Intervenção no PSB, críticas a Expedito Netto, silêncio de candidatas ao Senado, debate da Band e denúncia de assédio eleitoral movimentam a coluna
CARO LEITOR
Partidos de aluguel são aqueles em que princípios, militância e democracia interna cedem espaço a acordos de ocasião, interesses de poder ou conveniências financeiras.
O velho expediente de intervir em diretórios estaduais talvez funcionasse quando decisões políticas ficavam restritas aos bastidores. Hoje, na era das redes sociais, nada permanece escondido: decisões ecoam, viralizam e cobram explicações.
A pergunta que fica é inevitável: a troco de quê o presidente nacional do PSB, ex-prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, entrou para a galeria dos chamados “vendilhões de partidos”?
Confesso que jamais imaginei ver Campos associado a uma expressão tão dura. Política exige estratégia, mas estratégia não pode ser sinônimo de atropelo àqueles que construíram candidaturas, dedicaram tempo, dinheiro e expectativas a um projeto eleitoral.
Se houve interesse, que se revele. Porque, na política das redes, o silêncio também produz suspeitas e os vendilhões de hoje já não conseguem negociar seus partidos em portas fechadas.
VENDILHÃO
A expressão “vendilhão de partido” critica políticos ou grupos que transformam legendas em balcões de negócios, priorizando cargos, emendas, favores e interesses financeiros em troca de apoio, espaço ou poder, em vez de defender ideias e o interesse público.
NEGÓCIOS
Quando uma direção nacional desfaz, na véspera da largada da campanha eleitoral, aquilo que seu diretório estadual construiu dentro das regras partidárias, a legenda deixa de parecer uma organização política e passa a transmitir a imagem de balcão de negócios. Se houve acordo, que se explique.
CONHECI
Eu e Neidinha Suruí estudamos no mesmo programa de mestrado e doutorado em Geografia da UNIR. Conheci o professor Dr. Vinicius Miguel por meio do meu orientador no GepCultura-UNIR, professor Dr. Josué Costa. Vinicius tem carisma excepcional.
SOLIDÁRIO
O professor Dr. Vinicius Miguel é um excelente profissional da educação e ligado aos movimentos sociais. Solidário às dores das pessoas, deixa por onde passa um legado de empatia, compromisso social e respeito, independentemente de ser filho e sobrinho de desembargadores.
VIOLÊNCIA I
É violência política o que o candidato a governador Expedito Netto (PT) e dirigentes petistas fizeram ao articular intervenção do Diretório Nacional do PSB no diretório estadual da legenda em Rondônia, atingindo candidaturas majoritárias e proporcionais. É a face do PT que muitos preferem não enxergar.
VIOLÊNCIA II
Neidinha Suruí, filiada ao PSB e candidata ao Senado, é uma mulher de combate, ligada à luta e aos movimentos sociais. Por isso, a intervenção do PSB nacional em Rondônia, às vésperas da campanha, ganha contornos de violência política e de gênero em Rondônia.
IMPASSE
O advogado Samuel Costa, candidato ao Governo pelo PSB, também foi retirado da disputa. A legenda realizou sua convenção em 20 de julho, tempo suficiente para a Executiva Nacional resolver o impasse, evitando a intervenção às vésperas do início da disputa eleitoral.
ABSURDO
Se a direção nacional do PSB queria retirar candidaturas, deveria ter feito isso antes. Deixar candidatos majoritários e proporcionais criarem planos e estratégias para, no último momento, informar que o PSB não teria candidaturas em Rondônia é absurdo, sim!
DESGASTE
A postura atribuída a João Campos, presidente do PSB, ao intervir em Rondônia, abre uma crise institucional para a legenda. O episódio também alcança Expedito Netto (PT), citado nas articulações que envolveram Neidinha Suruí e ampliaram o seu desgaste.
RECONHECIDA
Para quem conhece a trajetória de Neidinha Suruí, o conflito não surpreende. Mulher honesta, ativista indígena e ambiental, reconhecida internacionalmente, Neidinha tem uma história marcada pelo enfrentamento em defesa da Floresta Amazônica, dos povos indígenas e pela atuação nos movimentos sociais.
EXPÕE
O episódio ultrapassa uma disputa interna: prejudica candidaturas, enfraquece o PSB e expõe Rondônia da pior maneira nos cenários nacional e internacional. Também revela contradições do PT, partido que se apresenta como defensor da democracia, mas cuja atuação neste episódio merece ser questionada.
SOLIDARIZA
A coluna se solidariza com o jornalista Rubens Coutinho, que questionou a candidata ao Senado Luciana Oliveira (PT) sobre o silêncio diante do que considera violência política e de gênero contra Neidinha Suruí. Após o questionamento, Luciana e as Mulheres do PT divulgaram nota oficial sobre o episódio.
ESTRANHEZA
O que mais causa estranheza é o silêncio de outras candidaturas ao Senado. Mariana Carvalho (Republicanos), Silvia Cristina (PP) e os demais concorrentes poderiam se manifestar sobre o episódio e demonstrar solidariedade diante do que foi denunciado como violência política e de gênero contra Neidinha Suruí, no contexto da intervenção promovida pelo PSB nacional.
ESCONDE I
Falando em estranheza, o candidato a governador Adailton Fúria (PSD) parece fazer questão de esconder do eleitorado justamente quem deveria estar ao seu lado: o governador Coronel Marcos Rocha (PSD), a primeira-dama e secretária de Assistência Social, Luana Rocha, e o ex-senador Expedito Júnior, secretário-geral do PSD em Rondônia.
ESCONDE II
Adailton Fúria (PSD) esconde Marcos Rocha, Luana Rocha e Expedito Júnior como personagens bíblicos que, por diferentes razões, enfrentaram isolamento. Miriã foi afastada do acampamento por sete dias após questionar Moisés; o rei Uzias viveu isolado após transgredir as leis do templo; e Naamã precisou superar o estigma da lepra antes de ser curado por Eliseu.
ESCONDE III
O candidato governista Adailton Fúria (PSD) também parece evitar associar sua imagem a nomes importantes da própria gestão estadual, como o diretor-geral do Detran, Sandro Rocha; o chefe da Casa Civil, Elias Resende; Marcos Lagos, da Sedam; Luiz Paulo, da Agricultura; Coronel Eder Dias; Massud Brada, da Educação; Davi Inácio, da Sepat; Gilvan Pereira, do Turismo; e Paulo Higo, do Esporte e Cultura.
PERGUNTA
A pergunta que fica é: entre tantos aliados, quem Adailton Fúria (PSD) enxerga como Miriã, o rei Uzias e Naamã?
Se o candidato governista evita hoje secretários e aliados do próprio grupo, fica a dúvida: em eventual governo, eles terão força para indicar alguém ou serão novamente deixados no isolamento?
Afinal, quem não aparece na campanha dificilmente terá espaço na caneta.
DEBATE I
A Rondovisão TV abre, nesta terça-feira (18), a série de debates do Band Eleições 2026 em Rondônia. A emissora será a primeira a reunir os candidatos ao Governo do Estado para confrontarem propostas, ideias e projetos para governar Rondônia.
DEBATE II
O debate da Rondovisão TV, afiliada da Band, será transmitido simultaneamente pela televisão, YouTube e portal da emissora. O encontro está previsto para começar às 11h e terminar às 13h30, com duas horas e meia de duração, sob comando do jornalista Marcelo Reis.
DEBATE III
À noite, a partir das 19h30, o Portal Rondoniaovivo promoverá um debate entre os candidatos a vice-governador de Rondônia. A iniciativa é apresentada como inédita no país e reunirá representantes de todas as chapas confirmadas. A transmissão ocorrerá pelo YouTube e pelas redes sociais do portal, com mediação do jornalista Ivan Frasão, apresentador do Conexão Rondoniaovivo.
INDEFERIMENTO
Sobre o pedido da Procuradoria Regional Eleitoral pelo indeferimento do registro do deputado estadual Alan Queiroz (PL), vale destacar que se trata de etapa do processo eleitoral. Quem decide é a Justiça Eleitoral. O parecer do MP é opinativo.
ELEGIBILIDADE
A discussão sobre a elegibilidade de Alan Queiroz (PL) remonta a 2014 e teve efeitos suspensos pela Justiça. O caso envolve as contas da Câmara de Porto Velho, quando Alan presidia a Casa. O TCE-RO levou quase 12 anos para julgar.
IRREGULARIDADE
A principal irregularidade apontada pelo TCE-RO envolvia a majoração dos subsídios dos vereadores pela Resolução nº 560/CMPV-2012, posteriormente suspensa por liminar. Ao final do julgamento, a multa foi reduzida para R$ 2.283,86.
RECONHECEU
Em 13 de outubro de 2014, o desembargador Alexandre Miguel concedeu liminar em mandado de segurança e suspendeu os efeitos da decisão do TCE-RO e da tutela inibitória. A decisão reconheceu a plausibilidade dos argumentos apresentados pela defesa.
DECISÃO
Na decisão, o magistrado apontou que não houve violação ao teto constitucional nem à regra da anterioridade. Também questionou a competência do TCE-RO para declarar a inconstitucionalidade de normas da Câmara Municipal de Porto Velho.
DEFESA
A defesa sustenta que a base utilizada pelo Ministério Público Eleitoral para pedir o indeferimento já teve efeitos suspensos pela Justiça. Alan Queiroz afirma respeitar o MPE e confiar que o TRE-RO manterá seu registro após analisar o conjunto probatório.
DENÚNCIA
O vereador Amarilson Carvalho (PL) levou à tribuna da Câmara de Cacoal uma denúncia grave sobre suposto assédio eleitoral envolvendo servidores do Governo de Rondônia. Segundo ele, trabalhadores teriam relatado constrangimentos e pressão.
AMEAÇAS
Ainda segundo Amarilson Carvalho (PL), haveria ameaças veladas de consequências funcionais caso servidores não adesivassem seus veículos particulares com propaganda de candidatos apoiados pela gestão do governador Coronel Marcos Rocha (PSD), padrinho político de Adailton Fúria (PSD).
SÉRIO
Falando sério, entre debates, denúncias, disputas internas partidárias e estratégias eleitorais, a campanha de 2026 começa a mostrar quem tem proposta, quem tem padrinho e quem prefere o silêncio.
No fim, a urna não perdoa improvisos, contradições nem velhos acordos de bastidores.
Com informações de: Herbert Lins

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AUTOR: HERBERT LINS





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