Assembleia Legislativa reúne empresários, Sefin, Tribunal de Contas e especialistas para discutir impactos tributários, ambiente de negócios e cenário econômico internacional.
Porto Velho, RO – A criação de um espaço permanente para discutir medidas econômicas, tributárias e estratégias de desenvolvimento começou a ser estruturada pela Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) em parceria com representantes do setor produtivo e órgãos públicos estaduais. A iniciativa pretende ampliar o diálogo técnico antes da votação de projetos que impactam empresas e a economia do estado.
O encontro reuniu deputados estaduais, integrantes do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCERO), representantes da Secretaria de Estado de Finanças (Sefin), empresários e especialistas em economia nacional e internacional. A proposta foi construída após debates realizados entre parlamentares e empresários de Ji-Paraná durante a Rondônia Rural Show Internacional de 2025.
Segundo o presidente da Assembleia Legislativa, Alex Redano (Republicanos), o objetivo é evitar conflitos provocados pela ausência de discussão prévia sobre propostas encaminhadas ao Legislativo. Ele afirmou que projetos considerados polêmicos em anos anteriores precisaram ser revogados justamente pela falta de diálogo entre o poder público e os setores afetados.
“O que se espera é uma atuação ainda mais forte das representações empresariais nos debates”, declarou Redano.
O parlamentar também explicou que a Assembleia e a Sefin passaram a discutir previamente propostas relacionadas à área tributária antes do início da tramitação legislativa. Conforme Redano, o novo espaço permitirá participação técnica direta de empresários, entidades representativas e especialistas na elaboração de soluções para o estado.
“O Estado está ganhando um corpo técnico a custo zero”, afirmou.
Durante o encontro, o deputado estadual Cirone Deiró (União Brasil) declarou que o setor produtivo enfrentou, durante anos, dificuldades para participar das discussões no parlamento estadual. Segundo ele, a aproximação entre empresários e o poder público pode fortalecer a geração de empregos e melhorar o ambiente econômico.
O deputado afirmou ainda que a criação do fórum proporciona mais segurança para investidores e contribui para decisões alinhadas à realidade econômica de Rondônia.
Já o secretário adjunto da Sefin, Márcio Alves Passos, defendeu os projetos tributários encaminhados pelo Executivo estadual. Ele explicou que as mudanças nacionais no sistema de arrecadação exigem atualização permanente das políticas fiscais adotadas pelos estados.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
“A Sefin não atua de forma punitiva. Nosso trabalho é informativo e colaborativo”, declarou.
Representando o Tribunal de Contas do Estado, o conselheiro substituto Francisco Júnior Ferreira da Silva destacou o crescimento econômico registrado por Rondônia nos últimos anos. Segundo ele, o orçamento estadual passou de R$ 8 bilhões para R$ 18 bilhões em um período de oito anos. O representante do TCERO também colocou o órgão à disposição para colaborar tecnicamente com os debates relacionados à melhoria dos serviços públicos.
Na programação do encontro, o economista Pablo Spyer apresentou análises sobre inflação, geopolítica, energia, tecnologia e impactos da economia internacional no mercado brasileiro. Ele afirmou que conflitos no Oriente Médio, disputas comerciais entre grandes potências e transformações energéticas têm provocado reflexos diretos nos preços globais.
“A guerra no Oriente Médio afeta petróleo, tecnologia e alimentos”, afirmou o economista.
Spyer também destacou a inteligência artificial como um dos principais fatores de transformação econômica mundial. Segundo ele, a tecnologia já interfere diretamente nos setores do agronegócio, comércio, serviços e indústria.
“A IA já mudou o agro, os serviços, o comércio e a indústria”, declarou.
Durante a palestra, o economista citou ainda o potencial brasileiro relacionado às reservas de terras raras, consideradas estratégicas para a indústria tecnológica global. Segundo ele, o país concentra cerca de um quinto dessas reservas mundiais, fator que pode ampliar a relevância econômica nacional nos próximos anos, desde que haja investimento e planejamento.
Ao abordar o cenário internacional, Pablo Spyer afirmou que o dólar permanece como principal referência da economia mundial e alertou que crises geopolíticas continuam aumentando a instabilidade dos mercados financeiros. Entre os fatores apontados por ele estão as eleições americanas de meio mandato, os conflitos no Oriente Médio, as tensões entre China e Taiwan e disputas diplomáticas envolvendo Rússia, Estados Unidos e Venezuela.
Com informações de: Assembleia Legislativa
