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ELEIÇÕES 2026
Luiz Teodoro diz que LCP não é facção, acusa Estado de explorar policiais e promete impedir recursos judiciais contra pacientes

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Pré-candidato do PSOL defende câmeras corporais em operações agrárias, hospitais provisórios, compra de terras para agricultura familiar e subsídio de até metade da conta de energia

Por Vinicius Canova - terça-feira, 30/06/2026 - 15h18

Porto Velho, RO – O pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PSOL, advogado Luiz Teodoro, declarou que a Liga dos Camponeses Pobres não pode ser classificada de forma generalizada como facção criminosa, acusou os governos estadual e municipal de explorarem policiais por meio de plantões extras e afirmou que, caso seja eleito, orientará a Procuradoria-Geral do Estado a não recorrer de decisões judiciais que determinem a realização de cirurgias ou a compra de medicamentos.

As declarações foram dadas durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Ao longo da conversa, Teodoro também defendeu a instalação de câmeras corporais nos uniformes de policiais, a recriação de um instituto estadual de terras, a utilização de prédios provisórios como hospitais e a concessão de subsídios estaduais para reduzir as contas de energia elétrica.

Um dos pontos mais controversos da entrevista surgiu quando o pré-candidato foi questionado sobre a atuação da Liga dos Camponeses Pobres, conhecida pela sigla LCP, nos conflitos agrários registrados em Rondônia. Teodoro rejeitou a associação automática entre a organização e grupos criminosos.

Luiz Teodoro concede entrevista a Robson Oliveira no podcast Resenha Política

Especial Resenha Política

Luiz Teodoro rejeita rótulo de facção para LCP, acusa exploração de policiais e promete não recorrer na saúde

Pré-candidato do PSOL defendeu câmeras corporais, compra de terras para a agricultura familiar, hospitais provisórios e subsídio estadual nas contas de energia.

Entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica.

8,7 mil

Efetivo policial que Rondônia precisaria ter, segundo estimativa apresentada por Luiz Teodoro.Número citado pelo entrevistado.

4,7 mil

Quantidade aproximada de policiais que estaria atualmente na corporação.Número citado pelo entrevistado.

700

Profissionais que estariam de plantão para atender o estado.Número citado pelo entrevistado.

52

Municípios que dependeriam desse efetivo disponível durante os plantões.Abrangência mencionada na entrevista.

Declaração mais controversa

“Hoje, a LCP em Rondônia, eles falam como se fosse sigla de facção. Eu fui para uma defesa com desembargador no tribunal e disse: LCP não é sigla de facção. LCP é Liga Camponesa Pobre. Não é facção, não é sigla de facção. Agora, se tem pessoas ali infiltradas, que têm problema com a Justiça, que pertencem à facção, é outra situação.”

Luiz Teodoro, ao falar sobre conflitos agrários em Rondônia

Os principais eixos da entrevista

LCP e conflitos no campo

Teodoro rejeitou a classificação generalizada da Liga dos Camponeses Pobres como facção e afirmou que eventuais responsabilidades criminais devem ser individualizadas.

Policiais e plantões extras

O pré-candidato acusou o Governo de Rondônia e a Prefeitura de Porto Velho de utilizarem a folga dos mesmos profissionais para jornadas extraordinárias.

Decisões judiciais na saúde

Ele afirmou que orientaria os procuradores estaduais a não recorrer de ordens que determinem a compra de medicamentos ou a realização de cirurgias.

Governo humanista

Teodoro disse pretender governar para toda a população, mas com atenção diferenciada às famílias em situação de maior vulnerabilidade.

Segurança

Câmeras corporais e novos concursos

Teodoro defendeu câmeras nos uniformes como instrumento de transparência e proteção. Também propôs concursos para a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e sistema socioeducativo.

Saúde

Hospitais provisórios em prédios existentes

O pré-candidato citou o antigo Hospital Neuron e o prédio da antiga Assembleia Legislativa como possíveis extensões provisórias de leitos enquanto uma nova unidade não fosse concluída.

Terra

Compra de áreas para a agricultura familiar

A proposta prevê recriar um instituto estadual de terras e adquirir propriedades legalizadas e tituladas para destiná-las a famílias interessadas na produção rural.

Energia

Subsídio de 50% para famílias do Cadastro Único

Pelo modelo apresentado, uma conta de R$ 200 seria dividida entre a família e o Estado. Para consumidores e empresas fora do cadastro, o subsídio proposto seria de 20%.

Política

PSOL não seria “puxadinho” do PT

Teodoro afirmou que uma aproximação com Lula em Rondônia não seria automática e dependeria de diálogo, porque o PT possui candidatura própria no estado.

Produção

Porteira Dentro e fortalecimento da Emater

O pré-candidato defendeu retomar o programa executado no governo de Ivo Cassol, ampliar a assistência técnica e recuperar estradas utilizadas para o escoamento da produção.

Compromisso declarado para a saúde

“Não recorre. É simples assim. Porque o dinheiro não é meu. O dinheiro não é do Tribunal de Contas. O dinheiro não é da Assembleia Legislativa. O dinheiro é do povo. E é saúde. E saúde é prioridade.”

Luiz Teodoro, ao defender o cumprimento imediato de decisões judiciais

Valores, números, propostas e avaliações apresentados neste infográfico foram citados por Luiz Teodoro durante a entrevista.

“Hoje, a LCP em Rondônia, eles falam como se fosse sigla de facção. Eu fui para uma defesa com desembargador no tribunal e disse: LCP não é sigla de facção. LCP é Liga Camponesa Pobre. Não é facção, não é sigla de facção. Agora, se tem pessoas ali infiltradas, que têm problema com a Justiça, que pertencem à facção, é outra situação”, declarou.

Segundo ele, a existência de integrantes investigados ou vinculados a atividades criminosas não autorizaria o Estado a tratar todas as pessoas ligadas aos movimentos de luta pela terra como criminosas. O advogado comparou essa situação à presença de pessoas com diferentes históricos em bairros, instituições públicas e outros ambientes sociais.

“Isso vai ter em qualquer lugar. No bairro onde eu moro, aqui no bairro mais nobre, na Assembleia, no governo. Tem pessoas de todo jeito. Não tem como você colocar lá, rotular as pessoas como se todo mundo fosse criminoso”, afirmou.

Teodoro também relatou episódios vivenciados durante sua atuação na área dos direitos humanos. Em uma reintegração de posse, segundo ele, aproximadamente cem policiais teriam sido mobilizados enquanto mulheres permaneciam ajoelhadas, crianças ficavam expostas à chuva e armamentos eram apontados na direção de idosos e menores.

“Nós chegamos em reintegração de posse que tinha lá cem policiais apontando metralhadoras para criança, para idosos. Nós chamamos o comandante da operação e falamos: ‘Por que essas mulheres estão de joelho? Por que essas crianças estão na chuva? A dignidade da pessoa humana está sendo violada aqui. Cadê o oficial de justiça?’. Não tinha oficial de justiça”, relatou.

Na avaliação do pré-candidato, cabe à polícia garantir a segurança necessária ao cumprimento das determinações judiciais, enquanto a apresentação formal da ordem de reintegração deve ser feita por um oficial de justiça. Teodoro afirmou que a maneira como algumas operações são conduzidas demonstra o que classificou como um “desmando” na política agrária de Rondônia.

Ele citou ainda a passagem de uma comissão do governo federal por Machadinho d’Oeste. Conforme o relato apresentado durante a entrevista, policiais teriam cercado os participantes da atividade, incluindo assessores ligados a ministros.

“Veio uma comissão agrária do Ministério Agrário de Brasília para um trabalho determinado pelo Ministério Agrário lá em Machadinho. Sabe o que aconteceu? A polícia cercou todo mundo, até a assessoria dos ministros. Então, o Estado de Rondônia precisa respeitar as pessoas e a dignidade da pessoa humana”, disse.

Apesar das críticas às operações, Teodoro declarou que existem bons profissionais nas corporações e defendeu a valorização dos policiais. Para ele, o uso de câmeras corporais serviria simultaneamente como instrumento de fiscalização, transparência e proteção dos agentes públicos e das famílias envolvidas nas ações.

“A câmera corporal vai dar uma transparência para a sociedade daquela operação, daquela ação policial. A gente sabe que a história de Rondônia, da luta agrária, é muito sangrenta. Então, a gente tem que dizer isso, não pode cobrir isso”, sustentou.

A segurança pública também foi abordada a partir da estrutura das corporações. O pré-candidato afirmou que Rondônia precisaria contar com aproximadamente 8,7 mil policiais, mas teria cerca de 4,7 mil profissionais na corporação e somente 700 deles de plantão para atender os 52 municípios. Os números foram apresentados por ele durante a entrevista.

Segundo Teodoro, existem municípios com apenas três ou quatro policiais responsáveis pelo atendimento da área urbana e da zona rural. Ele criticou a utilização das folgas dos servidores para o pagamento de jornadas extraordinárias.

“O povo não quer sensação de segurança. As pessoas querem segurança. Neste momento, tem cidade que tem três a quatro policiais para a segurança de toda a cidade e da área rural. E o pior: no dia de descanso do policial, o Estado está pagando para ele o plantão extra. Ou seja, está explorando o policial”, declarou.

O advogado afirmou que o profissional precisa do período de descanso por exercer uma atividade de risco e depender de condições físicas e psicológicas adequadas para atender a população. Na avaliação dele, a situação teria se agravado em Porto Velho após a implantação da atividade delegada pela administração municipal.

“Só que, em Rondônia, piorou mais ainda, porque a Prefeitura de Porto Velho, a nossa capital, também está concorrendo com o governo. Está a prefeitura e o governador explorando o mesmo policial”, afirmou.

Como resposta ao déficit apresentado por ele, Teodoro defendeu a realização de concursos públicos para a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e sistema socioeducativo. A medida, segundo o pré-candidato, seria necessária para reduzir a dependência dos plantões extraordinários e ampliar a presença das forças de segurança nos municípios.

Na política agrária, ele propôs a recriação de um instituto estadual de terras com autonomia administrativa e financeira. A estrutura trabalharia em conjunto com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e com o governo federal.

Teodoro afirmou que a proposta não envolve ocupação nem retirada de propriedades particulares. O plano apresentado por ele consiste na aquisição, pelo próprio Estado, de áreas legalizadas e tituladas, posteriormente destinadas a famílias interessadas na produção rural.

“O Estado vai comprar terras. Terras legalizadas, tituladas, e entregar para a agricultura familiar. Não é para o fazendeiro, o grande, não. É para as pessoas trabalharem na agricultura familiar. Quem quer terra é para sobreviver”, declarou.

O pré-candidato também criticou a ausência de diálogo institucional entre o Governo de Rondônia e o governo federal. Ele citou como exemplo a passagem de um ministro pelo estado sem que, segundo sua versão, o governador tivesse enviado representante ou participado da recepção.

“O poder não é do político. O poder é do povo e é transitório. Então, o poder não tem dono. Não importa quem seja o presidente da República. Eu sou governador do Estado, eu vou dialogar com o presidente”, disse.

Teodoro afirmou que, caso chegue ao governo, buscará recursos federais independentemente de quem esteja na Presidência da República. Durante a entrevista, citou nominalmente Lula, Jair Bolsonaro e Romeu Zema para sustentar que divergências partidárias não deveriam impedir negociações administrativas.

“Não importa se é Bolsonaro que está governando, se é Lula que está governando, se é Zema que está governando. Eu sou governador de Rondônia. E eu não vou lá buscar favor com eles, não. Eu vou lá buscar o direito das pessoas. O povo contribui com os impostos”, declarou.

A disposição para contrariar práticas administrativas atuais também apareceu na discussão sobre a judicialização da saúde. Teodoro reafirmou que orientaria os procuradores estaduais a não apresentarem recursos contra decisões de primeira instância que obriguem o Estado a fornecer medicamentos ou realizar procedimentos cirúrgicos.

De acordo com o pré-candidato, uma ordem judicial já ofereceria respaldo jurídico para o cumprimento da despesa. Na avaliação dele, prolongar a disputa nas instâncias superiores poderia fazer com que o paciente morresse antes da decisão definitiva.

“A partir do momento que eu tenho uma decisão de primeiro grau, o juiz dizendo ‘compre o medicamento’, o juiz dizendo ‘faça a cirurgia’, eu já estou respaldado pela legalidade. Um governo humano não deixa recorrer. Então, se for da vontade de Deus nós chegarmos lá, vou orientar os meus procuradores, os meus advogados públicos: não recorra”, afirmou.

Questionado por Robson Oliveira sobre a possibilidade de os procuradores sofrerem questionamentos dos órgãos de controle por deixarem de recorrer, Teodoro disse que assumiria a responsabilidade política e jurídica pela orientação. Ele afirmou que defenderia os servidores diante do Tribunal de Contas caso estivessem cumprindo uma decisão judicial.

“Uma vez que os meus procuradores estão agindo diante da lei, estou junto com eles até o fim para defendê-los, sim. A partir do momento que já tem uma decisão judicial, faça. Os meus procuradores estão agindo dentro da legalidade. O Tribunal de Contas não tem nenhuma intervenção mais aí. E, se tiver, está ilegal, porque eu já tenho uma decisão de um juiz”, declarou.

Teodoro repetiu que a determinação valeria para todas as discussões e debates eleitorais dos quais participar. Segundo ele, a prioridade deveria ser o atendimento ao paciente, e não a manutenção de uma disputa processual entre o Estado e o cidadão.

“Não recorre. É simples assim. Porque o dinheiro não é meu. O dinheiro não é do Tribunal de Contas. O dinheiro não é da Assembleia Legislativa. O dinheiro é do povo. E é saúde. E saúde é prioridade”, disse.

A estrutura hospitalar foi outro alvo de críticas. O pré-candidato afirmou que o Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II reúne profissionais e especialidades que não estariam disponíveis, na mesma proporção, nem mesmo nos hospitais particulares de Rondônia. Para ilustrar o argumento, afirmou que até o presidente dos Estados Unidos seria levado à unidade em uma situação de emergência ocorrida no estado.

“Se o Trump vier para Rondônia hoje, sofrer um atentado e precisar ir para um hospital, ele vai para o João Paulo. Porque lá tem toda a especialidade. O João Paulo tem ótimos servidores, profissionais de excelência”, declarou.

Para Teodoro, o principal problema da unidade não seria a qualificação dos servidores, mas a estrutura física. Ele reconheceu que a construção de um novo hospital exige tempo e, por isso, propôs a instalação de estruturas provisórias em prédios já existentes.

Entre os imóveis mencionados estão o antigo Hospital Neuron e o prédio da antiga Assembleia Legislativa, atualmente utilizado pela Escola do Legislativo. Teodoro disse que negociaria a transferência da escola para outro local e solicitaria a cessão do imóvel para a abertura temporária de leitos.

“Enquanto o novo hospital não está pronto, vou improvisar. O antigo Neuron fechou. Eu poderia colocar ali extensões provisórias de leitos. A antiga Assembleia já foi um hospital um dia. Hoje é a Escola do Legislativo. Eu vou conversar com a Assembleia: ‘Veja outro local para a Escola do Legislativo e ceda esse prédio para a gente’”, explicou.

O pré-candidato afirmou ainda que contrataria a estrutura de hospitais particulares para acelerar cirurgias acumuladas na regulação. Ele descreveu como “covardia” a permanência de pacientes durante um, dois, três ou quatro anos em filas, inclusive para procedimentos que classificou como simples.

Na construção de uma unidade definitiva, Teodoro defendeu o aproveitamento de terrenos da União, em vez da compra de uma área particular. Ele mencionou espaços federais próximos ao Espaço Alternativo e estimou que a utilização de um terreno público poderia evitar uma despesa entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões.

A transição de Teodoro entre campos partidários também foi explorada na entrevista. Robson Oliveira lembrou que o advogado já havia sido filiado ao PSC, partido identificado com a direita, e disputado eleições para vereador e vice-prefeito. Atualmente no PSOL, ele afirmou não enxergar contradição na mudança.

“As pessoas têm que estar acima do partido. Hoje, estar em um partido que se posiciona como partido de esquerda, sem problema nenhum. O que nós defendemos é o direito das pessoas”, declarou.

Teodoro apresentou sua trajetória pessoal como uma das razões de sua identificação com as políticas sociais defendidas pelo PSOL. Ele se definiu como negro, integrante de uma família humilde, filho de lavadeira e ex-engraxate que conseguiu tornar-se advogado por meio da educação.

“Sou negro, de família humilde, filho de lavadeira com muito orgulho. As pessoas que conhecem um pouco da nossa história vão encontrar o engraxate que se tornou advogado em Rondônia. O PSOL deu essa oportunidade para alguém que veio do povo, que encontrou na educação caminhos”, afirmou.

Embora tenha confirmado que o PSOL integra a base do governo Lula em determinados projetos no Congresso Nacional, o pré-candidato negou que exista uma adesão automática à candidatura presidencial petista em Rondônia.

“O PSOL não é um puxadinho do PT. Nós temos a nossa independência, nós temos a liberdade. Hoje, o PSOL caminhar com o Lula em Rondônia não é automático. Isso precisa conversar, porque o Lula tem um candidato dele em Rondônia, do PT”, declarou.

Teodoro disse que imaginava inicialmente utilizar a imagem de Lula em seu material eleitoral, mas afirmou não ver problema caso isso não ocorra. Ele ressaltou que PSOL e Rede formam uma federação distinta daquela integrada por PT, PCdoB e PV.

Mesmo sem confirmar uma composição eleitoral, elogiou projetos do governo federal em Rondônia. Entre as ações mencionadas estão o Minha Casa, Minha Vida, a ponte binacional de Guajará-Mirim e o Expresso Porto, apresentado por ele como alternativa para retirar caminhões pesados da Avenida Jorge Teixeira.

A definição ideológica de sua proposta foi resumida como a formação de um governo humanista. Teodoro recorreu a passagens religiosas para explicar que pretende priorizar pessoas em situação de vulnerabilidade, sem afirmar que governaria exclusivamente para determinado grupo.

“O próprio Jesus Cristo nos ensinou isso. Eu não estou dizendo que sou melhor do que ninguém. O que estou dizendo é que um governo tem que ser humanista, humano, social e principalmente voltado para aqueles que mais precisam”, afirmou.

Na parte final da entrevista, o pré-candidato detalhou propostas para energia, pedágios e produção rural. Ele afirmou que Rondônia produz energia, mas convive com tarifas elevadas, e defendeu a utilização de compensações recebidas pelo Estado para subsidiar diretamente as faturas dos consumidores.

Pelo modelo apresentado, uma família inscrita no Cadastro Único que recebesse uma conta de R$ 200 pagaria R$ 100, enquanto o governo arcaria com os outros R$ 100. Para consumidores e empresas fora do cadastro, a proposta seria conceder um subsídio correspondente a 20% do valor.

“Chegou lá R$ 200 na conta de energia da pessoa que está no Cadastro Único, ela vai pagar só R$ 100, porque o governo vai pagar os outros R$ 100. Até fora do Cadastro Único, empresas e pessoas que estão fora, o governo vai pagar 20%. As riquezas de um povo têm que ser distribuídas”, afirmou.

Teodoro também criticou a cobrança de pedágio em rodovias que, segundo ele, continuam com buracos e sem duplicação. Na avaliação do advogado, cobrar por um serviço que não teria sido entregue representaria violação aos direitos dos consumidores.

“É um pedágio de estrada de buracos, sem pista dupla. Isso viola o direito do consumidor”, declarou.

Ao falar sobre o agronegócio, reconheceu a relevância econômica das exportações, mas diferenciou a produção em larga escala da agricultura familiar. Para o pré-candidato, é o pequeno produtor quem abastece diretamente a população rondoniense.

“O agro é muito importante, mas o agro é exportação. Aquilo que alimenta o povo, que fica, que sustenta o povo rondoniense é a agricultura familiar”, afirmou.

Ele defendeu a retomada do programa Porteira Dentro, executado durante o governo de Ivo Cassol. Conforme descreveu, a política disponibilizava máquinas e equipamentos para preparação do solo, abertura de carreadores, construção de tanques de peixe, formação de espelhos d’água e manutenção de estradas.

Teodoro também propôs o fortalecimento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia, com orientação direta aos produtores, além da recuperação das vias utilizadas para o escoamento da produção.

O pré-candidato afirmou que projetos positivos devem ser reconhecidos mesmo quando foram implantados por adversários ou integrantes de outros grupos políticos. Como exemplo, elogiou a nova rodoviária de Porto Velho e disse que a estrutura anterior se assemelhava a um depósito de pessoas.

“Aquilo parecia um lixão, um depósito de pessoas, a antiga rodoviária. Hoje, a gente não sabe se está no aeroporto ou se está em uma rodoviária. Ficou coisa boa. O que o prefeito anterior deu foi dignidade humana”, declarou.

Apesar do elogio, Teodoro questionou a ordem das prioridades administrativas e colocou em debate a escolha entre uma rodoviária e um hospital municipal. Para ele, o governo precisa garantir primeiro o atendimento constitucional mínimo nas áreas mais urgentes, ainda que não consiga oferecer imediatamente um serviço de excelência.

Ao concluir a participação, declarou que pretende governar para toda a população, mas mantendo atenção diferenciada às famílias mais vulneráveis. A entrevista foi apresentada como um primeiro contato com as linhas gerais do pré-candidato, que poderá retornar ao Resenha Política caso seja confirmado nas convenções partidárias e tenha a candidatura registrada.

10 frases mais impactantes de Luiz Teodoro

1. “LCP não é sigla de facção. LCP é Liga Camponesa Pobre. Não é facção, não é sigla de facção.”

A declaração foi feita durante a discussão sobre conflitos agrários em Rondônia. Teodoro rejeitou a classificação generalizada do movimento como organização criminosa e afirmou que eventuais responsabilidades devem ser individualizadas.

2. “Não tem como você rotular as pessoas como se todo mundo fosse criminoso.”

O pré-candidato sustentou que a eventual presença de pessoas investigadas ou ligadas a facções não pode ser usada para enquadrar todos os participantes de um movimento social como criminosos.

3. “Está a prefeitura e o governador explorando o mesmo policial.”

Teodoro criticou os plantões extraordinários pagos pelo Estado e a atividade delegada implantada pela Prefeitura de Porto Velho. Para ele, as duas administrações disputam a folga de profissionais que deveriam utilizar o período para descanso.

4. “O povo não quer sensação de segurança. As pessoas querem segurança.”

A frase foi usada para criticar o efetivo policial disponível nos municípios. Segundo os números apresentados pelo próprio entrevistado, Rondônia teria cerca de 4,7 mil policiais, dos quais aproximadamente 700 estariam de plantão para atender 52 municípios.

5. “Um governo humano não deixa recorrer.”

Teodoro afirmou que orientaria os procuradores estaduais a não recorrer de decisões judiciais que determinassem a compra de medicamentos ou a realização de cirurgias para pacientes atendidos pela rede pública.

6. “Quando lá em cima o desembargador disser ‘compre o medicamento, faça a cirurgia’, já morreu.”

O pré-candidato utilizou a frase para argumentar que a demora decorrente dos recursos apresentados pelo Estado pode impedir que a decisão final beneficie o paciente em tempo hábil.

7. “O dinheiro não é meu. O dinheiro não é do Tribunal de Contas. O dinheiro não é da Assembleia Legislativa. O dinheiro é do povo.”

A declaração foi apresentada como justificativa para priorizar o cumprimento imediato das decisões judiciais na área da saúde, mesmo diante da possibilidade de questionamentos dos órgãos de controle.

8. “O PSOL não é um puxadinho do PT.”

Teodoro afirmou que o partido integra a base do governo Lula em determinados projetos, mas possui independência política e não aderirá automaticamente à candidatura presidencial petista em Rondônia.

9. “Se o Trump vier para Rondônia, sofrer um atentado e precisar ir para um hospital, ele vai para o João Paulo.”

A comparação foi utilizada para elogiar as especialidades e os profissionais do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II. Segundo Teodoro, o problema da unidade estaria concentrado na estrutura física, e não na qualificação dos servidores.

10. “Chegou R$ 200 na conta de energia da pessoa que está no Cadastro Único, ela vai pagar só R$ 100.”

A frase resume a proposta de subsidiar metade da fatura de energia das famílias inscritas no Cadastro Único. Para consumidores e empresas não cadastrados, Teodoro propôs que o Estado assumisse 20% do valor.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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