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ELEIÇÕES 2026
“Eu sei fazer. Eu já fiz. E eu vou fazer muito mais”: Silvia Cristina oficializa pré-candidatura ao Senado diante de multidão em Ji-Paraná

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Em discurso marcado pela emoção, deputada relatou a infância pobre, o assassinato do pai, a superação da gagueira e do câncer, e apresentou a chapa com os suplentes Marcelo Lucas e Rodrigo Marinho

Por Vinicius Canova - segunda-feira, 13/07/2026 - 14h26

Porto Velho, RO – “Confie em mim. Eu sei fazer. Eu já fiz. E eu vou fazer muito mais.” Foi com essa declaração que a deputada federal Silvia Cristina (Progressistas) encerrou, na noite do último sábado (11), o pronunciamento que oficializou sua pré-candidatura ao Senado Federal, diante de um Clube Vera Cruz lotado, em Ji-Paraná. A frase resumiu a tese central da noite: a de que a trajetória construída em dois mandatos na Câmara dos Deputados, concentrada na área da saúde, credencia a parlamentar à disputa por uma das duas vagas de Rondônia na Câmara Alta. “Rondônia, eu estou pronta para servir o nosso Estado no Senado!”, proclamou, sob aplausos.

Os números da mobilização deram a dimensão política do encontro estadual do Progressistas. Entre presentes e representados, foram contabilizados 47 chefes do Executivo municipal, somando prefeitos e vice-prefeitos, além de mais de 200 vereadores, deputados estaduais, deputados federais, representantes das APAEs e lideranças da sociedade civil, com público estimado entre 1,5 mil e 2 mil pessoas. O cerimonial dedicou longo período à chamada nominal dos gestores municipais de todas as regiões do estado, de Alta Floresta d’Oeste a Vilhena, de Costa Marques a Cabixi, convidados a compor o dispositivo de honra no palco, ao lado das bancadas de vereadores e dos pré-candidatos da sigla. Antes dos pronunciamentos, a organização fixou o tempo de dois minutos para cada autoridade, em respeito ao público presente.

Deputada federal Silvia Cristina durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado, no Clube Vera Cruz, em Ji-Paraná
Pré-candidatura ao Senado

Silvia Cristina lança pré-candidatura ao Senado em Ji-Paraná com trajetória de vida, balanço na saúde e recado a adversários

Diante de um Clube Vera Cruz lotado, deputada federal do Progressistas oficializou o projeto senatorial, anunciou Marcelo Lucas e Rodrigo Marinho como suplentes e reuniu 47 chefes do Executivo municipal, mais de 200 vereadores e público estimado entre 1,5 mil e 2 mil pessoas

Encontro estadual do Progressistas — Clube Vera Cruz, Ji-Paraná, sábado (11)

R$ 514 mi

Destinados ao tratamento de saúde da população do estado, conforme destacado pelo cerimonial do evento

Número citado no evento

929

Proposituras legislativas contabilizadas pela deputada no balanço dos dois mandatos na Câmara

Número citado pela pré-candidata

47

Chefes do Executivo municipal, entre prefeitos e vice-prefeitos, presentes ou representados no encontro

Contabilizado pela organização

4

Hospitais construídos, segundo o balanço apresentado: “Eu prometi um hospital. Nós construímos quatro”

Segundo a pré-candidata

“O Senado é coisa séria. O Senado é quem revisa as matérias da Câmara Federal, onde as decisões mais importantes do Brasil estão. No Senado têm que estar pessoas preparadas, de ficha limpa e pessoas que têm trabalho pesado, não se pode brincar”

Silvia Cristina, no trecho mais duro do pronunciamento

Os eixos da noite

1

Da lavadeira ao Senado

O discurso foi organizado como narrativa de vida: filha de lavadeira, pai assassinado quando ela tinha 19 anos, gagueira superada até os 12 e 27 anos de carteira assinada na comunicação.

2

Câncer como ponto de inflexão

Diagnosticada aos 32 anos, disse ter sido mutilada pelo tratamento e ficado dez anos sem se olhar no espelho — experiência que, segundo ela, originou sua vida pública.

3

Balanço na saúde

Quatro hospitais, dois centros de prevenção de câncer, centro de reabilitação, hospital de cirurgias de catarata, a criação da Comissão de Saúde na Câmara e a Política Nacional de Combate ao Câncer.

4

Recado aos adversários

Sem citar nomes, respondeu a quem “diz que vai cassar ministro” exigindo ficha limpa, e dividiu a política entre o político “simpático” e o “empático”, que desce ao poço e sobe junto.

O que mais marcou o encontro

A chapa

O empresário do agronegócio Marcelo Lucas foi anunciado como primeiro suplente e Rodrigo Marinho como segundo. “Ela não é opção, é necessidade”, disse Lucas — aceno lido pelo setor produtivo como aproximação com o agro.

Palanques alheios

Adailton Fúria (PSD), pré-candidato ao Governo em campo adversário, compareceu e reconheceu a parceria na saúde em Cacoal. Carlos Magno explicou presença pessoal, não partidária: “Eu não tenho mais idade pra vaidade, é missão.”

Duas mulheres no Senado

Hildon Chaves, prefeito de Porto Velho e pré-candidato ao Governo, destacou: “Pela primeira vez na história de Rondônia, nós temos uma possibilidade real de eleger duas mulheres ao Senado da República.”

Marcos da trajetória

Vereadora mais votada da história de Ji-Paraná em 2012, com 3.777 votos, e primeira deputada federal negra do estado de Rondônia, conforme celebrou no discurso, expondo o preconceito que enfrentou no caminho.

O pedido de Isadora

A menina Isadora, portadora de diabetes tipo 1, pediu a continuidade do apoio ao centro de referência para diabéticos — com projeto, terreno e recursos garantidos por emenda, para atender mais de 20 mil pessoas. “Com certeza”, respondeu a deputada.

A voz dos municípios

O prefeito de Rolim de Moura, Aldo Júlio, destacou a capilaridade: “Trabalhou nos 52 municípios de Rondônia.” De Guajará-Mirim, por vídeo, o prefeito Fábio Netinho manifestou apoio incondicional, e o anfitrião Jesuano Pires apostou que ela será a senadora mais votada.

Frases do discurso

01

“Eu sou filha de uma lavadeira. Uma mulher de 1,5 metro, mas grande.”

02

“Hoje se chama bullying, mas antes era sarro, riam na minha cara. E sabe o que eu fiz? Eu estudei, eu tirei as melhores notas da escola.”

03

“Como que pode uma menina gaga se tornar locutora de rádio? Com Deus, tudo é possível.”

04

“Eu não escolhi apenas sobreviver. Eu escolhi viver, servir e amar as pessoas e salvar vidas.”

05

“Eu prometi um hospital. Nós construímos quatro.”

06

“Tem gente aí dizendo que vai cassar ministro. Pra cassar ministro, primeiro precisa ter ficha limpa. Eu posso bater no peito e dizer que eu sou ficha limpa.”

“Confie em mim. Eu sei fazer. Eu já fiz. E eu vou fazer muito mais. Rondônia, eu estou pronta para servir o nosso Estado no Senado!”

Silvia Cristina — pré-candidata ao Senado pelo Progressistas

Fonte: cobertura do lançamento da pré-candidatura de Silvia Cristina ao Senado, no encontro estadual do Progressistas, Clube Vera Cruz, Ji-Paraná, sábado (11). Informa Rondônia. Todos os números e declarações pertencem aos pronunciamentos e à organização do evento.

A noite também definiu publicamente a composição da chapa: o empresário do agronegócio Marcelo Lucas foi anunciado como primeiro suplente, acompanhado da esposa, Denise, e Rodrigo Marinho como segundo suplente. “A Silvia é necessária para Rondônia. Ela não é opção, é necessidade. O trabalho que ela desempenhou na Saúde ficou para a história”, afirmou Marcelo Lucas, que se disse impressionado com a quantidade de pessoas no clube. Rodrigo Marinho seguiu o mesmo diagnóstico: “Ambiente lotado, casa cheia. Isso demonstra claramente que a população reconhece o trabalho da Silvia Cristina. E eu tenho orgulho de estar participando dessa chapa. Ladeado por uma mulher que inspira e faz da política uma ferramenta de transformação na vida das pessoas.”

Da lavadeira ao Senado: o fio condutor do discurso

Se a estrutura do evento falou aos convencionais da política, o discurso de Silvia Cristina falou à plateia. A pré-candidata organizou o pronunciamento como uma narrativa de vida, da infância à pretensão senatorial. “Uma história construída para servir, ela não nasce só. Ela nasce das mãos de Deus e da confiança das pessoas”, abriu, para em seguida apresentar suas origens: “A minha vida inicia de uma maneira muito simples. Eu sou filha de uma lavadeira. Uma mulher de 1,5 metro, mas grande. Mas pra mim foi a melhor professora que eu tinha. Ela me ensinou que caráter vale mais do que cargo. Ela me ensinou que humildade e honestidade são mais fortes do que o dinheiro.”

O relato familiar avançou para a homenagem ao pai, seu Pedro, “um homem analfabeto, braçal e que mesmo a vida toda ganhando um salário mínimo, eu nunca vi um cobrador na frente da minha casa” — e para a tragédia que o vitimou. “Eu fui vítima da violência. Meu pai faleceu quando eu tinha 19 anos, assassinado. Isso aconteceu do dia 25 para o dia 26 de dezembro. Não foi fácil, mas Deus sempre me sustentou e permitiu que eu avançasse”, declarou.

A deputada expôs ainda outra marca da infância: a gagueira, que a acompanhou até os 12 anos. “Ficava lá no fundo da classe, com vergonha. Hoje se chama bullying, mas antes era sarro, riam na minha cara. E sabe o que eu fiz? Eu estudei, eu tirei as melhores notas da escola”, contou. A superação, segundo ela, veio pelo microfone: tornou-se locutora de rádio e construiu 27 anos de carteira assinada na comunicação. “Como que pode uma menina gaga se tornar locutora de rádio? Com Deus, tudo é possível. É Deus que levanta a gente”, afirmou, definindo-se como jornalista autodidata: “Não tinha oportunidade de estudar. Minha mãe não tinha dinheiro para eu ir para a faculdade de jornalismo que eu queria. Mas sou autodidata. Aprendi na prática.”

O ponto de inflexão da trajetória, contou a parlamentar, veio aos 32 anos, com o diagnóstico de câncer no auge da carreira. Ela provocou o público perguntando se alguém dormiria após receber a notícia — e respondeu que dormiu. “Não era a paz da medicina, era a paz da fé em Deus, que sempre me sustentou. Eu sabia que Deus não estava colocando um fim na minha história, Ele estava me dando uma oportunidade de um novo capítulo”, relatou. A deputada não poupou o público das sequelas: disse ter sido mutilada pelo tratamento, que classificou como precário à época, em 2007, e revelou ter ficado dez anos sem se olhar no espelho. “Mas eu sobrevivi. E eu não escolhi apenas sobreviver. Eu escolhi viver, servir e amar as pessoas e salvar vidas”, concluiu.

Foi dessa experiência, segundo o relato, que nasceu a vida pública — não sem antes uma confissão que arrancou risos da plateia: “Eu vou contar um segredo. Eu queria ser bancária. Eu imaginava que cuidar de dinheiro poderia me tornar uma pessoa bem-sucedida. Mas eu nunca fui bem de exatas. Eu sempre fui boa de humanas. Eu sempre tive no DNA cuidar de pessoas.” Convidada pelo grupo de apoio a pacientes que havia formado, disputou a primeira eleição e tornou-se a vereadora mais votada da história de Ji-Paraná em 2012, com 3.777 votos — “até hoje ninguém nunca atingiu a nossa marca”, frisou. Após uma derrota na disputa por deputada estadual, que admitiu ter chorado, chegou à Câmara dos Deputados quatro anos depois. “Deus me honrou mais uma vez e me tornou a primeira deputada federal negra do estado de Rondônia”, celebrou, denunciando o preconceito que enfrentou no caminho: “Muitos não acreditavam e falavam: aquela preta não vai chegar em canto nenhum. Aquela preta tem Deus e tem o apoio das pessoas de bem do Estado.”

Balanço de mandato e recado aos adversários

Na prestação de contas, a pré-candidata concentrou-se nas entregas de saúde. “Eu prometi um hospital. Nós construímos quatro”, afirmou, listando dois centros de prevenção de câncer — um em Ji-Paraná e outro em Vilhena —, um centro de reabilitação para pessoas com deficiência e um hospital de cirurgias de catarata, que segundo ela “não devolve apenas visão, devolve dignidade”. Citou equipamentos importados da Suíça, do Chile e da Áustria e arrancou aplausos ao justificar o padrão: “Sou uma preta que gosta de coisa boa, que não vou oferecer nada de segunda pro meu povo. Faço como se fosse pra minha família.” O cerimonial havia destacado, na abertura, que a parlamentar destinou mais de R$ 514 milhões para o tratamento de saúde da população do estado.

No campo legislativo, a deputada contabilizou 929 proposituras e reivindicou a criação da Comissão de Saúde na Câmara dos Deputados, cujos temas, relatou, eram antes discutidos na Comissão de Seguridade Social e Família. “Eu lutei até conseguir criar a Comissão de Saúde porque sabia que nós iríamos transformar o Brasil com a Comissão de Saúde. E hoje, depois da CCJ, é a comissão mais forte, mais importante da Câmara Federal”, disse. Destacou também a Política Nacional de Combate ao Câncer, lei de sua autoria, sancionada e regulamentada por portarias que estabelecem a jornada completa do paciente: prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. “Não se faz política com discurso, se faz política com trabalho concreto”, resumiu.

O trecho mais duro do pronunciamento veio na defesa dos requisitos para a Câmara Alta. “O Senado é coisa séria. O Senado é quem revisa as matérias da Câmara Federal, onde as decisões mais importantes do Brasil estão. No Senado têm que estar pessoas preparadas, de ficha limpa e pessoas que têm trabalho pesado, não se pode brincar”, afirmou, antes do recado direto: “Tem gente aí dizendo que vai cassar ministro. Pra cassar ministro, primeiro precisa ter ficha limpa. Eu posso bater no peito e dizer que eu sou ficha limpa.” Na sequência, dividiu a classe política em dois tipos: o político “simpático”, que sorri e bate nas costas mas nada faz por quem está no fundo do poço, e o “empático”, que “vai atrás de uma corda, desce porque a pessoa não tem força pra subir” e sobe junto. Ao avistar o neto, Heitor, na plateia, emocionou-se: “Eu vejo não somente ele, eu vejo milhares de crianças que esperam nos seus políticos proteção, cuidado, dias melhores.”

O peso dos palanques alheios

Um dos dados políticos mais eloquentes da noite esteve fora da chapa. O ex-prefeito de Cacoal e pré-candidato ao Governo do Estado, Adailton Fúria (PSD), compareceu ao evento mesmo em campo adversário na disputa majoritária. “A Silvia foi uma grande parceira da nossa gestão enquanto eu estive à frente da prefeitura de Cacoal, com investimentos na área de saúde. Eu jamais seria capaz ao ponto de não reconhecer o trabalho dela, mesmo estando em palanque diferente. Estamos na torcida, estamos juntos nesse processo, eu tenho certeza que quem ganha com isso é o Estado de Rondônia”, declarou. A esposa, Juliane Fúria, pré-candidata a deputada federal, também prestigiou a solenidade antes de seguir para a abertura da festa agropecuária de Seringueiras. “Todo evento que é grandioso, a gente está lá na porta e hoje não poderia ser diferente”, disse, acrescentando sobre seus planos: “Na última eleição não deu certo por uma questão de quociente eleitoral, mas agora nós já organizamos a nominata, já nos preparamos. Se o nosso bom Deus permitir, Rondônia vai ter mais uma deputada federal.”

Na mesma chave, o ex-deputado Carlos Magno, recém-licenciado da Casa Civil e pré-candidato a deputado estadual, explicou que sua presença era pessoal, e não partidária, já que sua sigla ainda não realizou convenção. “Eu, como presidente de um partido, não posso dizer isso como partido. Mas pessoalmente eu tenho o direito de escolher”, justificou, revelando a razão da admiração: “Eu já tive problemas de saúde, já passei por diversas dificuldades, sei a importância disso. A Silvia Cristina é realmente uma pessoa que eu admiro muito.” O veterano, que disputou o Senado em 2018 e obteve 163 mil votos, resumiu sua nova candidatura: “Eu não tenho mais idade pra vaidade, é missão. A minha vontade é de estar ajudando o meu Estado, carregando a minha bandeira do produtor, do setor primário, e na área social e da saúde.”

O pré-candidato ao Governo do Estado Hildon Chaves, prefeito de Porto Velho, integrante do dispositivo de honra, destacou a possibilidade histórica do pleito. “Pela primeira vez na história de Rondônia, nós temos uma possibilidade real de eleger duas mulheres ao Senado da República. A participação da mulher é importantíssima”, afirmou, completando: “Eu desejo muito sucesso à Silvia porque eu tenho certeza também que com a eleição dela o Estado de Rondônia vai ser um Estado melhor.”

O aceno ao agro e a voz dos municípios

A escolha de Marcelo Lucas para a primeira suplência foi lida por lideranças do setor produtivo como um aceno da campanha ao agronegócio. “A Silvia faz um excelente trabalho na saúde, e o Marcelo, melhor do que ninguém, conhece as dores do campo, as dores de nós que produzimos e geramos emprego e renda no Brasil. A vinda do Marcelo é uma somatória muito importante”, avaliou o empresário Pedrinho Rack, de Ji-Paraná, para quem a lotação do clube não surpreendeu: “Para nós que somos de Ji-Paraná e conhecemos bem a Silvia, é muito natural, pelo bom trabalho que ela exerce.” O agricultor Rudi De Ros, de São Miguel do Guaporé, sócio do suplente, reforçou: “Já fui sócio dele, tenho sociedade com ele ainda. Eu acho que vai engrandecer muito o mandato da Silvia Cristina, porque ele vai saber o que realmente Rondônia precisa na agricultura. Está muito forte. Com certeza vai ser a nossa senadora.”

Entre os gestores municipais, o prefeito de Rolim de Moura, Aldo Júlio, sublinhou a capilaridade da parlamentar: “A Silvia Cristina é uma deputada que trabalhou nos 52 municípios de Rondônia, percorreu todos os municípios, anda muito e faz política perto da comunidade. A Silvia ouve o povo.” Para o gestor, a noite representava “uma largada extraordinária” de um projeto “que começa hoje e vai ser forte, vai ser firme”. Aldo Júlio aproveitou para atualizar os números de sua gestão, com mais de R$ 140 milhões em obras em execução e outros R$ 55 milhões chegando com recursos federais, na meta de “deixar uma Rolim de Moura totalmente transformada”.

Dos pronunciamentos no palco, destacou-se o do vereador Marcelo Lemos, presidente da Câmara Municipal de Ji-Paraná, que representou o prefeito e protagonizou um dos momentos mais sensíveis da noite ao apresentar a menina Isadora, portadora de diabetes tipo 1, que pediu diretamente à pré-candidata a continuidade do apoio ao centro de referência para diabéticos — projeto que, segundo o parlamentar municipal, já tem projeto, terreno e recursos garantidos por emenda da deputada, para atender mais de 20 mil pessoas que convivem com a doença no estado. “Com certeza”, respondeu Silvia Cristina. O deputado estadual Ismael Crispim declarou apoio, e o anfitrião Jesuano Pires, ex-prefeito de Ji-Paraná e pré-candidato a deputado federal, cravou a aposta da noite: a de que a pré-candidata será a senadora mais votada de Rondônia. Do telão, o prefeito de Guajará-Mirim, Fábio Netinho, com o vice, Ricardinho, e vereadores do município, manifestou “gratidão enorme” e apoio incondicional. Também por vídeo, o presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata, prestou homenagem à parlamentar, cuja parceria viabilizou as unidades do Hospital de Amor em Rondônia.

As dez frases mais impactantes do discurso de Silvia Cristina

01. “Os cargos, eles passam, mas o que fica é a missão que nós temos de servir as pessoas.”

Dita na abertura do pronunciamento, quando a deputada definiu o lançamento não como um ato eleitoral, mas como a renovação de uma “missão de vida”, estabelecendo o tom de todo o discurso.

02. “Eu sou filha de uma lavadeira. Uma mulher de 1,5 metro, mas grande.”

Momento em que apresentou sua origem humilde ao público, homenageando a mãe, dona Alzerita, a quem chamou de sua melhor professora e de quem disse ter aprendido que caráter vale mais do que cargo e que humildade e honestidade são mais fortes do que o dinheiro.

03. “Meu pai faleceu quando eu tinha 19 anos, assassinado. Isso aconteceu do dia 25 para o dia 26 de dezembro.”

Relato da tragédia familiar que a marcou na juventude. Ela homenageou a memória do pai, seu Pedro, homem analfabeto e braçal que, mesmo ganhando um salário mínimo a vida toda, nunca deixou um cobrador bater à porta da família.

04. “Hoje se chama bullying, mas antes era sarro, riam na minha cara. E sabe o que eu fiz? Eu estudei, eu tirei as melhores notas da escola.”

Ao recordar que foi gaga até os 12 anos e sofria preconceito na escola, escondendo-se no fundo da classe por vergonha, apresentou o estudo como sua primeira resposta à adversidade.

05. “Como que pode uma menina gaga se tornar locutora de rádio? Com Deus, tudo é possível.”

A frase sintetiza a virada profissional de sua trajetória — a menina que gaguejava tornou-se locutora e, depois, jornalista autodidata, com 27 anos de carteira assinada na comunicação, sem ter tido condições financeiras de cursar a faculdade de jornalismo que desejava.

06. “Na noite que eu descobri que eu estava com câncer, eu dormi. Não era a paz da medicina, era a paz da fé em Deus.”

Relato do diagnóstico de câncer recebido aos 32 anos, no auge da carreira. Ela devolveu a pergunta ao público — se dormiriam ao receber um diagnóstico positivo — e explicou que sua serenidade vinha da certeza de que Deus lhe dava “um novo capítulo”, e não um fim.

07. “Eu não escolhi apenas sobreviver. Eu escolhi viver, servir e amar as pessoas e salvar vidas.”

Conclusão do relato sobre o tratamento oncológico, período em que disse ter sido mutilada e ter ficado dez anos sem se olhar no espelho. A frase marca a transição do drama pessoal para a vocação pública que originou sua carreira política.

08. “Muitos não acreditavam e falavam: aquela preta não vai chegar em canto nenhum. Aquela preta tem Deus e tem o apoio das pessoas de bem do Estado.”

Dita ao celebrar sua chegada à Câmara dos Deputados como a primeira deputada federal negra da história de Rondônia, expondo o preconceito racial que enfrentou e revertendo a ofensa em afirmação de fé e de apoio popular.

09. “Eu prometi um hospital. Nós construímos quatro.”

Frase-síntese do balanço de mandato, ao enumerar as entregas na saúde — quatro hospitais, dois centros de prevenção de câncer (Ji-Paraná e Vilhena), um centro de reabilitação para pessoas com deficiência e um hospital de cirurgias de catarata —, além das 929 proposituras legislativas, da criação da Comissão de Saúde na Câmara e da Política Nacional de Combate ao Câncer.

10. “Tem gente aí dizendo que vai cassar ministro. Pra cassar ministro, primeiro precisa ter ficha limpa. Eu posso bater no peito e dizer que eu sou ficha limpa.”

Único momento de contraposição direta a adversários no discurso. Ao defender que o Senado “é coisa séria” e exige pessoas preparadas, a pré-candidata respondeu a discursos de outros postulantes, reivindicando ficha limpa e trabalho concreto como credenciais para a Câmara Alta.

As fotos são de Yan Simon (Informa Rondônia) e da pré-campanha de Sílvia Cristina.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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