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Pesquisa eleitoral em Rondônia: informação ou instrumento de influência?

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Por Cícero Moura - segunda-feira, 24/08/2026 - 08h27

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FATO

Vou começar deixando clara uma posição pessoal: eu não acredito em pesquisa eleitoral como verdade antecipada das urnas. Muito menos em Rondônia.

OBSERVAÇÃO

Isso não significa dizer que toda pesquisa seja falsa, manipulada ou encomendada para beneficiar alguém.

ANÁLISE

Seria irresponsável fazer uma acusação dessa natureza sem provas. O que questiono é outra coisa: até que ponto determinados levantamentos conseguem realmente retratar a vontade do eleitor rondoniense?

POUCO TEMPO ATRÁS

A história recente recomenda, no mínimo, cautela. Rondônia já assistiu a eleições em que o resultado das urnas contrariou cenários apresentados durante a campanha.

VIRADA

Candidato que aparecia atrás terminou eleito. Favorito deixou de confirmar a expectativa.

PREFEITO

Em 2024, na eleição para a Prefeitura de Porto Velho, mais uma vez vimos uma disputa capaz de desafiar previsões e demonstrar que existe uma distância considerável entre fotografia eleitoral e voto efetivamente depositado na urna.

QUESTIONAMENTO

E é justamente aí que nasce uma pergunta muito mais importante do que saber quem está na frente ou atrás numa determinada pesquisa.

QUESTIONAMENTO 2

Números que não correspondem à realidade ajudam o eleitor a decidir ou podem influenciá-lo artificialmente?

MÉTODO

Pesquisa séria é instrumento legítimo de informação. Tem metodologia, amostragem, margem de erro, nível de confiança, questionário, contratante, registro e responsabilidade técnica.

FORA DA CURVA

Mas, quando os números destoam de maneira gritante de praticamente todos os demais indicadores conhecidos, é natural que apareçam questionamentos.

NITIDEZ

E questionar não significa acusar. Significa exigir transparência. Em Rondônia, o assunto já virou quase folclore político.

NA SOMBRA

Quando determinado “instituto” anuncia que vai divulgar uma pesquisa, há políticos que ironizam perguntando embaixo de qual pé de manga foram feitas as entrevistas.

DOIS LADOS

É engraçado como provocação, mas extremamente preocupante quando pensamos no que está por trás da piada: a perda de confiança.

SERIEDADE

E confiança é tudo quando estamos falando de pesquisa eleitoral. Tenho uma experiência pessoal que reforça minha cautela.

TRIBUNAL

Em 2022, uma coluna do Espaço Aberto, na qual questionei números que considerei absurdos apresentados por uma pesquisa, acabou sendo citada numa petição em ação contra a coligação que aparecia beneficiada pelo levantamento.

SEM NOVIDADE

Portanto, não estou descobrindo esse problema agora. O debate existe há anos. Também me incomoda o fato de que a Justiça Eleitoral, em regra, só atua quando é provocada.

LEGALIDADE

Evidentemente há regras para registro, divulgação e fiscalização das pesquisas, e existem instrumentos legais para contestá-las.

DETALHE

Mas, diante do potencial que uma pesquisa possui para interferir na percepção pública de uma eleição, talvez seja legítimo discutir se os mecanismos existentes são suficientes.

EFEITO

Porque pesquisa não mostra apenas números. Pesquisa cria ambiente político. Pode estimular militância, atrair apoios, facilitar alianças, mexer com financiadores, produzir manchetes, gerar a sensação de crescimento ou de derretimento de uma candidatura e, principalmente, influenciar o chamado voto útil.

SERIEDADE

Por isso, um levantamento eleitoral não pode ser tratado como brincadeira. A pesquisa mais recente divulgada em Rondônia chama atenção justamente porque, aparentemente, caminha na contramão de cenários internos que circulam nos bastidores políticos e partidários.

PERGUNTA

Isso prova que ela é falsa? Não. Também não prova que esteja correta. E essa distinção precisa ser feita com responsabilidade.

SENSIBILIDADE

Pode ser que o instituto tenha captado uma mudança que outros levantamentos ainda não perceberam.

PROCEDIMENTO

Pode ser diferença metodológica, amostral ou de momento da coleta. Pode ser que os chamados números internos estejam errados.

REALIDADE

E pode ser, simplesmente, que as urnas apresentem uma realidade completamente diferente de tudo aquilo que estamos vendo agora.

INTOCÁVEL

Existe apenas uma pesquisa absolutamente definitiva. Aquela feita pelo eleitor diante da urna. No dia 4 de outubro, saberemos muito mais.

URNA

Ali não haverá margem de erro, intervalo de confiança, projeção ou interpretação de instituto. Haverá voto contado. E então poderemos comparar.

RECONHECIMENTO

Se os números divulgados agora estiverem próximos do resultado eleitoral, será justo reconhecer que o levantamento conseguiu identificar corretamente o sentimento do eleitor naquele momento.

OUTRA BRAVATA

Se estiverem absurdamente distantes, teremos mais um episódio para o já extenso folclore das pesquisas eleitorais em Rondônia.

OPINIÃO

Até lá, minha posição continuará sendo a mesma: pesquisa pode ser informação, pode orientar estratégias e pode fotografar determinado momento.

OPINIÃO 2

O que ela jamais deveria ser é instrumento para fabricar uma realidade eleitoral que não existe. Porque eleição se disputa com proposta, história, credibilidade e voto. Número nenhum deveria tentar votar antes do eleitor.

SABATINA

Todos os candidatos ao Governo de Rondônia passarão, a partir desta segunda, pela sabatina dos Dinossauros. Desta segunda e até a outra, estão agendadas participações dos concorrentes no programa de maior audiência do rádio rondoniense, em seu horário.

SABATINA 2

Durante uma hora, das 13 às 14 horas, os políticos que almejam chegar à cadeira de Marcos Rocha vão ser entrevistados pelos Dinos Beni Andrade, Cícero Moura, Erik Araújo e Sérgio Pires.

SABATINA 3

Por sorteio, o primeiro a ser recebido no Papo de Redação da Parecis FM será o senador Marcos Rogério, depois o ex-deputado federal Expedito Netto, na sequência o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, Pedro Abib e, na sexta-feira, 28, o ex-prefeito Hildon Chaves.

SABATINA 4

Pelo sorteio, Samuel Costa encerra a série de sabatinas com os Dinossauros na segunda-feira. Caso haja alguma nova posição do TRE, que acate decisão do PSB em apoiar o candidato Netto, do PT, a série encerraria na sexta-feira, dia 28.

FRASE

O voto consciente nasce da análise, não da influência de números, pesquisas ou redes sociais.

Rodapé da coluna

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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