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DESMATAMENTO NO BRASIL
Tarifa dos EUA contra o Brasil usa argumento ambiental sem fundamento, diz pesquisador

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Secretário executivo do Observatório do Clima afirma que alegação sobre desmatamento serve de justificativa política para a imposição de taxa de 25% sobre produtos brasileiros

Por Yan Simon - segunda-feira, 20/07/2026 - 11h42

Porto Velho, RO – A redução do desmatamento registrada no Brasil em 2025 contrasta com a justificativa ambiental apresentada pelos Estados Unidos para aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo país. Dados do MapBiomas apontam que a retirada de vegetação nativa ficou abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019.

Ao longo do ano passado, foram desmatados 984.794 hectares em território brasileiro. O volume representa queda de 20,6% na comparação com 2024, conforme o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil de 2025, o RAD2025.

Apesar dos indicadores, o governo norte-americano incluiu uma suposta permissividade brasileira em relação ao desmatamento entre os argumentos utilizados para impor a nova barreira comercial. Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, a análise adotada pelo governo de Donald Trump não possui sustentação.

Segundo Astrini, a questão ambiental está sendo utilizada como pretexto para a adoção de medidas comerciais contra o Brasil. Ele lembrou que os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Paris e se afastaram de compromissos internacionais ligados ao enfrentamento das mudanças climáticas.

“O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa”, afirmou.

O pesquisador também declarou que os Estados Unidos obtêm vantagens econômicas ao não adotarem medidas mais rigorosas de proteção ambiental, entre elas ações voltadas à redução das emissões de carbono. Ele acrescentou que dezenas de outros países registram desmatamento, mas não foram submetidos à mesma justificativa para a criação de tarifas.

Na avaliação de Astrini, a iniciativa norte-americana tem motivação política e não está relacionada à preservação ambiental. “É apenas uma desculpa para impor uma barreira tarifária ao país”, disse.

As ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis foram apontadas pelo pesquisador como fundamentais para a redução da destruição da vegetação nativa. O reforço financeiro recebido pelo Ibama por meio do Fundo Amazônia permitiu a ampliação das atividades de fiscalização.

A maior parte da área desmatada em 2025 ficou concentrada no Cerrado e na Amazônia. Somados, os dois biomas responderam por mais de 84% de toda a vegetação nativa perdida no país.

O Cerrado permaneceu na liderança, com 540.614 hectares desmatados. O total correspondeu a 54,9% de toda a área destruída no Brasil, mesmo após uma redução de 16,9% em relação ao ano anterior.

Na Amazônia, foram perdidos 289.478 hectares de vegetação nativa. O resultado representou recuo de 23,5% na comparação com 2024.

A maior queda proporcional foi identificada no Pantanal. O bioma registrou redução de 48,4% na área desmatada, com 12.260 hectares perdidos durante o ano.

A expansão da agropecuária continuou como o principal fator de pressão sobre a vegetação brasileira. Nos últimos sete anos, essa atividade esteve relacionada a mais de 97% de toda a área de vegetação nativa eliminada no país. Somente em 2025, o setor respondeu por 99% do desmatamento registrado.

O levantamento também mostrou que 99% da área desmatada associada ao garimpo esteve concentrada na Amazônia. A maior incidência ocorreu no Pará.

No caso dos empreendimentos de energia renovável, a retirada de vegetação ficou praticamente restrita à Caatinga. O bioma concentrou 97% da área desmatada vinculada a esse tipo de atividade.

Os desmatamentos relacionados à expansão urbana cresceram 7% em comparação com 2024. Cerrado e Amazônia reuniram mais de 60% da vegetação nativa perdida em decorrência do avanço de áreas urbanizadas.

O MapBiomas é uma iniciativa formada por universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia. O grupo acompanha as mudanças na cobertura e no uso da terra no Brasil, com foco na conservação, no manejo sustentável dos recursos naturais e no enfrentamento das mudanças climáticas.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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