Colegiado decidirá nesta sexta-feira (25) se citações encontradas pela PF no celular do ex-banqueiro justificam a abertura de apuração contra o procurador-geral da República
Porto Velho, RO – A votação marcada para esta sexta-feira (25) poderá resultar na abertura de uma investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ou no arquivamento do procedimento. Caso a maioria do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) entenda que existem elementos para aprofundar a apuração, um subprocurador deverá ser designado para conduzir o caso relacionado a eventual crime comum. Se prevalecer posição contrária, a análise será encerrada sem a instauração da investigação.
A deliberação ocorre depois que o nome de Gonet apareceu em mensagens localizadas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso e teve o aparelho apreendido durante as investigações. A reunião do conselho está prevista para começar às 10h desta sexta.
Embora seja presidente do CSMPF, Gonet não comandará a sessão na qual sua situação será examinada. A condução dos trabalhos ficará sob responsabilidade do vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino de Castro e Costa Neto.
Após a abertura da sessão, o processo deverá ser apresentado pelo subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, relator do caso. Na sequência, os demais integrantes do conselho poderão apresentar seus votos sobre a necessidade ou não de instaurar uma investigação.
As mensagens que deram origem à discussão passaram a ser conhecidas depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de parte da investigação. O material também contém comunicações enviadas por Vorcaro a um telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo as informações reunidas pela Polícia Federal, o ex-banqueiro aumentou o número de mensagens destinadas ao contato atribuído a Moraes nos dias que antecederam sua prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025.
Dois dias antes, em 15 de novembro, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações conduzidas pela PF. Naquele momento, o procedimento ainda tramitava na primeira instância da Justiça Federal em Brasília.
Em uma das mensagens, foram mencionados os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Vorcaro escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”.
A existência da mensagem, entretanto, não representa comprovação de participação dos dois integrantes das instituições mencionadas. Até o momento, não foram apresentados indícios de que Gonet ou Andrei Rodrigues tenham interferido nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Outro elemento que passou a integrar a repercussão do caso foi uma fotografia divulgada pelo jornal O Globo. Na imagem, Paulo Gonet aparece ao lado de Vorcaro e de outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro durante um evento jurídico promovido pelo Banco Master em Londres, em abril de 2024.
Depois da divulgação das conversas, Gonet afirmou não manter relação de proximidade com Vorcaro. Segundo o procurador-geral da República, a interação entre ambos teria sido “brevíssima e banal”.
O procurador-geral também apresentou ao Supremo Tribunal Federal um pedido para que seja anulado o relatório da Polícia Federal que revelou as citações ao seu nome.
A argumentação apresentada por Gonet questiona a forma como o aprofundamento da investigação foi determinado pelo ministro André Mendonça. O procurador sustenta que a apuração envolvendo diálogos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes não poderia ter avançado daquela maneira sem autorização do plenário do STF.
Na avaliação apresentada por Gonet, a ampliação das diligências para examinar as conversas entre Vorcaro e o número atribuído a Moraes dependeria de decisão colegiada da Corte.
O pedido de anulação deveria ter sido analisado na quarta-feira (23), mas a sessão prevista para apreciar a questão foi desmarcada.
Enquanto essa discussão permanece no Supremo, caberá ao Conselho Superior do Ministério Público Federal decidir nesta sexta-feira se as referências encontradas no celular de Vorcaro justificam a abertura formal de uma investigação contra o procurador-geral da República.
Com informações de: Agência Brasil
AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO)
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