Reconhecimento pretende agregar valor ao produto amazônico, fortalecer o manejo sustentável e ampliar a geração de renda na Reserva Extrativista Lago do Cuniã
Porto Velho, RO – A produção sustentável de carne de jacaré na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, em Porto Velho, poderá ganhar maior reconhecimento de origem e valor comercial com a obtenção de uma Indicação Geográfica (IG). O processo está em fase de estudos e busca identificar características próprias do produto, além de fortalecer a atividade econômica desenvolvida pela comunidade.
A iniciativa pretende fazer com que a proteína produzida na região seja associada oficialmente ao território do Cuniã. A expectativa é que o reconhecimento contribua para agregar valor à carne, ampliar a renda dos moradores e manter uma parcela maior dos recursos gerados pela atividade dentro da própria comunidade.
Um diagnóstico realizado em 2024 já havia apontado o potencial da carne de jacaré do Cuniã para receber uma Indicação Geográfica. Segundo o consultor do Sebrae Agnaldo José de Lima, a produção reúne características consideradas diferenciadas, entre elas a quantidade limitada e a relação histórica com a região. “É um produto raro, de produção limitada e com uma história muito rica”.
A estimativa apresentada pelo consultor é de que todo o processo necessário para o reconhecimento leve entre um ano e meio e dois anos.
O estudo é conduzido pelo Sebrae Rondônia em parceria com a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric). Também participam dos trabalhos a Cooperativa de Produtores Rurais do Lago do Cuniã (CoopCuniã), a Asmucum, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Nesta etapa, estão sendo reunidos documentos e informações relacionadas à trajetória da comunidade, à cooperativa e ao desenvolvimento do manejo de jacarés na reserva. A analista técnica do Sebrae Rondônia, Evelyn Peixoto, informou que a documentação desse histórico é necessária para dar sustentação ao processo de certificação.
Entre os moradores, a possibilidade de reconhecimento também gera expectativa. Adegilton Alves Lopes, que vive na Reserva Extrativista Lago do Cuniã, afirmou que a comunidade espera realizar o abate de jacarés ainda neste ano e avalia que a Indicação Geográfica poderá aumentar a valorização do produto. “Para nós é muito importante”.
Na avaliação do diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural e Técnicas Agrícolas da Semagric, Herlan Lopes, o trabalho também está relacionado ao fortalecimento do manejo sustentável e à valorização da proteína produzida no Cuniã. “Queremos que esse produto tenha mais qualidade, identidade e valor”.
O secretário municipal da Semagric, Douglas Bener, considera que a articulação entre as instituições poderá ampliar as possibilidades de desenvolvimento econômico para os moradores da reserva.
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, também apontou a Indicação Geográfica como uma oportunidade de transformar a produção local em fonte adicional de geração de renda. Segundo ele, a proposta permite valorizar um produto amazônico ao mesmo tempo em que fortalece o trabalho das comunidades. “A Indicação Geográfica pode agregar valor, gerar renda e mostrar para o Brasil a força e a identidade da produção sustentável do Cuniã”.
Caso o processo seja concluído, a Indicação Geográfica poderá formalizar a relação entre a carne de jacaré e o Lago do Cuniã, reconhecendo a procedência e as características específicas de uma produção baseada no manejo sustentável desenvolvido na região.
Com informações de: Prefeitura de Porto Velho
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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