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Eleições 2026: veja o que analisar antes de escolher seus candidatos

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Histórico político, atribuições do cargo, propostas, partido, financiamento da campanha e regras do sistema eleitoral estão entre as informações que podem ser consultadas antes da votação

Por Yan Simon - quarta-feira, 23/09/2026 - 09h29

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Porto Velho, RO – A escolha de representantes nas Eleições 2026 envolve muito mais do que conhecer nomes, números de urna ou promessas apresentadas durante a campanha. Antes de definir o voto, o eleitor pode consultar o histórico dos concorrentes, verificar de onde vêm os recursos usados nas campanhas, conhecer as posições dos partidos e, principalmente, entender quais atribuições pertencem efetivamente ao cargo disputado.

Essas informações ganham importância na reta final da campanha. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, quando estarão em disputa os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 158.765.543 pessoas estão aptas a participar da votação em todo o país.

Uma das primeiras verificações possíveis diz respeito justamente às competências de cada função pública. Presidente, governadores, senadores e deputados exercem papéis distintos dentro da estrutura do Estado. Conhecer essas diferenças permite confrontar promessas eleitorais com aquilo que o ocupante do cargo poderá efetivamente executar ou decidir após a eleição.

No caso dos integrantes do Poder Legislativo, por exemplo, deputados federais, estaduais e distritais participam da elaboração e alteração de leis, fiscalizam o Executivo e atuam na definição dos orçamentos públicos. Senadores também discutem e votam leis federais, representam seus estados no Congresso Nacional e participam de atribuições específicas do Senado, entre elas sabatinas de autoridades. Já presidente e governadores exercem funções executivas dentro de suas respectivas esferas.

Essa distinção ajuda a identificar propostas incompatíveis com as atribuições do cargo. A socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB), observa que parte dos eleitores dispõe de pouca informação sobre as competências dos legisladores. Segundo ela, parlamentares podem participar da definição de recursos públicos, inclusive por meio da aprovação de orçamentos e de emendas, mas não são responsáveis pela execução direta das políticas públicas.

Outro caminho apontado por especialistas é analisar aquilo que o candidato já fez, especialmente quando se trata de alguém que anteriormente exerceu mandato ou ocupou função pública. Votações, posicionamentos, projetos apresentados e atuação em temas de interesse coletivo podem ser comparados com o discurso apresentado durante a campanha.

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC) Francisco Uribam Xavier de Holanda, esse acompanhamento exige dedicação e nem sempre é simples. Ele chama atenção para a dificuldade de compreender mecanismos como financiamento eleitoral, recursos partidários e diferentes fontes de apoio às candidaturas.

A origem e a utilização dos recursos de campanha também podem ser consultadas pelo eleitor. O sistema DivulgaCandContas, mantido pela Justiça Eleitoral, disponibiliza informações como declaração de bens, arrecadação, despesas e movimentação financeira das candidaturas registradas para as Eleições 2026.

Além do histórico individual, especialistas apontam que a legenda à qual o candidato pertence também deve ser considerada na análise. Embora candidatos tenham trajetórias próprias, partidos possuem programas, bancadas, alianças e posições adotadas em votações.

A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), destaca que esse aspecto fica particularmente evidente no Legislativo, onde líderes partidários podem apresentar orientações de bancada para determinadas votações.

Por essa razão, conhecer apenas as propostas individuais pode não oferecer uma visão completa da candidatura. O comportamento anterior do partido, as pautas apoiadas pela legenda, suas alianças e o posicionamento de suas bancadas são informações disponíveis para avaliação do eleitor.

A análise também pode começar pelas próprias prioridades de quem vai votar. Questões econômicas, profissionais, familiares e sociais podem fazer com que grupos diferentes atribuam pesos distintos às mesmas propostas.

O professor de Ciência Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro João Feres Júnior afirma que a identificação dos interesses políticos e econômicos do próprio eleitor ajuda na avaliação das candidaturas. Segundo ele, diferentes partidos e representantes podem estabelecer prioridades distintas na formulação das políticas públicas.

Esse processo inclui observar não apenas promessas, mas os possíveis efeitos das propostas sobre a realidade cotidiana. Uma política pública pode atingir grupos econômicos e sociais de maneiras diferentes, razão pela qual conhecer o conteúdo das medidas apresentadas permite uma análise mais concreta das campanhas.

A composição da representação política também integra esse cenário. As mulheres correspondem a 53% do eleitorado citado no levantamento apresentado, enquanto ocupam 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 dos 513 lugares da Câmara dos Deputados na atual legislatura, segundo os dados mencionados no material consultado.

Outro ponto relacionado à escolha de deputados é o funcionamento do sistema proporcional. Nesse modelo, o desempenho eleitoral de um candidato pode contribuir para a eleição de outros integrantes do mesmo partido ou federação.

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em 2010, quando Francisco Everaldo Oliveira Silva, o Tiririca, recebeu mais de 1,35 milhão de votos na disputa para deputado federal. A votação ajudou sua legenda a conquistar cadeiras adicionais, fenômeno que ficou popularmente conhecido como “Efeito Tiririca”.

O mecanismo decorre do cálculo utilizado nas eleições proporcionais. Primeiro, os votos válidos de uma determinada unidade da Federação são considerados em relação ao número de cadeiras disponíveis. Depois, a votação obtida pelo conjunto de candidatos de cada partido ou federação participa da definição do número de vagas conquistadas pela legenda.

Assim, o voto dado a determinado concorrente também influencia o desempenho de sua agremiação. O cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que essa característica do sistema ajuda a entender por que partidos procuram candidatos com grande capacidade de obtenção de votos.

Mudanças na legislação eleitoral criaram exigências mínimas individuais para o preenchimento de determinadas vagas, mas a votação acumulada pela legenda continua relevante na distribuição das cadeiras. Por isso, conhecer a lista de candidatos vinculados ao partido permite compreender melhor os possíveis efeitos do voto.

Na reta final antes da eleição, informações práticas também merecem atenção. O eleitor pode preparar previamente uma anotação com nomes e números das candidaturas escolhidas para consultá-la durante a votação.

O uso de telefone celular, máquina fotográfica, filmadora ou equipamento que possibilite registrar o voto não é permitido dentro da cabine. A restrição busca preservar o sigilo da escolha eleitoral.

No local de votação, manifestações individuais e silenciosas de preferência política são permitidas dentro das condições estabelecidas pela legislação eleitoral. Já ações coletivas destinadas a abordar, aliciar ou tentar interferir na escolha de outras pessoas estão sujeitas às restrições previstas para o dia da eleição.

Eleitores também podem se ausentar do trabalho pelo período necessário para exercer o direito de voto, sem desconto salarial nas condições previstas pela legislação. Pessoas com mais de 80 anos possuem prioridade na votação, independentemente da ordem de chegada, e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida podem contar com auxílio permitido pelas regras eleitorais quando necessário.

Com a proximidade de 4 de outubro, a consulta a fontes oficiais permite conferir informações apresentadas pelas campanhas. Dados sobre candidaturas, patrimônio declarado e movimentações financeiras podem ser encontrados nos sistemas disponibilizados pela Justiça Eleitoral.

A comparação entre propostas, histórico político, partido, apoios, financiamento e atribuições legais do cargo oferece diferentes elementos para que cada eleitor forme sua própria avaliação antes de chegar à urna.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)





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