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PF aponta acesso de grupo ligado a Vorcaro a dados sigilosos de investigações e sistemas policiais

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Relatório enviado ao STF cita consultas irregulares no MPF, Polícia Federal e outros órgãos, além de referências a informações da Interpol e do FBI

Por Yan Simon - sábado, 12/09/2026 - 10h53

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Porto Velho, RO – Consultas envolvendo o nome de Daniel Vorcaro e a relação entre Banco Master e Banco de Brasília (BRB) teriam sido realizadas de forma clandestina em bases restritas de órgãos públicos, segundo relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os materiais analisados pelos investigadores estão registros de procedimentos sigilosos, documentos reservados e mensagens que indicariam acesso até a informações relacionadas à Interpol.

O documento da PF, datado de 27 de fevereiro de 2026, possui 164 páginas e foi enviado ao ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero. Parte do inquérito teve o sigilo retirado após pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Segundo os investigadores, uma estrutura chamada “A Turma” teria sido mantida por Vorcaro para atividades de vigilância, obtenção de informações e coerção. A Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês para manter o grupo.

Entre os integrantes apontados pela investigação está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no relatório como Felipe Mourão e “Sicário”. De acordo com a PF, ele teria sido encarregado de obter de maneira recorrente informações sobre procedimentos sigilosos no Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícia Civil e Banco Central.

Os investigadores sustentam que parte dos acessos era realizada com credenciais funcionais pertencentes a terceiros. Além das consultas, documentos teriam sido retirados de sistemas internos e compartilhados sem autorização.

Para a PF, as mensagens reunidas no inquérito indicam que dados protegidos por sigilo eram utilizados em benefício do grupo investigado. “O conteúdo indica, de forma clara, o uso indevido de informações protegidas por sigilo”, registra o relatório.

Uma das situações citadas ocorreu em 15 de fevereiro de 2024. Na ocasião, Vorcaro encaminhou a Sicário uma mensagem com questionamento sobre determinado inquérito existente na Polícia Federal.

Cerca de 40 minutos depois, Mourão respondeu encaminhando um áudio atribuído ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Segundo o relatório, ele informou ter feito contato com a chamada “Tropa” e que seria dada atenção especial ao pedido envolvendo Vorcaro.

A investigação afirma ainda que Marilson possuía acesso ilícito a sistemas do MPF. Ele foi preso em Belo Horizonte em 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Após identificar indícios de consulta irregular, a Polícia Federal informou ao STF que realizou auditoria interna. O procedimento apontou que um dos acessos indevidos teria ocorrido a partir da Delegacia da Polícia Federal em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Outro conjunto de mensagens analisado pelos investigadores envolve pesquisas realizadas no sistema do Ministério Público Federal a partir do CPF de Vorcaro. Conforme o relatório, foram localizados 15 procedimentos relacionados ao então banqueiro, dos quais 11 estavam sob sigilo.

As consultas também utilizavam a expressão “BRB AND MASTER”. O objetivo, segundo a investigação, seria identificar procedimentos nos quais aparecessem simultaneamente referências ao Banco de Brasília e ao Banco Master.

Em uma das conversas reproduzidas no inquérito, uma pessoa alerta para o risco de acessar grande quantidade de processos sobre BRB e Master porque a movimentação poderia chamar atenção. A resposta atribuída a Vorcaro foi: “Quero tudo. Atenção total”.

Na sequência, Sicário teria informado que solicitaria uma busca ampla pelos registros. A PF aponta ainda que o responsável por uma das consultas tentou esconder o próprio nome e o setor ao apagar informações de identificação do documento compartilhado.

Para os investigadores, a medida pode indicar uma tentativa deliberada de ocultar quem realizou a pesquisa diante do caráter irregular do compartilhamento.

No dia seguinte a uma dessas consultas, Mourão encaminhou a Vorcaro uma “Notícia de Fato” do MPF relacionada à apuração sobre possível crime contra o Sistema Financeiro Nacional na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

A Polícia Federal classificou o documento como reservado e afirmou que havia indícios de obtenção indevida. Os quatro delegados que assinam o relatório sustentam que Vorcaro teria usado acessos clandestinos para acompanhar informações sigilosas relacionadas à investigação.

Depois das pesquisas em bases do Ministério Público Federal, segundo a PF, as consultas teriam se concentrado em sistemas da própria Polícia Federal. Um registro de 15 de setembro de 2025 foi utilizado pelos investigadores para indicar acesso ao ePol, sistema oficial de Polícia Judiciária da PF restrito a policiais federais.

O documento teria sido encaminhado por Marilson Roseno a Sicário. Na mesma comunicação, conforme a investigação, também teria sido feita cobrança relacionada ao pagamento mensal do grupo.

As apurações avançaram ainda sobre possíveis consultas envolvendo organismos internacionais. Uma mensagem de 24 de outubro de 2025 continha uma imagem com o logotipo da Interpol e referências à ocultação do nome do responsável pela pesquisa, à espera de um relatório do FBI e à informação de que “A Interpol está limpa”.

A Polícia Federal consultou a representação da Interpol no Brasil e recebeu a informação de que a aparência da tela apresentada nas mensagens não correspondia aos mecanismos de pesquisa disponibilizados pela organização.

A Interpol, porém, informou que a imagem poderia estar relacionada a ferramentas utilizadas por outros países. A hipótese apresentada pela PF é de que uma consulta possa ter sido feita por meio de sistema estrangeiro abastecido com dados da organização internacional. Os investigadores avaliam, nesse caso, que o usuário provavelmente não seria brasileiro.

No relatório encaminhado ao STF, a PF afirma que Vorcaro poderia ter recorrido aos meios jurídicos disponíveis para tentar obter acesso legal aos autos. Os delegados sustentam, contudo, que teria sido empregada a estrutura comandada por Mourão, com participação relevante de Marilson Roseno.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. O BC apontou grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas como fundamentos para a medida.

Antes da liquidação, o BRB esteve envolvido em negociações para aquisição do Master. O Banco Central impediu a operação. Os negócios realizados entre as duas instituições também passaram a ser investigados, e o BRB chegou a necessitar de R$ 8,8 bilhões para enfrentar perdas relacionadas ao caso.

Daniel Vorcaro foi preso inicialmente em novembro de 2025 e voltou a ser preso em março de 2026 por determinação do STF. A prisão permanece mantida.

Felipe Mourão também foi detido durante a investigação e morreu dois dias depois, após uma tentativa de suicídio na prisão.

Além da obtenção de informações, a Polícia Federal atribui ao grupo investigado atividades de intimidação, coação e planejamento de atos violentos. Segundo o relatório, haveria referências à mobilização de pessoas armadas e a possíveis agressões físicas com a finalidade de pressionar ou silenciar determinadas pessoas.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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