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Brasil e EUA retomam negociação comercial após conversa entre Lula e Trump

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Reaproximação prevê encontro entre representantes dos dois governos na próxima semana e ocorre em meio ao impasse provocado pelas tarifas aplicadas a produtos brasileiros

Por Yan Simon - sábado, 22/08/2026 - 08h36

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Porto Velho, RO – O impasse comercial provocado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros deverá ganhar uma nova rodada de negociações na próxima semana. A retomada do diálogo foi acertada após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta sexta-feira (21), quando ambos sinalizaram interesse em manter abertas as relações comerciais entre os dois países.

Durante a ligação, que durou uma hora e 20 minutos, Lula argumentou que as novas tarifas causam prejuízos tanto ao Brasil quanto aos Estados Unidos. Segundo o Palácio do Planalto, o presidente brasileiro também contestou as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para as medidas e defendeu que o impasse seja solucionado por meio da negociação.

Entre os pontos utilizados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.

Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais e indicou que as equipes dos dois países voltariam a manter contato. A sinalização abriu caminho para a nova etapa das tratativas entre Brasília e Washington.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou que recebeu contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após a conversa entre os presidentes. A previsão é de que o ministro Márcio Elias Rosa e representantes do Ministério das Relações Exteriores participem de uma reunião com integrantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR.

A data do encontro ainda será definida pelas equipes dos dois governos. Em manifestação conjunta, o Mdic e o MRE avaliaram que a disposição demonstrada pelos presidentes representa uma nova oportunidade para a construção de uma saída negociada para a disputa comercial.

Outros temas também fizeram parte da conversa entre Lula e Trump. Na área de segurança, os presidentes discutiram formas de ampliar a cooperação no enfrentamento ao crime organizado.

Lula defendeu uma atuação conjunta entre os dois países, mas afirmou que organizações criminosas, apesar da pressão exercida sobre populações vulneráveis, não devem ser classificadas como organizações terroristas. O presidente também apresentou ações adotadas pelo Brasil para combater esses grupos, incluindo medidas de asfixia financeira que, segundo as informações apresentadas, resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Entre as iniciativas mencionadas estiveram a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus. De acordo com o Planalto, Trump demonstrou disposição para ampliar a cooperação e informou que deverá indicar representantes de alto escalão para dar sequência às conversas.

Os conflitos internacionais também entraram na pauta. Ao tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, os dois presidentes defenderam uma solução negociada. Lula ainda criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das guerras em andamento e sugeriu a realização de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.

Trump também apresentou as perspectivas do governo norte-americano em relação ao conflito com o Irã. Ao abordar a necessidade de soluções diplomáticas, Lula afirmou: “Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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