Coluna aborda a crise entre Fúria e Marcos Rocha, a disputa por representação no Cone Sul, a aposta petista em Lula, a industrialização de Rondônia e os problemas enfrentados pelo PL na reta final
DNA ambiental
Ao contrário de quase todas as pesquisas amplas já feitas sobre a Amazônia, esta poderá ser acompanhada passo a passo pelo olhar de jornalistas que acompanham a expedição. Terceira etapa de um projeto de mapeamento da biodiversidade das terras altas da região que já desbravou o Pico da Neblina, em 2017, e a Serra do Imeri, em 2022, são ações desenvolvidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo com o apoio do Exército.
Foca a Serra do Aracá, no extremo norte, próximo à fronteira com a Venezuela, um conjunto de montanhas com altitudes que variam de 1.300 a 1.700 metros com ecossistemas únicos, compostos por uma diversidade de animais e plantas a ser observada por uma equipe de 16 pesquisadores brasileiros, de diversas especialidades, que partiram para a área no final de agosto. É um trabalho difícil em uma região igualmente difícil, mas com chances ampliadas de sucesso por conta da variedade de especialistas que o desenvolvem, representando diversas frentes: botânica, palinologia (estudo de grãos de pólen), herpetologia (répteis e anfíbios), ornitologia (aves), mastozoologia (mamíferos), invertebrados e parasitologia.
Tão importante quanto a diversidade de olhares foi adotar uma inovação que agora fará parte do cotidiano dos pesquisadores: o DNA ambiental (eDNA) – tecnologia para analisar material biológico disperso em amostras ambientais, tais como solo e água.
A equação de Fúria
O ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria tem uma equação para resolver rapidamente e diz respeito à sua sobrevivência política no pleito de outubro. Ele é um candidato chapa branca, portanto uma postulação governista, mas que pretende projetar a imagem de um candidato oposicionista ao governo do coronel Marcos Rocha. A coisa está difícil de resolver e ambos estiveram ao ponto de romper politicamente nos últimos dias. Em Rondônia só faltava isto mesmo: um candidato governista encenando ser oposicionista e metendo o pau nas ações do CPA nas áreas de saúde, educação e segurança pública. Uma situação que está confundindo o eleitorado.
No Cone Sul
A região sul, que desde a primeira eleição no estado de Rondônia em 1982 elegeu deputados do porte de Reditário Cassol, Arnaldo Lopes Martins, Natan e Marcos Donadon, além do falecido Jô Sato, tem a expectativa de manter a boa representatividade parlamentar. Vilhena e região já tiveram também um deputado estadual que foi nomeado governador, caso de Ângelo Angelim. Na eleição de outubro deste ano o Cone Sul rondoniense espera manter os deputados Luizinho Goebel e Rosangela Donadon e ainda eleger Viveslando Neiva, filho do atual deputado Ezequiel Neiva.
A fatia do leão
A família Fúria, que tem o candidato a governador Adailton e Joliane à Câmara dos Deputados, abocanhou a fatia do leão dos recursos emanados do fundão eleitoral para o partido. A discriminação de recursos destinados aos candidatos à Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados causou um racha no partido que pode alterar os rumos da campanha da família. Um jogo de estratégia pavoroso, já que numa campanha eleitoral os Fúrias são capazes de tanta gula, pode-se imaginar quando forem eleitos o que farão com os recursos do erário público rondoniense.
Aposta petista
Com uma boa chapa de candidatos à Assembleia Legislativa, onde constam os nomes da atual deputada estadual Claudia de Jesus e da ex-senadora Fatima Cleide, o PT de Rondônia aposta nas estimativas dos percentuais de aprovação do presidente Lula – atualmente em torno de 30 por cento contra 70 por cento dos candidatos conservadores no estado – para impulsionar as candidaturas de Luciana Oliveira ao Senado e de Expedito Neto ao governo de Rondônia. Para a Câmara dos Deputados, o PT tem na sua nominata os nomes do ex-deputado federal Anselmo de Jesus e Ramon Cujui, entre outros.
A industrialização
Mote de campanha política ao governo de Rondônia desde 1998, com o então candidato a governador José Bianco, o tema da industrialização de Rondônia volta a ser cobrado na campanha atual. Agora com mais veemência em virtude da abundância de energia elétrica e do estado se consolidando como um grande produtor de soja, de cacau, de café e ter mais do que quintuplicado seu rebanho bovino nos últimos 30 anos. Entrar na era da industrialização é considerada essencial para os próximos anos, já que gera aumento de arrecadação num estado que ainda sobrevive como o contracheque do funcionalismo público.
Perdendo reforços
Com a Polícia Federal no pé do coordenador de campanha do governadorável Marcos Rogério, o prefeito de Nova Mamoré, e mais a inelegibilidade de Ezequiel Neiva de Carvalho com a sua candidatura sustada à Câmara Federal, o PL teme sobressaltos na atual jornada nos últimos dias. Situações que podem prejudicar o favoritismo do candidato bolsonarista que vinha numa jornada de céu de brigadeiro. Os adversários comemoraram os insucessos bolsonaristas e tratam de divulgar fartamente as coisas nas mídias sociais. Mas as últimas pesquisas seguem garantindo a ponteira para Marcos Rogério.
Via Direta
Grande expectativa para os próximos debates entre os governadoráveis de Rondônia, entre eles o do SGC e do Rondoniaovivo TV, além do embate da SIC TV.
Na orla do Madeira, os historiadores comemoram a restauração da Casa dos Ingleses, abandonada nos últimos anos e que vai reforçar o turismo em Porto Velho, nas proximidades da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio.
O ex-prefeito de Jaru José Amauri lançou sua esposa Dorinha para deputada federal na região da Bacia Leiteira. É reduto do clã político dos Muletas.
O MDB aposta no eleitorado jovem de Rondônia para impulsionar seu candidato a governador Pedro Abib nas paradas.

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AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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