Entregadores e seguranças de rua permanecem em prisão temporária após Cláudio Landeiro ser espancado ao ser confundido com autor de furto de bicicleta no Rio
Porto Velho, RO – Quatro homens investigados por envolvimento na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, continuam presos temporariamente no Rio de Janeiro. A vítima morreu depois de sofrer dezenas de golpes de porrete e chutes em Copacabana, na zona sul da capital fluminense. Um quinto suspeito, que também teria participado das agressões, segue sendo procurado pela polícia.
As prisões de dois entregadores por aplicativo, de 23 e 24 anos, foram mantidas neste domingo (23) durante audiências de custódia. Eles são investigados por participação no episódio ocorrido depois que Cláudio foi confundido com um ladrão de bicicleta.
A audiência de um dos entregadores foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. A magistrada considerou que o mandado de prisão havia sido regularmente expedido, permanecia válido e não tinha sido revogado pelo juízo responsável pela investigação. A prisão foi comunicada à 1ª Vara Criminal da Capital.
No caso do segundo entregador, a audiência foi presidida pelo juiz Rafael de Almeida Rezende. Conforme a decisão, a prisão temporária havia sido decretada por 30 dias e o mandado ainda estava dentro do prazo de validade. O magistrado também determinou que o cumprimento da medida fosse informado ao juízo responsável pelo processo.
Outros dois investigados, que atuavam como seguranças de rua, já haviam passado por audiência de custódia no sábado (22). As prisões temporárias de ambos também foram mantidas pela Justiça.
Cláudio foi agredido na madrugada de 12 de agosto. Horas antes, por volta das 22h30, ele havia saído de casa, em Botafogo, utilizando a bicicleta da irmã. Antes das 23h, chegou à Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, onde deixou a bicicleta e entrou em uma loja de conveniência para pedir um cigarro.
Ao sair do estabelecimento, permaneceu em uma esquina. Nesse momento, um dos seguranças de rua apareceu com um porrete e passou a questioná-lo sobre a procedência da bicicleta. Cláudio respondeu que o veículo não era dele. Segundo o relato do caso, porém, por sofrer de problemas psicológicos, não conseguiu completar a explicação de que a bicicleta pertencia à irmã, que morava com ele.
A bicicleta foi retirada à força pelo outro segurança. Quando Cláudio tentou impedir que o veículo fosse levado, recebeu o primeiro golpe de porrete.
Sem a bicicleta, o ciclista seguiu a pé e sentou-se na portaria de um prédio localizado na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Rua Barata Ribeiro. Foi nesse ponto que câmeras de segurança registraram a sequência mais violenta das agressões.
As imagens mostram Cláudio cercado por um segurança e dois entregadores. Em aproximadamente seis minutos de gravação, foram registrados 57 golpes de porrete contra a vítima, a maioria na região da cabeça. O ciclista também sofreu chutes nas costas e na cabeça.
Depois das agressões, os envolvidos deixaram o local, enquanto Cláudio permaneceu caído e sem condições de se levantar. Cerca de 30 minutos mais tarde, uma ambulância do Corpo de Bombeiros chegou e o encaminhou para o Hospital Miguel Couto. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda na madrugada do dia 12.
Em depoimento à polícia, o segurança apontado como autor dos golpes de porrete não apresentou uma explicação para a intensidade das agressões e afirmou “não ter certeza se a bicicleta usada pela vítima era furtada”. Ele também gravou Cláudio caído no chão com um telefone celular. Um dos entregadores teria feito o mesmo e compartilhado as imagens com colegas e moradores da região.
O outro segurança, de acordo com a investigação, não participou diretamente da sequência de espancamento, mas também não acionou o socorro enquanto a vítima permanecia ferida no chão.
A polícia ainda tenta identificar e localizar um quinto homem. Ele teria parado no local durante as agressões e desferido um chute na cabeça de Cláudio. Até o momento, o suspeito não foi identificado e permanece foragido.
Os investigados deverão responder por homicídio qualificado. Segundo a apuração policial, o crime teria sido cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e sem possibilidade de defesa para a vítima.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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