Ferran Torres marca o gol da vitória por 1 a 0, encerra jejum espanhol de 16 anos e frustra despedida de Lionel Messi dos Mundiais
Porto Velho, RO – A Argentina passou 108 minutos sem conseguir finalizar contra o gol espanhol. Quando finalmente ameaçou, já estava atrás no placar e precisava reagir com um jogador a menos. A vantagem construída por Ferran Torres no segundo tempo da prorrogação foi mantida até o apito final, garantindo à Espanha a vitória por 1 a 0 e o bicampeonato da Copa do Mundo.
O título foi confirmado neste domingo (19), no New York/New Jersey Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos. A seleção espanhola não levantava o troféu desde 2010, quando Andrés Iniesta decidiu a final contra a Holanda, na África do Sul.
Desta vez, o responsável pelo gol também defendia o Barcelona. Ferran Torres saiu do banco de reservas e marcou após cruzamento de Pedro Porro e passe de Nico Williams dentro da pequena área. O atacante finalizou de primeira e encerrou a resistência argentina.
O resultado colocou a Espanha no grupo das seleções que possuem dois títulos mundiais, ao lado de Uruguai e França. Argentina, Alemanha e Itália têm mais conquistas, enquanto o Brasil permanece como único pentacampeão.
A conquista também ampliou para 38 jogos a sequência de invencibilidade espanhola. Com isso, foi superada a marca de 37 partidas sem derrotas registrada pela Itália entre 2018 e 2021. A série da Fúria começou em 26 de março de 2024, no empate por 3 a 3 com o Brasil, em Madri.
Outro feito histórico foi alcançado pelo futebol do país. A Espanha passou a reunir simultaneamente os títulos mundiais masculino e feminino. A seleção feminina venceu a Copa de 2023, disputada na Austrália e na Nova Zelândia. Em 2027, no Brasil, as espanholas tentarão manter o troféu.
O elenco campeão de 2026 terminou a competição com média de idade de 26,2 anos, a sexta menor do torneio. A juventude do grupo permite que jogadores como Gavi, Pedri e Nico Williams estejam novamente em condições de disputar o Mundial de 2030, que terá a Espanha entre as sedes.
Mesmo atletas mais experientes ainda poderão participar da próxima edição. Rodri terá 34 anos, enquanto Marc Cucurella chegará aos 32.
Lamine Yamal também entrou para a história. Aos 19 anos, o atacante tornou-se o campeão mundial mais jovem desde Ronaldo, que tinha 17 anos no título brasileiro de 1994. Diferentemente do brasileiro, que não entrou em campo naquela campanha, Yamal foi uma das principais referências da Espanha no torneio.
O jogador passou a ocupar ainda a quarta colocação entre os campeões mais jovens da história das Copas. O recorde pertence a Pelé, vencedor do Mundial de 1958, na Suécia, aos 17 anos e 249 dias.
A decisão foi acompanhada por integrantes da seleção espanhola campeã em 2010. Iker Casillas, Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta e Joan Capdevilla estiveram em Nova Jersey para assistir à conquista da segunda estrela.
Para a Argentina, a derrota interrompeu a tentativa de chegar ao tetracampeonato e marcou a despedida de Lionel Messi das Copas do Mundo. Aos 39 anos, o camisa 10 disputou o sexto Mundial da carreira.
Messi encerrou sua trajetória no torneio com o título de 2022, os vice-campeonatos de 2014 e 2026 e 21 gols marcados. Ele terminou como o segundo maior artilheiro da história da competição.
O argentino chegou a liderar a lista durante boa parte da Copa de 2026. A marca foi assumida na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, na estreia. No sábado (18), porém, Kylian Mbappé chegou aos 22 gols ao marcar na derrota da França por 6 a 4 para a Inglaterra, em Miami, na disputa pelo terceiro lugar.
Apesar da expectativa criada pelos muitos gols registrados na véspera e pela lembrança da final de 2022, a decisão começou com poucas oportunidades. As duas equipes mostraram nervosismo, e o primeiro tempo terminou sem gols.
A Espanha controlou a posse de bola e criou as principais jogadas. Aos quatro minutos, Yamal tabelou com Dani Olmo, avançou pela direita e finalizou. O chute desviou em Lisandro Martínez e foi defendido por Emiliano Martínez.
Aos 38 minutos, Fabián Ruiz encontrou Dani Olmo na entrada da área. De calcanhar, o meia ajeitou para Mikel Oyarzabal, que tentou o chute de primeira. A finalização foi bloqueada por Dibu Martínez.
Oyarzabal também poderia ter devolvido a bola para Fabián Ruiz, que avançava sem marcação pelo lado esquerdo. A opção, no entanto, foi pela finalização direta.
Pouco antes do intervalo, Marc Cucurella recebeu pela esquerda e chutou cruzado de fora da área. A bola passou próxima à trave. A Argentina terminou a primeira etapa sem nenhuma finalização.
A pressão espanhola aumentou no segundo tempo. Antes do primeiro minuto, Ezequiel Paredes errou um passe na intermediária. Alex Baena recuperou a bola, avançou até a entrada da área e bateu no canto esquerdo. Dibu Martínez realizou a defesa.
A Argentina encontrou dificuldades para ultrapassar o meio-campo. A Espanha manteve a marcação adiantada, acelerou a circulação da bola e procurou espaços na defesa adversária.
Aos 18 minutos, Pedri, que havia entrado no lugar de Fabián Ruiz, acionou Dani Olmo na entrada da área. O chute voltou a ser defendido pelo goleiro argentino.
Três minutos depois, Yamal foi lançado pela direita e cruzou perto da linha de fundo. Ferran Torres, colocado em campo no lugar de Oyarzabal, cabeceou, mas mandou a bola nas mãos de Dibu.
Aos 31 minutos, Pau Cubarsí avançou e finalizou da intermediária. O goleiro deu rebote, e Mikel Merino teve a oportunidade de concluir na pequena área. O chute saiu alto e distante da meta.
A situação argentina ficou ainda mais complicada aos 47 minutos. Enzo Fernández atingiu Cubarsí com uma entrada forte no meio-campo e recebeu o segundo cartão amarelo. Foi a primeira expulsão em uma final de Copa desde Zinedine Zidane, em 2006, na decisão entre França e Itália.
A última oportunidade do tempo regulamentar foi criada aos 52 minutos. Em cobrança de falta próxima à meia-lua, Yamal tentou acertar o ângulo esquerdo. Dibu Martínez se esticou e desviou a bola, levando o confronto para a prorrogação.
Foi a primeira prorrogação disputada pela Espanha na competição e a terceira da Argentina.
Com um jogador a menos, a seleção sul-americana passou a reduzir o ritmo e tentou levar a disputa para os pênaltis. Logo aos dois minutos do tempo extra, Nico Williams cabeceou na pequena área após cruzamento de Pedri, mas o goleiro argentino fez outra defesa.
Aos cinco minutos, Pedro Porro cruzou rasteiro pela direita. Merino dividiu com Nicolás Otamendi, e Nico Williams aproveitou a sobra para marcar. O gol foi anulado por falta do meia espanhol.
Nico Williams voltou a criar perigo aos 12 minutos. Pela esquerda, o atacante cruzou para Merino, que cabeceou rente à trave. A jogada representou a 19ª finalização da Espanha, enquanto a Argentina continuava sem chutar.
O domínio espanhol foi transformado em gol no primeiro ataque da etapa final da prorrogação. Pedro Porro levantou a bola pela direita. Nico Williams ajeitou para trás, e Ferran Torres finalizou com força para abrir o placar.
O atacante ainda voltou a marcar aos sete minutos, após receber passe de Yamal e tocar na saída de Dibu Martínez. O lance foi invalidado por impedimento.
A primeira finalização argentina ocorreu somente aos nove minutos. Messi tentou surpreender Unai Simón em um cruzamento fechado pela direita.
Dois minutos depois, o camisa 10 voltou a ameaçar. O chute forte acertou o rosto de Mikel Merino e não chegou ao gol espanhol.
Nos minutos finais, a Argentina avançou e acumulou cobranças de escanteio. A defesa da Espanha, que sofreu apenas um gol durante toda a Copa, suportou a pressão e confirmou o título após 16 anos.
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