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OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

STF analisa nesta terça possível investigação envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro

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Supremo realiza sessão extraordinária às 10h para avaliar se há elementos para abertura de investigação sobre supostos contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Por Yan Simon - terça-feira, 15/09/2026 - 09h04

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Porto Velho, RO – O Supremo Tribunal Federal realiza nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para decidir se deve ser aberta uma investigação relacionada aos contatos identificados entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. O julgamento está previsto para começar às 10h, com transmissão pela TV Justiça e pela internet.

As informações chegaram ao Supremo após a Polícia Federal localizar mensagens durante a análise do celular de Vorcaro. O aparelho teve o sigilo quebrado no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

O caso foi levado ao plenário depois que o ministro André Mendonça, então responsável por processos relacionados ao Banco Master, comunicou a existência das conversas. A Constituição e o Regimento Interno do STF estabelecem que questões envolvendo integrantes da própria Corte devem ser apreciadas pelo plenário.

Segundo a investigação, aproximadamente 50 mensagens teriam sido trocadas entre Vorcaro e o número atribuído a Moraes antes da prisão do ex-banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025.

Moraes não era relator das investigações relacionadas ao Banco Master. O contato com Vorcaro, conforme as informações reunidas no processo, teria ocorrido depois que o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, passou a prestar serviços jurídicos ao banco.

Dois dias antes da prisão, em 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da Polícia Federal, que naquele momento tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Em uma das mensagens, foram mencionados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, escreveu Vorcaro em trecho da conversa. Apesar das referências, não foram apontados indícios de interferência de Gonet ou Rodrigues nas investigações.

No dia seguinte, o ex-banqueiro mencionou o juiz Ricardo Leite, que conduzia a investigação na Justiça Federal, e demonstrou preocupação com a possibilidade de ser preso. “Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, questionou.

A prisão foi determinada por Ricardo Leite em 17 de novembro. Posteriormente, os autos relacionados ao caso foram remetidos ao Supremo.

O procedimento previsto para a sessão começa com a abertura dos trabalhos e a leitura da ata da sessão anterior. Na sequência, o processo será chamado para julgamento, haverá apresentação do relatório e manifestação da Procuradoria-Geral da República. Somente depois será iniciada a votação.

A composição do plenário inclui Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. A participação de Alexandre de Moraes na análise ainda não havia sido confirmada.

Também permanecia indefinida a presença de Dias Toffoli. No início de 2026, o ministro declarou-se impedido de participar de julgamentos relacionados ao Banco Master após a divulgação de informações envolvendo um resort de sua propriedade e um fundo de investimentos ligado à instituição.

Durante a sessão, qualquer ministro poderá apresentar questão de ordem. Também existe a possibilidade de pedido de vista, hipótese que poderá suspender a conclusão do julgamento.

O episódio passou a ter repercussão pública em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do procedimento e encaminhou as conversas para análise no Supremo.

Desde que as mensagens foram divulgadas, Alexandre de Moraes não apresentou manifestação específica sobre o conteúdo atribuído às conversas.

Após o envio do material, Moraes chegou a incluir André Mendonça no inquérito das fake news, sob alegação de que o colega teria direcionado a investigação contra ele por “motivos políticos”. Posteriormente, a inclusão foi desfeita por Edson Fachin.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também questionou a forma como as mensagens foram obtidas e analisadas. Em manifestação encaminhada ao STF, Gonet defendeu a anulação do relatório da Polícia Federal que identificou os diálogos.

Segundo o procurador-geral, o aprofundamento das investigações para analisar especificamente as conversas envolvendo Moraes somente poderia ter ocorrido depois de autorização do plenário do Supremo.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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