Candidata ao Senado criticou posição adotada pelo parlamentar de Rondônia horas antes da entrevista ao Programa Leo Ladeia; durante a conversa, Luciana também tratou de agricultura familiar, agronegócio, Pé-de-Meia, assistência social, infraestrutura, relação com a China e do papel que pretende exercer no Congresso
Porto Velho, RO – A candidata ao Senado Federal pelo PT, Luciana Oliveira, criticou o senador Jaime Bagattoli (PL) pela posição contrária ao fim da escala 6×1 e utilizou o episódio para defender que o eleitor observe não apenas as propostas apresentadas durante a campanha, mas também os compromissos assumidos e a postura adotada pelos representantes de Rondônia nas votações realizadas no Congresso Nacional.
A manifestação ocorreu durante entrevista ao Programa Leo Ladeia, veiculado pela SGC e disponível no YouTube. A participação de Luciana aconteceu poucas horas depois de a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovar a proposta que acaba com a escala de seis dias de trabalho para um de descanso. Apenas quatro senadores registraram posição contrária ao texto: Rogério Marinho, Jaime Bagattoli, Hamilton Mourão e Tereza Cristina. A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de repouso remunerado e mantém a remuneração dos trabalhadores.
Luciana levou o resultado da votação diretamente para a entrevista ao tratar da qualidade do emprego, das relações de trabalho e da responsabilidade de quem ocupa uma cadeira no Senado. Para a candidata, a posição assumida por Bagattoli demonstrou de maneira concreta como decisões tomadas em Brasília podem interferir na rotina das famílias.

“Perceba o quão importante é a postura de um senador da República. Hoje, na Comissão de Constituição e Justiça, foi votado o fim da escala 6×1. E o senador de Rondônia, Jaime Bagattoli, fez questão de nominalmente se colocar contra o fim da escala 6×1”, afirmou Luciana durante a entrevista.
Ao prosseguir, a candidata relacionou o tema à qualidade de vida dos trabalhadores, ao tempo disponível para convivência familiar e à defesa de direitos trabalhistas. Segundo Luciana, sua atuação no Senado teria posição definida nesse tipo de votação.
“Isso tem tudo a ver com a classe trabalhadora, porque é mais qualidade de vida, é menos um dia de trabalho, é mais dignidade, mais tempo para a família, a família que esse espectro político tanto enche a boca para falar, mas que na hora de votar, para garantir mais qualidade para essa família, vota contra”, declarou.
A candidata apresentou o fim da escala 6×1 como um compromisso inarredável de sua candidatura e vinculou a posição à relação histórica que mantém com trabalhadores, sindicatos e entidades representativas. Na entrevista, disse que sua atuação será direcionada ao avanço dos direitos trabalhistas e à geração de emprego e renda.
“Então, com certeza, estando no Senado, eu sempre estarei ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras. Sempre vou pensar em geração de emprego e renda, porque essa é a raiz do meu partido, do Partido dos Trabalhadores. Sindicato para mim é casa”, disse.
Luciana acrescentou que, em seu mandato, propostas relacionadas ao trabalho serão analisadas sob a perspectiva da preservação e ampliação de direitos. “Então, comigo pode ter certeza que essa é uma pauta que sempre vai ser para avançar, nunca para tirar, reduzir direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou.
A discussão sobre emprego surgiu após Luciana defender a necessidade de ampliar a industrialização de Rondônia e agregar valor à produção estadual. A candidata afirmou que o estado possui oferta de empregos, mas precisa avançar na qualidade das vagas, relacionando esse objetivo ao beneficiamento de matérias-primas e à instalação de atividades industriais capazes de criar postos de trabalho mais qualificados. Durante a entrevista, também afirmou que mais de 31 mil empregos formais foram criados em Rondônia durante o terceiro mandato do presidente Lula.
A agricultura ocupou parte significativa da conversa. Luciana diferenciou o agronegócio da agricultura familiar e defendeu políticas para as duas atividades, consideradas por ela motores da economia de Rondônia. Segundo a candidata, entre 2023 e 2026 foram destinados R$ 12 bilhões ao Plano Safra no estado, enquanto programas voltados à agricultura familiar contemplaram iniciativas de habitação rural, quintais produtivos e acesso ao crédito.
“Uma coisa é o agronegócio, uma coisa é a agricultura familiar. E isso está muito claro nas ações do governo Lula”, afirmou. Na sequência, Luciana defendeu que a agricultura familiar receba fortalecimento adicional, especialmente por meio da ampliação do crédito.
A candidata também relacionou o desenvolvimento do setor produtivo à experiência de três meses que teve na China. Durante a entrevista, relatou contatos realizados no país e defendeu a diversificação das exportações de Rondônia, com redução da dependência de produtos primários e maior beneficiamento da produção estadual.
Na avaliação apresentada por Luciana, Rondônia possui potencial para ampliar negócios internacionais não apenas com carne, soja e milho, mas com outros produtos. A candidata defendeu que o estado avance na industrialização e aproveite mercados internacionais para vender produtos com maior valor agregado. Também mencionou o café produzido em Rondônia como um dos produtos com espaço para crescimento no mercado chinês.
A educação foi outro eixo da entrevista. Luciana classificou a área como elemento central para transformação econômica e social e citou o Pé-de-Meia entre as políticas implantadas no terceiro governo Lula. Segundo ela, a política de incentivo financeiro à permanência dos jovens nos estudos representa uma forma de associar assistência social, educação e planejamento de longo prazo.
“A educação é o pilar de tudo, transforma”, afirmou Luciana. Ao falar do Pé-de-Meia, destacou os incentivos financeiros destinados aos estudantes e rejeitou a interpretação de que políticas dessa natureza representariam apenas assistencialismo. “As pessoas que veem isso como assistencialismo não enxergam o futuro”, declarou.
Luciana também defendeu uma atuação parlamentar que não se limite à destinação de emendas. Durante a entrevista, afirmou que um senador precisa utilizar a articulação política para estabelecer grandes parcerias, aproximar Rondônia do governo federal e buscar oportunidades nacionais e internacionais.
“A gente tem que parar de pensar que senador só tem que trazer para o Estado emenda. Não é só emenda, entrega isso, entrega aquilo. O senador precisa fazer mais”, afirmou ao discutir o papel político do cargo. Na avaliação da candidata, legislação, fiscalização e articulação devem funcionar de maneira conjunta para produzir resultados estruturais para o estado.
Na área da assistência social, Luciana citou a ampliação do Bolsa Família e afirmou que políticas federais precisam funcionar de maneira integrada com saúde, proteção às mulheres e ações direcionadas às famílias de baixa renda. Também mencionou investimentos destinados a municípios de Rondônia, incluindo veículos para o Samu em Cacoal, uma maternidade destinada a Ji-Paraná e a Casa da Mulher Brasileira prevista para Porto Velho.
Para a candidata, a proteção social deve considerar especialmente a realidade das mulheres, que ela destacou como presença majoritária entre responsáveis pelo cuidado familiar. Luciana afirmou estar confiante na ampliação das políticas sociais com a continuidade do governo Lula e maior alinhamento entre a Presidência da República e a representação de Rondônia no Congresso.
A infraestrutura também esteve entre os assuntos abordados. Luciana citou investimentos do governo federal na recuperação e estruturação das rodovias, incluindo as BRs 364 e 319, além da Ponte Binacional entre Brasil e Bolívia, em Guajará-Mirim. Ao tratar da ponte, recordou ter participado do ato relacionado ao empreendimento e vinculou a obra à integração de Rondônia com novas rotas comerciais.
Durante a entrevista, ela relatou que acompanhou as discussões sobre a Ponte Binacional e posteriormente encontrou o tema da integração sul-americana novamente durante sua passagem pela China. A conversa avançou para a perspectiva da rota bioceânica e para o papel estratégico que Rondônia pode exercer na conexão entre a produção brasileira e mercados do Pacífico.
“Quando nós chegamos na parte de integração que eles perseguem, chegou a rodovia bioceânica. E é um projeto incrível”, afirmou. Luciana defendeu que a atuação parlamentar acompanhe esse processo com atenção aos interesses de Rondônia e à soberania sobre o território.
Ao longo dos três blocos da entrevista, a candidata voltou diversas vezes ao argumento de que a eleição para o Senado precisa ser analisada pela postura que cada candidato pretende assumir diante de decisões concretas. Para Luciana, o cargo exige posicionamento em temas que passam por trabalho, economia, agricultura, educação, saúde, assistência social, infraestrutura, relações internacionais e defesa da Constituição.
Essa ideia também apareceu na parte final da participação. Luciana afirmou que pretende combinar diálogo e atuação política firme e voltou a citar o voto de Jaime Bagattoli contra o fim da escala 6×1 como exemplo da diferença de posicionamento que deseja apresentar ao eleitorado.
“Acho que Rondônia não precisa de mais um senador, Rondônia precisa de uma senadora e eu estou disposta a ir para lá com esse perfil combativo, com esse perfil de diálogo, mas também muito combativo”, afirmou. Pouco depois, voltou à votação realizada horas antes: “Isso é um absurdo! Jamais!”.
Lula é candidato à reeleição à Presidência da República com o número 13; Expedito Netto, candidato ao Governo de Rondônia com o número 13; e Luciana Oliveira, candidata ao Senado Federal com o número 133.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
COMENTÁRIOS:





