Passagens caras, pedágio, presídio federal e atuação parlamentar entram no centro das críticas à representação de Rondônia em Brasília
SABENDO QUASE NADA
Há um inseto que muitos julgariam insignificante ou desprezível, mas quem lhe dá valor sabe que ele é muito saboroso e rende R$ 645 o quilo. Ao que se sabe, até agora o sontuigun, boi da montanha e da água, só foi encontrado na China. Seu valor vem da raridade: passa a maior parte da vida sob a terra e emerge por curto período quando chove.
A raridade também explica por que um exemplar do besouro-veado, Lucanus capreolus, chega à exorbitância de até R$ 500 mil. Por sua vez, o besouro-rinoceronte pode custar até 10 mil dólares, e o besouro-hércules, entre 5 mil e 8 mil dólares.
Esses valores astronômicos dão o que pensar quando se sabe que o Brasil possui cerca de 10% dos insetos do planeta e a maior parte, ainda desconhecida, está na Amazônia. Segundo os cientistas, para cada 10 espécies de insetos na floresta, estima-se que apenas uma já tenha sido catalogada. Ou seja, cerca de 90% da fauna de invertebrados amazônicos ainda é um completo mistério.
Quem visitar o Museu da Amazônia, em Manaus, ficará deslumbrado com a grande variedade de insetos apresentados e mais ainda ao saber que são apenas parte dos 10% já conhecidos e catalogados. Há, portanto, quase tudo ainda a descobrir, e os pesquisadores seguem trabalhando intensamente em várias frentes. Neste momento, há fortunas voejando e sendo esmagadas distraidamente nos rincões mais remotos da nossa floresta.
BANCADAS SOFRÍVEIS
Com bancadas federais sofríveis, os estados de Roraima, Rondônia, Acre e Amazonas são penalizados com as passagens aéreas mais caras do país.
Os deputados federais e senadores têm perdido batalhas importantes nos últimos anos, além da questão da redução de voos e dos voos caros na região amazônica, já que, na situação do pedagiamento da BR-364 em Rondônia, a bancada federal não deu solução até agora, e Rondônia paga o pedágio mais caro do país.
Não se resolve a questão portuária de Porto Velho, tampouco temos o início das obras da Usina Hidrelétrica de Tabajara, em Machadinho do Oeste. E o domínio das facções criminosas nas fronteiras de Rondônia com a Bolívia só tem aumentado.
MUITA INCOMPETÊNCIA
A incompetência da bancada federal de Rondônia vem de longe, com deputados federais e senadores só pensando no próprio umbigo.
Lembro que, quando foram anunciadas as construções dos presídios federais no Paraná, no Mato Grosso do Sul, no Nordeste e em Rondônia, lideranças dos outros estados protestaram para evitar o “benefício”. Em Rondônia, tivemos deputados federais que festejaram a grande obra do presídio federal em Porto Velho.
Desde o presídio, temos abrigado celebridades federais por aqui. A criminalidade só aumentou. Com Beira-Mar e tantos outros que vieram para cá, também suas famílias e seus cupinchas se instalaram na capital rondoniense.
UM SUPERPRESÍDIO
Vejo nas propostas de um presidenciável, como solução para as mazelas da segurança pública no país, construir um superpresídio na Amazônia.
O presidenciável Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, vê nesta ideia uma forma de chutar para a Amazônia as tensões sociais de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e os estados do Nordeste, agora infestados de facções criminosas.
Ora, Rondônia já se apequenou na instalação do atual presídio federal. Espero agora que tenha aprendido a lição e refute qualquer possibilidade da instalação do superpresídio de Romeu Zema em Rondônia. Desde já estou com os cabelos arrepiados.
NAS PARADAS
A estratégia de eleger mais senadores para absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro da prisão domiciliar, envolvendo filhos, esposas e apaniguados, está em andamento.
Com isso, o PL vai de Michelle Bolsonaro ao Senado em Brasília, com Flávio Bolsonaro a presidente, com o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, com o deputado federal carioca Hélio Lopes ao Senado em Roraima e Bruno Scheid Bolsonaro em Rondônia.
Destes, alguns têm boas possibilidades de eleição, como são os casos de Michelle e Carlos Bolsonaro; outros estão numa situação de penúria eleitoral, como Scheid em Rondônia e Hélio Lopes em Roraima. É paraquedista para todos os lados.
MAIS ATINGIDO
O estado mais atingido por bolsonaristas invasores é Santa Catarina, o estado mais conservador do país e que deve eleger o atual governador Jorginho com um pé nas costas, em turno único, em território barriga-verde.
Ocorre que Santa Catarina já elegeu, na eleição passada, um político do Rio de Janeiro ao Senado. Se emplacar Carlos Bolsonaro, Santa Catarina terá dois senadores cariocas e só um representante autêntico do próprio estado, que pode ser Esperidião Amin, com uma trajetória à direita de quatro décadas. Mas poderá ser chutado nas urnas por orientação dos bolsonaristas.
VIA DIRETA
O Comando Vermelho, poderoso no tráfico de drogas, criou asas e já controla os garimpos de ouro nos estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Também explora a prostituição e a venda de armas, ocasionando o aumento da criminalidade rondoniense.
Os presídios de Rondônia, Acre e Amazonas estão superlotados de traficantes, e a tendência é aumentar ainda mais o índice de encarcerados deste segmento.
Ji-Paraná tem dois grandes candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de outubro: o ex-prefeito da capital da BR, Jesualdo Pires, e o ex-vice-governador Airton Gurgacz.
Terão a concorrência também do atual deputado federal Lúcio Mosquini, que tem base eleitoral na vizinha Ouro Preto do Oeste.

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