Penas chegam a 45 anos de prisão em processo que apurou tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa entre Rondônia e o Ceará
Porto Velho, RO – Penas que chegam a 45 anos, 11 meses e 5 dias de prisão foram impostas a integrantes de uma organização criminosa investigada por transportar grandes volumes de cocaína entre estados e movimentar milhões de reais provenientes do tráfico. As condenações foram determinadas nesta quarta-feira (2) pela 1ª Vara de Tóxicos da comarca de Porto Velho, no processo relacionado à Operação Puritas.
A sentença também estabeleceu a perda do cargo público dos policiais rodoviários federais envolvidos no caso. Em relação aos policiais militares citados no processo, as providências correspondentes deverão ser analisadas pela Justiça Militar. Conforme o nível de participação atribuído a cada acusado, as penas variaram de 3 anos de reclusão e 40 dias-multa até a condenação máxima de 45 anos, 11 meses e 5 dias.
Antes da análise das acusações, pedidos apresentados pelas defesas para anular o processo foram rejeitados pelo juízo. A competência da Justiça Estadual para conduzir o julgamento foi mantida, assim como a validade das provas digitais obtidas em redes e aplicativos utilizadas durante a investigação.
A apuração também identificou mecanismos empregados para movimentar e ocultar o dinheiro gerado pelo tráfico. Segundo a decisão, recursos eram direcionados a empresas de fachada e posteriormente convertidos em imóveis de alto padrão, propriedades rurais e veículos de luxo.
Entre os patrimônios identificados estão uma residência localizada em condomínio fechado de Porto Velho e fazendas. Depósitos bancários realizados de forma fracionada também faziam parte da movimentação financeira atribuída ao grupo, estratégia que dificultava a identificação da procedência dos valores.
Em uma das ações policiais, R$ 580 mil e US$ 8.157 em espécie foram localizados dentro de um cofre. A sentença reconheceu que o dinheiro encontrado tinha origem no comércio ilegal de drogas.
A estrutura investigada funcionava de maneira organizada para manter uma rota de transporte de entorpecentes entre Porto Velho e Fortaleza, no Ceará. Mato Grosso, Pará e Maranhão eram utilizados como pontos de apoio durante os deslocamentos.
De acordo com as provas reunidas no processo, mais de 1,2 tonelada de cocaína pura foi transportada pelo esquema entre 2022 e 2024. Um dos integrantes apontados como liderança da organização em Rondônia tinha entre suas atribuições a negociação dos carregamentos, os pagamentos relacionados às operações e o fornecimento de veículos adaptados para esconder os entorpecentes.
Ao mesmo integrante também foram atribuídas a aquisição de armas e munições e a administração de contas bancárias utilizadas pelo grupo. Outros réus tinham funções relacionadas ao transporte das drogas e à proteção das cargas durante as viagens.
Um dos condenados foi preso em flagrante no município de Vilhena transportando aproximadamente 500 quilos de cocaína. Na ocasião, também foi apreendida uma arma registrada em nome do homem apontado como líder da organização.
Outro integrante realizava deslocamentos de apoio pelo Pará. Segundo a investigação, as viagens eram feitas a partir de orientações repassadas por pessoas que coordenavam as atividades criminosas em Rondônia e no Ceará.
A decisão acolheu parcialmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO). O processo reuniu acusações relacionadas a 11 crimes e envolveu 25 réus investigados no âmbito da Operação Puritas.
Com informações de: Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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