Candidato ao Senado pelo PDT afirma que eventual anistia dependerá do conteúdo da proposta e sustenta que votos sobre STF, governo e oposição devem ser definidos a partir das provas e dos fundamentos de cada caso
Porto Velho, RO – Os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal precisam ser examinados pelo Senado, independentemente de o resultado final ser favorável ou contrário ao afastamento. A posição foi defendida pelo candidato ao Senado Acir Gurgacz (PDT) durante entrevista ao Bom Dia Rondônia, da TV Rondônia, nesta quinta-feira (3).
Entrevistado pelo jornalista Jefferson Carvalho, Acir também classificou como excessiva a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão e afirmou que uma eventual proposta de anistia deve ser analisada conforme o texto apresentado ao Congresso.
Ao tratar dos ministros do STF, o candidato distinguiu a abertura da análise de um pedido da decisão sobre o mérito. Para ele, cabe aos senadores conhecer as acusações, avaliar as provas e somente depois decidir pelo afastamento ou pela rejeição do processo.
“Eu entendo que o processo de impeachment deve existir. O fato de votar a favor ou votar contra depende das provas”, declarou.
Acir afirmou que apoiaria o impeachment caso fossem apresentados elementos suficientes para demonstrar ilegalidade. Na ausência dessas provas, disse que votaria contra.
“Se você tiver provas que há uma ilegalidade, votaremos a favor do impeachment. Se não houver provas, não votarei a favor do impeachment. O que eu defendo é que haja a tramitação que até hoje não aconteceu”, afirmou.
A mesma lógica foi utilizada pelo candidato ao falar sobre uma possível anistia. Acir não antecipou posição definitiva e condicionou eventual voto ao conteúdo da proposta e aos fundamentos utilizados para justificá-la.
“Temos que analisar o processo para poder saber como votar. Não dá para antecipar o voto sem ter um processo, sem ter o argumento”, disse.
Para o pedetista, decisões desse tipo não devem ser determinadas automaticamente pelo alinhamento entre situação e oposição.
“Não podemos votar a favor porque é situação ou contra porque é oposição. Acho que este não é o papel. Nosso papel é levantar quais são os fundamentos para fazer um voto independente”, declarou.
A entrevista também abordou a condenação de Jair Bolsonaro. Questionado sobre a pena de 27 anos e três meses, Acir avaliou que a punição foi desproporcional.
“Eu acho que essa condenação do ex-presidente foi exagerada. Ela poderia ter sido de uma forma muito mais branda. Eu entendo que é quase que inaceitável o tamanho dessa condenação”, afirmou.
As declarações foram relacionadas pelo candidato à defesa de uma atuação independente no Senado. Acir argumenta que o parlamentar não deve ficar condicionado às posições predominantes da esquerda ou da direita e precisa manter liberdade para analisar individualmente temas políticos e institucionais.
Ele citou como exemplo os 14 anos em que exerceu mandato no Senado, período no qual conviveu com as administrações de Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
“Eu não tenho nenhuma preocupação em trabalhar com um governador que não seja do meu campo político ou com um presidente da República que também não seja do meu campo político”, afirmou.
Para Acir, a polarização reduz a capacidade de articulação dos representantes estaduais em Brasília e pode dificultar a defesa de interesses de Rondônia.
“Essa polarização não ajuda em nada, principalmente no mandato”, declarou.
Além dos temas nacionais, o candidato apresentou durante a entrevista uma agenda de propostas voltadas ao Estado. Entre as medidas citadas estão a duplicação da BR-364 e o reasfaltamento da BR-319.
Na saúde, Acir defendeu hospitais regionais em Ariquemes, Ji-Paraná e Vilhena. Na segurança, propôs ampliar a presença da Polícia Federal na região de fronteira.
O candidato também colocou entre suas prioridades a revisão do Código Florestal, o avanço da regularização fundiária e a implantação de escolas em tempo integral.
Ao longo da entrevista, Acir procurou associar essas propostas à experiência acumulada no Congresso e à capacidade de manter interlocução com governos de diferentes orientações políticas. A linha defendida pelo candidato é de que temas institucionais sejam decididos com base nas provas e no conteúdo de cada processo, enquanto a atuação política em Brasília permaneça concentrada na busca por resultados para Rondônia.
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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