defendeu diálogo permanente com a bancada federal e com o governo federal, independentemente de alinhamento ideológico. Ao falar do novo PAC, citado na entrevista como PAC 2, ele afirmou que a fiscalização dos recursos seria tão importante quanto a liberação das verbas, para evitar obras inacabadas ou sem utilidade pública.

No tema do agronegócio, Samuel Costa afirmou que o homem do campo precisa de condições de trafegabilidade, estradas vicinais em melhor estado, suporte técnico-agrícola e linhas de crédito. Ele disse que pretende priorizar a agricultura familiar, o fortalecimento de associações e a industrialização do estado.

O pré-candidato criticou a isenção de ICMS sobre a soja e comparou a situação com a tributação incidente sobre o gado. Segundo ele, a soja deveria passar a ser tributada de forma escalonada, começando em torno de 2% a 2,5% e chegando a 10% até 2035. Samuel Costa afirmou que os recursos poderiam ser destinados a programas sociais, enquanto a carga tributária dos pequenos produtores seria reduzida.

Sobre a eleição presidencial, Samuel Costa afirmou que o PSB integra a chapa do presidente Lula, com Geraldo Alckmin. Ele declarou ter votado em Lula e disse que provavelmente votará novamente. Ao mesmo tempo, defendeu que o governador de Rondônia precisa dialogar com diferentes campos políticos. “Eu não vou ser hipócrita e nem demagogo. Eu votei no Lula. E muito provavelmente vou votar nele de novo. Só que o chamamento que eu faço aqui, pra toda a população do estado de Rondônia, é que o próximo governador, ele tem que aprender a dialogar com o diferente”, afirmou.

Ao avaliar sua posição na disputa estadual, Samuel Costa afirmou que pretende dialogar com setores de direita e esquerda, além de tentar reduzir resistências ao seu nome. Ele disse acreditar que a baixa rejeição pode ser um diferencial para chegar ao segundo turno. Também afirmou considerar-se preparado para governar e chegou a desafiar os demais pré-candidatos a uma prova de conhecimentos sobre temas como orçamento público, gestão e política.

Críticas

Samuel Costa também apresentou diversas críticas durante a entrevista. Entre elas, classificou a situação da saúde pública estadual como “matança exacerbada” e afirmou que “nem Adolf Hitler fez com os judeus o que os governos, e não é só o atual, os pretéritos fizeram com os nossos irmãos rodonienses”.

O pré-candidato também declarou que as Organizações Sociais que atuam na saúde são, segundo suas palavras, “sinônimo de roubalheira e bandalheira”, e voltou a afirmar que há uma “cartelização da saúde” no estado. Nesse contexto, disse que médicos especialistas seriam cooptados por estruturas que classificou como uma “organização criminosa”, o que, segundo ele, dificultaria a formação de um quadro permanente por meio de concurso público.

Na área da segurança pública, criticou a cessão de policiais militares a outros poderes e questionou a utilização desses profissionais fora do policiamento ostensivo. Ao tratar do tema, afirmou que policial militar não deve atuar como “babá de juiz, de desembargador, de promotor e de procurador”.

Ainda no campo institucional, fez referência a remunerações no sistema de Justiça. “O Tribunal de Justiça consegue pagar um salário de um mês 1 milhão e 700 mil reais no mês por único juiz”, afirmou, acrescentando que existem promotores e juízes recebendo valores superiores a meio milhão de reais mensais.

O pré-candidato também criticou o modelo de locação de viaturas, citando veículos como o modelo Onix e valores de aluguel de até R$ 12 mil mensais, argumentando que o custo seria elevado e que os veículos não permaneceriam como patrimônio da administração pública.

No campo econômico, direcionou críticas a grandes produtores rurais e ao modelo de tributação vigente. Ao abordar o tema, afirmou que “a riqueza de poucos é o inferno de muitos” e citou nominalmente produtores e empresários, como Jaime Bagattoli, Ivo Cassol e César Cassol, ao defender a tributação escalonada da soja.

Durante a entrevista, Samuel Costa também fez críticas diretas a adversários políticos. Ao comentar sobre o senador Marcos Rogério, declarou: “Que jurista é esse que fala que tem mestrado, mas fizeram o exame da OAB, não consegue passar na primeira fase”. Em outro momento, mencionou nomes como Hildon Chaves, Adaílton Fúria, Marcos Rogério e Expedito Netto ao questionar atuações anteriores e decisões políticas relacionadas à área da saúde.

No encerramento da entrevista, Samuel Costa citou Santo Agostinho e pediu que os eleitores o acompanhem nas redes sociais. “A esperança tem duas filhas lindas e belas, a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como são, e a coragem nos ensina a enfrentá-las”, disse.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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