Informa Rondônia
RD ENTREVISTA

“Não vou me render”: Luciana Oliveira relata ameaças e projeta atuação no Senado

"Não vou me render": Luciana Oliveira relata ameaças e projeta atuação no Senado
Pronto
0%Atalhos: Espaço (play/pausa), S (parar), ←/→ (volta/avança)
🛠️ Acessibilidade:

Petista conta que recebeu mensagem dizendo que iria morrer, defende discussão sobre regulação das redes, critica votações da bancada de Rondônia e apresenta experiência na China como referência para infraestrutura e desenvolvimento

Por Vinicius Canova - segunda-feira, 24/08/2026 - 09h30

Informa Rondônia Compartilhe esta reportagem
0 ações
Link copiado.

Porto Velho, RO – Uma ameaça recebida nas redes sociais poucos dias antes de uma viagem de três meses à China marcou um dos relatos mais pessoais de Luciana Oliveira durante o RD Entrevista. Candidata ao Senado pelo PT, a jornalista afirmou ao apresentador Vinícius Canova que foi alvo de uma mensagem direta dizendo que morreria e que a resposta da plataforma à denúncia aumentou sua preocupação com o funcionamento das redes.

O podcast é realizado no Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia. Ao longo da entrevista, Luciana relacionou o episódio de violência digital à campanha eleitoral, à sua atuação política e à defesa de regras mais rigorosas para comportamentos que ultrapassem a manifestação de opinião e avancem para ameaças.

“Eu recebi as ameaças de morte pelas redes sociais três, quatro dias antes de ir para a China. E não sabia o que fazer, porque denunciei ao Instagram e a frase era: ‘você vai morrer, está avisada’”, afirmou. A candidata disse que o conteúdo foi analisado pela plataforma sem que houvesse, naquele primeiro momento, a resposta que esperava.

Para Luciana, o episódio se inseriu em uma sequência de ataques motivados por sua exposição política. Ela afirmou ter sido alvo de ofensas misóginas e associou a ameaça ao alcance de vídeos que vinha produzindo em defesa de Lula. A viagem à China, realizada logo depois, serviu de contraponto em sua avaliação sobre segurança e controle do ambiente digital.

A candidata descreveu a regulamentação chinesa como muito mais rígida e afirmou que ameaças e estímulos à violência seriam tratados de maneira diferente naquele sistema. A comparação serviu de base para defender uma discussão sobre responsabilidades das plataformas no Brasil, embora tenha reconhecido que o modelo observado na China opera com grau de controle muito superior.

Foi ao falar das pressões recebidas que Luciana formulou uma das declarações mais contundentes da entrevista. “Quem quiser saber quem é a Luciana Oliveira, saiba disso: eu não vou me vender e não vou me render”, afirmou, vinculando essa posição à trajetória profissional e à forma como pretende se comportar caso chegue ao Senado.

A candidata também voltou suas críticas para representantes de Rondônia no Congresso. Citou votações envolvendo legislação ambiental, marco temporal, desoneração da folha de pagamento e a chamada PEC da Blindagem para sustentar que o eleitor deve observar o histórico parlamentar daqueles que buscam novos cargos.

Ao mencionar a PEC da Blindagem, questionou a disposição de congressistas em apoiar uma proposta que, na interpretação apresentada por ela durante o programa, ampliaria proteções políticas diante de processos e julgamentos. Luciana transformou o tema em argumento para defender renovação na representação do Estado.

A discussão ambiental apareceu conectada à própria biografia profissional da entrevistada. Jornalista com atuação em áreas de difícil acesso, ela disse ter direcionado grande parte de seu trabalho independente para comunidades isoladas, povos indígenas e movimentos sociais.

Luciana recordou inclusive que seu trabalho de conclusão de curso analisou a presença dos povos indígenas no noticiário rondoniense. Segundo explicou, o estudo comparou textos produzidos durante o período de implantação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré com abordagens mais recentes, buscando identificar permanências na forma como essas populações eram representadas.

Antes de transformar a atividade política em candidatura, Luciana passou por redações e empresas de comunicação de Rondônia. Na entrevista, contou que o trabalho independente lhe permitiu escolher com maior liberdade os temas e grupos aos quais desejava dedicar cobertura.

A candidata relacionou essa trajetória à própria origem. Nascida em Porto Velho, falou do pai, Antônio Cândido da Silva, e da contribuição que atribui a ele para símbolos oficiais de Porto Velho e de outros municípios. Ao narrar a relação familiar com Rondônia, disse que essa memória ajudou a consolidar o vínculo que apresenta hoje como argumento político.

A experiência internacional foi outro eixo importante da entrevista. Luciana passou cerca de três meses na China participando de um intercâmbio de mídia formado por jornalistas de países do Sul Global. Segundo seu relato, era a única brasileira entre aproximadamente cem participantes.

Durante o período, disse ter convivido com jornadas extensas de aulas, viagens e produção profissional. A jornalista afirmou que realizou mais de 60 conteúdos em diferentes formatos e foi escolhida como destaque entre os participantes. Também relatou ter atuado como representante da América Latina em uma das etapas do programa.

Mais do que a experiência pessoal, Luciana procurou relacionar aquilo que observou na China com problemas estruturais de Rondônia. Infraestrutura foi o ponto central dessa comparação. A candidata contou ter visitado uma região rural que, conforme seu relato, recebeu investimentos em transporte e tecnologia e posteriormente atraiu grandes empresas.

Para ela, o caso demonstra que áreas economicamente frágeis podem mudar de posição quando recebem investimentos estruturantes. “Infraestrutura não só liberta como desenvolve, e muito”, afirmou.

A relação comercial entre Rondônia e a China também foi apresentada como razão para aprofundar esse debate. Luciana sustentou que o Estado mantém forte dependência da compra e da venda de produtos para o mercado chinês e defendeu que Rondônia avance na industrialização e no beneficiamento daquilo que produz.

Na avaliação apresentada pela candidata, limitar-se à exportação de produtos sem processamento reduz a capacidade local de capturar maior parcela do valor econômico. Por isso, defendeu fortalecimento industrial e maior agregação de valor dentro do próprio Estado.

O planejamento governamental chinês foi outro aspecto destacado. Luciana falou dos planos de médio e longo prazo aplicados no país e comparou essa continuidade com as mudanças frequentes de prioridades que identifica na política brasileira. Também citou investimentos em energia limpa, revitalização rural e ações de combate à pobreza.

Ao tratar de corrupção, afirmou ter ouvido durante sua permanência no país que o enfrentamento de irregularidades entre agentes públicos foi considerado decisivo para liberar recursos para investimentos. Luciana usou o episódio para sustentar que a corrupção funciona como obstáculo ao desenvolvimento brasileiro.

A política partidária entrou na entrevista quando Vinícius Canova questionou a relação atual do PT com Expedito Netto. O ex-deputado votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e hoje integra a composição política apoiada pelo grupo de Luciana.

A candidata admitiu que a aproximação foi inicialmente recebida com estranhamento. Disse, porém, que Expedito apresentou arrependimento, passou a defender pautas do grupo e aderiu à campanha de Lula. Na avaliação de Luciana, esse movimento foi suficiente para que o PT lhe concedesse uma oportunidade política.

“O mínimo que a gente podia fazer era dar ao Expedito Netto o benefício da confiança”, afirmou. A candidata argumentou que alianças podem ser reconstruídas e citou a prioridade de reunir forças em torno da eleição presidencial como elemento decisivo para compreender a composição.

Luciana também comentou, de forma breve, a situação de Neidinha Suruí após os acontecimentos ocorridos no PSB. Disse ter prestado solidariedade e destacou que mantinha uma relação próxima com ela antes mesmo da controvérsia se tornar pública. O assunto foi ligado por Luciana às dificuldades enfrentadas por mulheres no ambiente político, sem ocupar o centro da entrevista.

Ao explicar sua formação ideológica, a candidata afirmou que a identificação com o socialismo democrático está relacionada à redução de desigualdades e não à defesa da pobreza. “A meta não é ficar pobre, a meta é acabar com a pobreza”, resumiu.

No fechamento, Luciana voltou à disputa pelo Senado e às razões que apresenta para pedir o voto dos rondonienses. Citou justiça social, direitos das mulheres, povos originários, cultura, patrimônio histórico e trabalhadores entre os temas que pretende defender.

Também pediu que os eleitores consultem sua trajetória e o trabalho realizado antes da campanha. Para Luciana, a avaliação do passado profissional e político deve pesar tanto quanto as promessas apresentadas durante o período eleitoral.

Ao encerrar, a candidata afirmou que pretende manter no Senado o mesmo perfil crítico que associa ao jornalismo, mas disse que suas divergências políticas não devem avançar para ataques pessoais. A candidatura, segundo ela, representa uma tentativa de transformar em atuação parlamentar pautas que já fizeram parte de sua carreira e de sua militância em Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.

DEZ FRASES DE LUCIANA OLIVEIRA AO RD ENTREVISTA:

01) “Infraestrutura não só liberta como desenvolve e muito.”

A declaração foi feita quando Luciana descrevia uma região rural chinesa que, segundo ela, passou por investimentos estruturais e recebeu empresas depois da expansão da infraestrutura.

02) “A meta não é ficar pobre, a meta é acabar com a pobreza, é isso”

A frase surgiu quando a candidata explicava sua compreensão do socialismo democrático e sua aproximação com pautas sociais.

03) “Eu sempre tive vontade de estar com povo”

Luciana fez a afirmação ao relembrar sua trajetória jornalística e a decisão de priorizar, no trabalho independente, pautas relacionadas a comunidades e grupos populares.

04) “Confortáveis, é sim, nos sentimos confortáveis.”

A declaração foi dada em resposta à pergunta sobre a relação do PT com Expedito Netto após o histórico político do ex-deputado e seu voto no impeachment de Dilma Rousseff.

05) “Você vai morrer, está avisada.”

Luciana reproduziu a mensagem que afirmou ter recebido nas redes sociais poucos dias antes de viajar para a China, ao relatar ameaças sofridas durante sua atuação política.

06) “Então esse foi um episodio que me marcou muito, porque foi uma violência política.”

A candidata pronunciou a frase ao explicar o impacto das ameaças e dos ataques que disse ter recebido pelas redes sociais.

07) “eu não vou me vender e não vou me render.”

Luciana afirmou isso ao falar sobre sua independência e sobre a reação que pretende manter diante de ameaças e pressões políticas.

08) “Para defender o estado da pilhagem do malcaratismo, que norteia a política brasileira.”

A declaração apareceu na reta final, quando a candidata descrevia o propósito que atribui à candidatura ao Senado.

09) “Eu quero pedir voto pra mim.”

Luciana abriu dessa forma suas considerações finais, antes de apresentar ao eleitor as razões pelas quais considera que deve ser avaliada para representar Rondônia.

10) “Escutem as pessoas que me conhecem busquem referências sobre mim sobre o meu trabalho.”

A frase foi dita nas considerações finais, quando a candidata pediu aos eleitores que pesquisassem sua trajetória profissional e sua atuação antes de decidir o voto.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO)





COMENTÁRIOS: