Pedido de vista da ministra Estela Aranha interrompe análise no Tribunal Superior Eleitoral; divulgação do levantamento segue suspensa por decisão individual de Kassio Nunes Marques.
Porto Velho, RO – A definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a continuidade da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República realizada pela AtlasIntel ficará para uma próxima sessão. O julgamento foi interrompido nesta terça-feira (9) após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Até o momento, o placar registra um voto favorável à manutenção da suspensão do levantamento.
A discussão ganhou relevância porque a decisão final da Corte poderá estabelecer critérios para futuras pesquisas eleitorais. Durante o debate, o ministro Dias Toffoli levantou questionamentos sobre o uso de áudios e vídeos na formulação de perguntas aos entrevistados, destacando que o entendimento do tribunal servirá de referência para as eleições de outubro. Segundo ele, será necessário definir os limites entre perguntas legítimas e eventuais mecanismos capazes de influenciar respostas dos eleitores.
Antes da interrupção do julgamento, o presidente do TSE e relator do caso, Kassio Nunes Marques, reafirmou seu posicionamento pela suspensão da pesquisa. Para o magistrado, existem indícios de possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário aplicado aos entrevistados, especialmente em perguntas relacionadas ao chamado caso Master.
Em seu voto, o ministro apontou que determinadas sequências de perguntas aparentam ultrapassar a simples coleta de opinião pública. Segundo ele, os elementos apresentados aos eleitores poderiam funcionar como estímulos narrativos com potencial para interferir nas respostas obtidas.
A controvérsia teve origem em uma representação apresentada pelo Partido Liberal (PL). A legenda sustentou que o levantamento incluiu questões relacionadas à relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o banqueiro Daniel Vorcaro. O partido também argumentou que foi reproduzido aos entrevistados um áudio em que o parlamentar aparece solicitando recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Divulgada em 19 de maio, a pesquisa apontou redução de cinco pontos percentuais na intenção de voto de Flávio Bolsonaro após a repercussão do episódio envolvendo Vorcaro. Na segunda-feira (8), Kassio Nunes Marques determinou, de forma individual, a suspensão da divulgação do levantamento. Com a medida, o conteúdo não pode permanecer nos canais oficiais da empresa, nem ser republicado ou impulsionado em redes sociais.
Durante a sessão, a defesa da AtlasIntel contestou os argumentos apresentados pelo PL. O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra afirmou que a representação não demonstrou descumprimento das normas eleitorais aplicáveis às pesquisas. Segundo ele, o questionamento se limita a uma divergência sobre a metodologia utilizada para abordar um fato político de conhecimento público envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Pela parte do PL, a advogada Maria Claudia Bucchianeri sustentou que a discussão ultrapassa interesses partidários e envolve a transparência das pesquisas eleitorais. Ela alegou que o questionário não foi disponibilizado integralmente, pois teria incluído um vídeo apresentado aos entrevistados sem que esse material fosse anexado ou transcrito nos documentos divulgados.
Com informações de: Agência Brasil
COMENTÁRIOS:




