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Adailton Fúria tem razão em se afastar dos seus mentores? As sandálias da humildade e a fórmula da vitória

Adailton Fúria tem razão em se afastar dos seus mentores? As sandálias da humildade e a fórmula da vitória
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Coluna analisa o peso de Marcos Rocha e Ivo Cassol na campanha governista, traça a geografia da disputa ao Senado e calcula os caminhos de candidatos do interior e da capital pelas duas vagas

Por Carlos Sperança - quarta-feira, 09/09/2026 - 16h08

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Só na fotografia

Já não é mais importante eleger um presidente como foi na Velha República. Nela, os presidentes eram porta-vozes das elites estaduais, condição que lhes dava poderes ilimitados. A Velha República acabou porque o paulista Washington Luís se atreveu a não obedecer ao arranjo “Café com Leite”, que obrigava a eleição de um presidente mineiro depois dele.

A República instaurada com a Constituição de 1988 limita as elites estaduais aos próprios feudos e o presidente da República é uma espécie de “rei da Inglaterra”, que só aparece na fotografia dos projetos aprovados. Quem realmente decide é o Centrão, complexo arranjo entre parlamentares montado por uma aliança maleável de partidos políticos liberais e conservadores.

Para evitar a menção ao número de um candidato, doze mais um disputam a primazia de aparecer nas fotografias que vão celebrar as medidas aprovadas pelo Centrão nos próximos quatro anos. O caso da Amazônia deixa claro que o presidente da República não governa mais como os eleitos antes de 1988.

Lula foi eleito por uma aliança comandada pelo PT, que tem para a Amazônia propostas de desmatamento zero, economia da floresta em pé e torce o nariz para a exploração do petróleo na Margem Equatorial. Só que não há um governo do PT, como também não haverá um governo do PL, Novo, PSD ou Missão. Será a eleição de um mero modelo fotográfico.

Marketing rachado

Até que ponto o novo marketing do ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) tem razão em se afastar dos seus mentores, o governador Marcos Rocha e do seu articulador, o ex-senador Expedito Junior nesta campanha ao Palácio Rio Madeira? É mais uma vez a criatura se voltando contra seus criadores. E o governador Marcos Rocha não é um apoio tão desprezível assim, já que no segmento da economia, ele toca o estado com crescimento contínuo e têm quitado os salários do funcionalismo público religiosamente em dia durante seus dois mandatos, o que representa um apoio expressivo numa campanha. Não bastasse a indicação do jornalista Everton Leoni como vice, que partiu de Rocha. É um bom vice e ajuda muito na campanha de Fúria em Porto Velho.

Apoio decisivo

Não tenho dúvidas em acrescentar que sem o apoio do coronel Marcos Rocha, Adailton Fúria não estaria ocupando o segundo lugar nas pesquisas e sem o respaldo do atual mandatário rondoniense que está sendo oculto na sua campanha, Fúria deixaria a posição privilegiada nas sondagens eleitorais. Rejeitar a pecha de candidato chapa branca, ou seja, da candidatura oficial do atual governo e se fingir de oposicionista, já que ataca alguns setores, como saúde, segurança – nestes casos com toda razão – vai lhe causar desgastes, pois Fúria está na posição em que está justamente por ser um candidato governista. Por isto deveria defender as posições situacionistas.

Sandálias da humildade

Fúria precisa entender que descartar Rocha como um sapato velho, tem consequências. Afinal foi ele com o ex-governador Ivo Cassol, que indicaram Everton Leoni de seu vice e estão garantindo sua passagem para o segundo turno com as melhores chances de chegar ao CPA, se unir os adversários de Marcos Rogério na próxima etapa. E mais: Cassol indicou vice de Fúria, tem dois candidatos seus a Câmara Federal pelo PSD de Fúria, que são Luís Claudio e a maninha Jaqueline. Ivo está engabelando Hildon Chaves, está mesmo é alinhado com Fúria. Portanto o ex-prefeito de Cacoal precisa vestir as sandálias da humildade se quiser mesmo chegar ao CPA.

Duas vagas

A campanha eleitoral para as duas cadeiras ao Senado vai se afunilando e se constata dois candidatos com domicilio eleitoral no interior com boas chances e dois em Porto Velho com as melhores possibilidades. Da região central, com redutos fortes, emergem o ex-senador Acir Gurgacz (PDT), numa corrida de recuperação e a atual deputada federal Silvia Cristina (União Progressista). Na capital, com maiores chances, se constata a ex-deputada federal Mariana Carvalho (União) e o atual deputado federal Fernando Máximo (PL). Entendo que das suas cadeiras ao Senado, uma deve sair do interior e outra para capital. Isto se não pintar alguma zebra de última hora.

A fórmula da vitória

O eleitorado do interior do estado conta com quase dois terços dos eleitores de Rondônia. Mas Porto Velho e com cidades mais identificadas com a região Norte, Candeias, Itapoã, Nova Mamoré e Guajará Mirim são quase 500 mil eleitores. A equação é seguinte, o candidato do interior (Acir e Silvia Cristina) precisa fazer o dever de casa ganhando bem em seus redutos e ainda beliscar alguma coisa em Porto Velho. Já, os dois representantes da capital, com maiores chances, Mariana e Máximo precisam ganhar bem na capital e se reforçar com alguma coisa no interior. Máximo e Mariana precisam tirar uma diferença favorável grande na região da capital para levar a melhor, já que o interior é bairrista e lá estão quase um milhão de eleitores.

Via Direta

A campanha eleitoral esquenta em Porto Velho. Para todos os lados foguetes, bandeirolas, e comitês eleitorais funcionando a todo pano. Muitas formiguinhas ganhando uns trocados e os tamanduás da vida afiando suas unhas.

Foi um grande sucesso o lançamento da campanha a deputado federal do candidato Célio Lopes. Grande presença de público prestigiando o evento.

Nesta sexta-feira, dia 11, é a vez do candidato ao Senado Acir Gurgacz (PDT) participar da sabatina da rede Recorde de televisão, na afiliada SIC.

Numa decisão polêmica de parte do PSD, o postulante ao governo Adailton Fúria adotou a candidatura ao Senado da ex-deputada Mariana Carvalho.

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AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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